domingo, 25 de janeiro de 2009

DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS REABILIDA BISPOS DA FSSPX

DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS

Com carta de 15 de Dezembro de 2008 endereçada a Sua Eminência o Sr. Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Mons. Bernard Fellay, também em nome dos outros três bispos consagrados em 30 de Junho de 1988, solicitava novamente a remoção da excomunhão latae sententiae formalmente declarada por Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos em data de 1° de Julho de 1988. Na mencionada carta, Mosenhor Fellay afirma, entre outras coisas: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Nós aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

Sua Santidade Bento XVI - paternamente sensível ao desconforto espiritual manifestado por pelos interessados por causa da sanção de excomunhão, e confiando no compromisso expresso por eles na cidade carta de não poupar esforço algum para aprofundar as questões ainda abertas em necessárias conversações com as Autoridades da Santa Sé, e poder assim chegar rapidamente a uma plena e satisfatória solução do problema existente em princípio, decidiu reconsiderar a situação canônica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, relativa a sua sagração episcopal.

Este ato expressa o desejo de consolidar as relações recíprocas de confiança, intensificar e fazer mais estáveis as relações da Fraternidade São Pio X com a Sé Apostólica. Este dom de paz, ao término das celebrações do Natal, aspira também a ser um sinal para promover a unidade na caridade da Igreja universal, e por seu meio, retirar o escândalo da divisão.

Desejando que este passo seja seguido sem demoras da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, em testemunho de uma verdadeira fidelidade e de um verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa através da prova da unidade visível.

Conforme as faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, revogo dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfons de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação em 1 de julho de 1988 e declaro privado de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o Decreto então publicado.

Roma, Sagrada Congregação para os Bispos, 21 de janeiro de 2009.

Cardeal Giovanni Batista Re
Prefeito da Sagrada Congregação para os Bispos


Fonte: http://fratresinunum.wordpress.com/2009/01/24/esta-consumado-decreto-da-congregacao-para-os-bispos/

Bispos da FSSPX são reintegrados à comunhão católica

COMUNICADO DA SALA DE IMPRENSA DA SANTA SÉ

O Santo Padre, depois de um processo de diálogo entre a Sé Apostólica e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, representada pelo seu Superior Geral, S.E. Mons. Bernard Fellay, acolheu o pedido formulado novamente por esse Prelado em uma carta de 15 de Dezembro de 2008, também em nome dos outros três bispos da Fraternidade, S.E. Mons. Bernard Tissier de Mallerais, S.E. Mons. Richard Williamson e S.E. Mons. Alfonso del Gallareta, de revogar a excomunhão em que incorreram vinte anos atrás.

Por causa, realmente, da consagração episcopal feita, em data de 30 de junho de 1988, por S.E. Mons. Marcel Lefebvre, sem mandato pontifício, os quatro mencionados prelados incorreram em excomunhão latae sententiae, formalmente declarada pela Congregação para os Bispos, em data de 1 de Julho de 1988.

S.E. Mons. Bernard Fellay, na citada missiva, manifestava claramente ao Santo Padre que: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

Sua Santidade Bento XVI, que tem acompanhado desde o início este processo, sempre procurou recompor a fratura com a Fraternidade, também se encontrou pessoalmente com S.E. Mons. Bernard Fellay em 29 de agosto de 2005. Naquela ocasião, o Sumo Pontífice manifestou a vontade de proceder por graus e em prazo razoável em tal caminho, e agora, benignamente, com solicitude pastoral e paterna misericórdia, mediante decreto da Congregação para os Bispos de 21 de Janeiro de 2009, revoga a excomunhão que pesava sobre os mencionados prelados. O Santo Padre foi inspirado nessa decisão na esperança que se chegue em breve à completa reconciliação e à plena comunhão.

Fonte: http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/23250.php?index=23250&lang=po

sábado, 24 de janeiro de 2009

Diálogo com anglicanos e metodistas continua apesar das dificuldades

O ano de 2008 foi importante em contatos bilaterais

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Continua, apesar das dificuldades, o difícil diálogo com as confissões anglicana e metodista. Assim confirma o encarregado do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Mark Langham, em artigos publicados esta semana pelo L'Osservatore Romano.

Estes artigos fazem parte de uma série publicada ao longo desta semana pelo jornal vaticano por ocasião da Semana de Oração pela unidade dos Cristãos, que concluirá no próximo domingo.

Langham explica que 2008 foi significativo em ambos os casos pelo estabelecimento de contatos de tipo informal com destacados membros das duas confissões.

No caso dos anglicanos, explica, foi muito significativa a participação de uma delegação católica, encabeçada pelo cardeal Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos, na Conferência de Lambeth, o encontro que reúne a Comunhão Anglicana a cada dez anos.

Esta participação foi muito importante, dado que o diálogo entre as duas confissões se havia praticamente congelado em 2003, ao ter sido nomeado bispo da Igreja Episcopaliana de New Hampshire (EUA) um candidato abertamente homossexual. Esta decisão havia provocado também uma forte ruptura interna na Comunhão Anglicana.

Em Lambeth, explica Langham, o cardeal Kasper «pôde falar francamente sobre o doloroso impacto que este e outros acontecimentos (a ordenação de mulheres) provocaram no diálogo ecumênico». Outras intervenções trataram também sobre a questão ecumênica, ainda que inicialmente não era o tema da conferência.

Ainda que não tenham adotado resoluções ao respeito, explica Langham, isso foi importante frente às reuniões informais (informal talks) realizadas este ano, especialmente através do Centro Anglicano de Roma. Assegurar a unidade e a integridade da doutrina anglicana será o ponto fundamental que permitirá a reativação do diálogo oficial.

Com relação ao diálogo com os metodistas, Langham explica que durante este ano «continuaram os encontros cordiais», e assinalou especialmente o que aconteceu em novembro, em Dublin, entre o reverendo Geoffrey Wainwright e Dom Michael Ernest Putney, bispo católico de Townsville (Austrália).

Nesse encontro se aprovou o documento conjunto Together in Holliness (Juntos em santidade), que explica os passos dados durante os 40 anos de duração do diálogo metodista-católico. Apesar dos grandes desencontros em matéria doutrinal, ambas as partes se preparam para enfrentar uma nova etapa, de elaboração de um documento conjunto que será apresentado ao Conselho Metodista Mundial em sua próxima reunião de Durban (Austrália), em 2011.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Três erros sobre a oração pelos judeus em latim da Sexta-Feira Santa 2008

Declaração do Pe. Remaud, especialista em estudos hebreus

ROMA, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A oração pelos judeus da Sexta-Feira Santa segundo o rito de João XXIII, não diz «oremos pela conversão dos judeus» mas «oremos pelos judeus», aponta a ZENIT o Pe. Michel Remaud, diretor do Instituto Cristão de Estudos Judeus e de Literatura Hebraica de Jerusalém.

Por ocasião do Oitavário pela Unidade dos Cristãos, de 18 a 25 de janeiro, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) havia instituído uma jornada de diálogo com o judaísmo em 17 de janeiro. Os rabinos italianos não participaram, devido à aprovação por parte do Papa desta oração.

O texto do Ofício de Paixão da Sexta-feira Santa em latim, autorizado para seu uso «extraordinário» por Bento XVI, que se usou pela primeira vez na oração universal da Sexta-feira Santa de 2008, não diz «Oremus pro conversione Judaeorum» mas «Oremus et pro Judaeis», após a supressão de «perfidis», há quase cinquenta anos, pelo Papa Angelo G. Roncalli.

«Em um terreno tão delicado», como é o das relações entre cristãos e judeus, o Pe. Remaud recomenda «ser rigorosos».

Para o Pe. Remaud, a questão é a seguinte: «o cristão que expressa sua fé utilizando as fórmulas do Novo Testamento deve ser acusado de vontade de conversão quando dialoga com os judeus?».

Também, o especialista considera que é importante ter em conta os elementos litúrgicos do debate. Neste sentido, afirma, os jornais com frequência comentaram três erros.

Não é uma questão ligada à missa em latim

Antes de tudo, não é uma questão ligada à «missa em latim», pois a missa em latim também se celebra segundo o rito posterior ao Concílio Vaticano II, aprovado por Paulo VI.

É uma versão que se usa muito nas assembléias internacionais, em Lourdes e em Roma, por exemplo. Não se trata, portanto, de eleger entre a «missa em latim» ou a língua vernácula. Este é um alarme falso, declara.

«Para denominar o rito anterior à reforma de 1969 – sublinha o Pe. Remaud –, os jornalistas criaram a expressão, cômoda mas inadequada, de "missa em latim"».

Na realidade, adverte, o que distingue o antigo rito não é o uso do latim, porque o missal promulgado em aplicação da reforma conciliar está redigido originalmente em latim, e se usa contemporaneamente às suas traduções em línguas vivas».

Não é uma questão ligada à missa

Tampouco é um problema de «missa», acrescenta, porque na Sexta-feira Santa não se celebra a «missa», mas o Ofício da Paixão. Portanto, trata-se de outro alarme falso.

Quando não se celebra a «missa», a liturgia introduz, entre outras, uma oração por nossos «irmãos mais velhos», segundo a fórmula de João Paulo II, na sinagoga de Roma, em 13 de abril de 1986.

«É uma oração ‘universal’, por toda a humanidade – explica o especialista. O ofício próprio desse dia inclui uma longa série de orações nas quais se encomendam a Deus todas as categorias de crentes (também os não crentes) que integram a humanidade», precisa o Pe. Remaud.

E acrescenta que «até 1959 se rezava, entre outras intenções, em latim, ‘pro perfidis judaeis’. Mas, inclusive depois da supressão feita por João XXIII do adjetivo ‘pérfidos’, a oração continuou empregando fórmulas que se podiam considerar prejudiciais aos judeus».

«Pérfidos» não tinha em latim o sentido pejorativo que depois assumiu nas línguas vernáculas. Procede literalmente de «per» e «fides», ou seja, o que persiste ou permanece em sua fé.

A fórmula «caiu em desuso alguns anos depois, com a promulgação do missal chamado ‘de Paulo VI’», em parte, por causa do pejorativo significado que a fórmula assumiu.

Assim, a autorização de Bento XVI para utilizar este antigo missal com a fórmula emendada se usou pela primeira vez na liturgia do Ofício de Paixão da Sexta-Feira Santa de 2008.

João Paulo II, em 1984, autorizou o uso do antigo missal para os seguidores do arcebispo Marcel Lefebvre que haviam retornado à comunhão com Roma.

A antiga fórmula, portanto, foi usada durante 24 anos por algumas comunidades católicas sem que ninguém protestasse, sublinha o Pe. Remaud.

O «motu próprio» Ecclesia Dei remete, com efeito, à carta Quattuor Abhinc Annos, que diz claramente: «O soberano pontífice, desejando satisfazer estes grupos, oferece aos bispos diocesanos a faculdade de usar um indulto, para permitir aos sacerdotes e aos fiéis enumerados explicitamente no pedido apresentado a seus bispos, celebrar a Missa usando o Missal Romano editado oficialmente em 1962», observando quatro normas, entre elas que «esta celebração deverá fazer-se seguindo o Missal Romano de 1962 em latim».

Antes de dar sua autorização, Bento XVI pediu outra modificação, «proibindo inclusive a quem usa a título excepcional o missal anterior ao Concílio, tornar a utilizar já estas expressões».

«Paradoxalmente – faz notar o especialista –, é justamente a decisão de corrigir uma fórmula, julgada inaceitável e utilizada por um número muito restringido de católicos [uma vez ao ano], o que suscitou toda esta indignação.»

Não existe a palavra conversão

Há um último alarme falso surgido no debate em torno da oração: a palavra «conversão».

O Pe. Remaud destaca que «todo o debate suscitado por esta decisão se concentrou em uma palavra que não aparece no texto, ‘conversão’», e que «pedir a Deus que ilumine os corações é uma coisa, e pressionar as pessoas para tentar convencê-las é outra. A diferença é mais que de matiz».

Por isso, propõe este questionamento «mais fundamental»: se o cristão considera Jesus como «o Salvador de todos os homens» e expressa esta convicção em sua liturgia, pode-se impedir seu diálogo com quem não compartilha sua fé?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Papa convida cristãos a trabalharem pelo ecumenismo

«A unidade está conectada com a própria missão da Igreja no mundo»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI interrompeu nesta quarta-feira o ciclo de catequeses que vem realizado sobre a vida e os ensinamentos do apóstolo São Paulo e dedicou a audiência de hoje a falar sobre o diálogo ecumênico, dada a coincidência com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

O Papa dedicou a catequese de hoje a refletir sobre a passagem de Ezequiel que se escolheu como lema desta semana e na qual o profeta toma os lenhos, símbolo do Israel dividido, para realizar uma profecia sobre sua reunião futura.

Em primeiro lugar, destacou que a questão da unidade dos cristãos não é secundária, mas que «está conectada com a vida e a própria missão da Igreja no mundo», como o próprio Cristo assinalou na Última Ceia.

A Igreja, afirmou, «deve viver uma unidade que só pode derivar de sua unidade com Cristo, com sua transcendência, como sinal de que Cristo é a verdade. Esta é nossa responsabilidade: que seja visível para o mundo o dom de uma unidade em virtude da qual nossa fé se torne crível».

Por isso, convidou reiteradamente os cristãos a que tomem «consciência da urgência de trabalhar de todas as formas possíveis para chegar a este grande objetivo».

Contudo, esta unidade plena necessita como condição prévia a «purificação» dos cristãos dos «elementos estranhos à fé» e uma «maior fidelidade à vocação de Deus».

«Na dispersão entre os gentios, os israelenses haviam conhecido cultos errôneos, haviam assimilado concepções de vida equivocadas, haviam assumido costumes alheios à lei divina», explicou o Papa. «A esta renovação devemos estar abertos também nós, porque também nós, dispersos entre os povos do mundo, aprendemos costumes muito distantes da Palavra de Deus.»

«O ecumenismo verdadeiro não existe sem a conversão interior, porque o desejo da unidade nasce e amadurece na renovação da mente, na abnegação de si mesmo e no exercício pleno da caridade», acrescentou.

Passos realizados

O Papa assinalou também os «importantes gestos e passos» levados a cabo no caminho ecumênico.

«As relações entre as Igrejas e os diálogos teológicos continuaram dando sinais de convergências espirituais alentadoras», afirmou.

Por outro lado, destacou a transcendência das visitas de bispos e patriarcas ortodoxos e orientais a Roma, e especialmente a participação no passado Sínodo do patriarca ecumênico Bartolomeu I.

Também manifestou sua proximidade ao Patriarcado de Moscou, pela morte de Alexis II e a próxima eleição de seu sucessor.

Com relação às Comunhões Cristãs do Ocidente, o pontífice assinalou que «prossegue o diálogo sobre o importante testemunho que os cristãos devem dar hoje de forma concorde, em um mundo cada vez mais dividido e enfrentado tantos desafios de caráter cultural, social, econômico e ético».

Por último, o Papa convidou a tomar como modelo o apóstolo São Paulo, especialmente «seu anseio e dedicação ao único Senhor e à unidade de seu Corpo místico, a Igreja».

«Seguindo seu exemplo e contando com sua intercessão, que cada comunidade cresça no empenho da unidade, graças às diversas iniciativas espirituais e pastorais e às assembléias de oração comum, que costumam ser mais numerosas e intensas nesta ‘Semana’, fazendo-nos já saborear antecipadamente, de certa forma, o gozo da unidade plena», concluiu.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

«Humanae Vitae»: profecia científica

O presidente dos métodos católicos denuncia os perigos da pílula anticoncepcional

Por Antonio Gaspari

ROMA, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Apesar de ter sido publicada há 40 anos, a encíclica Humanae Vitae ainda suscita um forte debate. Para alguns, inclusive dentro da Igreja Católica, trata-se de um texto inadequado aos tempos e insuficiente nas respostas, enquanto outros sustentam que se trata de uma encíclica «profética».

Para estes últimos, o Papa Paulo VI fez bem em advertir contra o uso de anticoncepcionais, já que estes são perigosos para a saúde da mulher e para a relação dentro do casal.

Neste contexto, o doutor espanhol José María Simón Castellví, presidente da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC), anunciou um texto em 4 de janeiro passado, com o título «40 anos depois da Encíclica Humanae Vitae, do ponto de vista médico», no qual se ilustram todos os problemas relativos à saúde da mulher, à contaminação ambiental e ao enfraquecimento e banalização das relações de casal que a pílula contraceptiva provocou.

Sobre esta questão, o dr. Simón Castellví concedeu esta entrevista à Zenit.

– Os críticos da Humanae Vitae sustentam que os anticoncepcionais trouxeram a emancipação feminina, progresso, saúde médica e ambiental. Mas segundo o informe da FIAMC, isso não é verdade. Pode explicar-nos por quê?

– Simón Castellví: Os anticoncepcionais não são um verdadeiro progresso nem para as mulheres nem para o planeta. Compreendo e sou solidário com as mulheres que deram a vida a muitos filhos, mas a solução não está na contracepção, e sim na regulação natural da fertilidade. Esta respeita os homens e as mulheres. O estudo que apresentamos é científico e nos diz que a pílula é contaminadora e em muitos casos anti-implantatória, ou seja, abortiva.

– O estudo sustenta de fato que a pílula denominada anovulatória, a mais utilizada, que tem como base doses de hormônios de estrogênio e progesterona, funciona em muitos casos com um verdadeiro efeito anti-implantatório. É verdade?

– Simón Castellví: É verdade. Atualmente, a pílula anticoncepcional denominada anovulatória funciona em muitos casos com um verdadeiro efeito anti-implantatório, ou seja, abortivo, porque expele um pequeno embrião humano. E o embrião, inclusive em seus primeiros dias, é um pouco diferente de um óvulo ou célula germinal feminina. Sem essa expulsão, o embrião chegaria a ser um menino ou menina.

O efeito anti-implantatório destas pílulas está reconhecido na literatura científica. Os investigadores o conhecem, está presente nos prospectos dos produtos farmacêuticos dirigidos a evitar uma gravidez, mas a informação não chega ao grande público.

– O estudo em questão sustenta que a grande quantidade de hormônios no ambiente tem um efeito grave de contaminação meio-ambiental que influi na infertilidade masculina. Você poderia nos explicar por quê?

– Simón Castellví: Os hormônios têm um efeito nocivo sobre o fígado, e depois se dispersam no ambiente, contaminando-o. Durante anos de utilização das pílulas anticoncepcionais se verteram toneladas de hormônios no ambiente. Diversos estudos científicos indicam que isso poderia ser um dos motivos do aumento da infertilidade masculina. Pedimos que se façam pesquisas mais precisas sobre os efeitos contaminadores desses hormônios.

– O estudo elaborado pela FIAMC retoma as preocupações expressas em 29 de julho de 2005 pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (International Agency for Research on Cancer), a agência da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual os preparados orais de combinados de estrogênio e progesterona podem ter efeitos cancerígenos. Você poderia ilustrar-nos a gravidade destas implicações?

– Simón Castellví: É grave que se esteja distribuindo um produto não indispensável para a saúde e que poderia ser cancerígeno. Esta não é uma opinião dos médicos católicos, mas da Agência da OMS que luta contra a difusão do câncer. Nós só citamos suas preocupações ao respeito.

– Você e a associação que você representa sustentam que a Humanae Vitae foi profética ao propor os métodos naturais de regulação da fertilidade. Pode explicar-nos por quê?

– Simón Castellví: O Papa Paulo VI foi profético também do ponto de vista científico. Com essa encíclica, ale alertou sobre os perigos da pílula anticoncepcional, como o câncer, a infertilidade, a violação dos direitos humanos, etc. O Papa tinha razão e muitos não quiseram reconhecer isso. Quando se trata de regular a fertilidade, são muito melhores os métodos naturais, que são eficazes e respeitam a natureza da pessoa.

– Em um artigo publicado pelo L'Osservatore Romano L'Humanae vitae. Una profezia scientifica», 4 de janeiro de 2009), você sustenta que os métodos anticoncepcionais violam os direitos humanos. Pode precisar-nos por quê?

– Simón Castellví: No 60º aniversário da Declaração dos Direitos do Homem se pode demonstrar que os meios anticoncepcionais violam pelo menos cinco importantes direitos:

O direito à vida, porque em muitos casos se trata de pílulas abortivas, e cada vez se elimina um pequeno embrião.

O direito à saúde, porque a pílula não serve para curar e tem efeitos secundários importantes sobre a saúde de quem a utiliza.

O direito à informação, porque ninguém informa sobre os efeitos reais da pílula. Em particular, não se adverte sobre os riscos para a saúde e a contaminação ambiental.

O direito à educação, porque poucos explicam como se praticam os métodos naturais.

O direito à igualdade entre os sexos, porque o peso e os problemas das práticas anticoncepcionais recaem quase sempre sobre a mulher.

– A Humanae vitae sustenta que os anticoncepcionais influenciam negativamente na relação do casal, separando o ato de amor da procriação. Você poderia explicar-nos, como homem de ciência, esta afirmação?

– Simón Castellví: A relação entre os esposos deve ser de total confiança e amor. Excluir com meios impróprios a possibilidade da procriação prejudica a relação de casal. O doar-se um ao outro deveria ser total e enriquecer-se pela capacidade da transmissão da vida.

– Substancialmente, a Humanae vitae é um documento que une e reforça os casais; por que então tantas críticas?

– Simón Castellví: Muitas das críticas foram sugeridas pelos interesses econômicos que estão por trás da venda da pílula. Outras críticas surgem daqueles que querem reduzir e selecionar a fertilidade e o crescimento demográfico. Finalmente, as críticas procedem também daqueles que querem limitar a autoridade moral da Igreja Católica.

– O que teria acontecido se a Igreja não tivesse se oposto à difusão da pílula?

– Simón Castellví: Não quero sequer pensar nisso. Só considerando o efeito abortivo das pílulas, a própria Igreja Católica seria hoje menos numerosa. Posso compreender o pensamento de milhões de mulheres que usam a pílula, mas quero sugerir que existe uma antropologia melhor para elas, a que a Igreja Católica propõe.

domingo, 21 de dezembro de 2008

VS-Media

É com imensa alegria que neste natal presenteamos nossos leitores com mais um projeto, o VS-Media ou Veritatis Splendor - Media.

O subsite do Apostolado Veritatis Splendor é destinado à divulgação de vídeos, áudios, fotos, imagens, programas etc; enfim todo tipo de mídia que venham a edificar a vida de nossos leitores visando em sua caminhada na Fé Católica.

O endereço do site é http://media.veritatis.com.br.

Esperamos que gostem deste nosso novo trabalho.

Equipe Veritatis Splendor