sexta-feira, 16 de maio de 2008

Mercado da Fé

Roteiro e Arte: Emerson H. de Oliveira

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Como e por que Igreja reconhece aparições de Nossa Senhora

Declaração após a aprovação oficial das aparições de Laus (França)

ROMA, quarta-feira, 14 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Em 4 de maio passado, durante uma missa celebrada na cidade dos Alpes franceses de Laus, o bispo de Gap, Dom Jean-Michel di Falco, notificou a aprovação oficial da Igreja das aparições da Virgem Maria a Benôite Rencurel, de 17 anos, entre 1664 e 1718.

Entre os assistentes, estava o cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, o cardeal Sergio Sebastiani, presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé, o cardeal Jorge Maria Mejía, arquivista e bibliotecário emérito do Estado da Cidade do Vaticano, o bispo Renato Boccardo, secretário-geral do Estado da Cidade do Vaticano, e outros cardeais, bispos e abades franceses, e o núncio apostólico na França, o arcebispo Fortunato Baldelli.

Dom di Falco recordou que estas são as primeiras aparições marianas reconhecidas oficialmente no século XXI pela Igreja na França e pela Santa Sé. É a primeira vez que um acontecimento tão singular ocorre desde as aparições de Lourdes, em 1862.

Dom di Falco recordou que «ninguém está obrigado a crer nas aparições, inclusive naquelas reconhecidas oficialmente; mas se são uma ajuda em nossa fé e em nossa vida diária, por que rejeitá-las?».

O santuário de Nossa Senhora de Laus atrai cerca de 120 mil peregrinos por ano.

A partir do reconhecimento das aparições, o Pe. Salvatore M. Perrella, especialista professor de Dogmática e Mariologia na Pontifícia Faculdade Teológica Marianum, em Roma, declarou os critérios que a Igreja utiliza para determinar a legitimidade das aparições marianas.

Em um artigo publicado em «L’Osservatore Romano», explica a diferença entre visão e aparição. A primeira é de índole espiritual, enquanto que a segunda é de ordem física, ou seja, que existe a experiência real e sensível de quem aparece.

Atualmente, pede-se «ao bispo diocesano, ao arcebispo metropolitano – em tempos mais recentes às conferências episcopais do território – e ao Papa o discernimento sobre a veracidade dos fatos apresentados».

Indicou que «a Congregação para a Doutrina da Fé, depois de quatro anos de estudo desde novembro de 1974, redigiu, em 25 de fevereiro de 1978, um documento interno e super secreto, com a assinatura do cardeal prefeito Franjo Seper, para ser utilizado pelas autoridades eclesiásticas competentes que leva por título Normae S. Congregationis pro Doctrina Fidei de modo procedendi in iudicandis praesumptis apparitionibus ac revelationibus (Normas da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o modo de proceder para julgar as supostas aparições e revelações)».

O especialista assinalou que este dicastério vaticano estabelece que para proceder com a verificação, é preciso obter «informação precisa sobre os fatos sob observação e a reunião de testemunhas dos sinais de fé, exame da mensagem sujeita no fato sobrenatural, que não deve estar contra a fé cristã, diagnóstico médico-psicológico para garantir a saúde e a normalidade do vidente, e também para descartar a possibilidade de fenômenos alucinatórios; nível de educação do vidente, seu conhecimento da doutrina, sua vida espiritual, seu grau de comunhão eclesial, frutos espirituais, como o retorno da fé dos afastados; moralidade e eclesialidade da existência, cooperação na evangelização do mundo, cultura e costume, eventuais curas milagrosas que se recebem em razão da referida revelação privada, o juízo da Igreja».

Após minuciosos exames dos fatos referidos a uma aparição, disse o sacerdote, a Igreja «aprovou, durante o curso da história, aparições de 295 propostas para sua indagação, entre as quais a 12ª é a referida a Nossa Senhora de Laus».

«Uma vez verificadas e autenticadas pela autoridade eclesiástica, as manifestações extraordinárias consentem a liberdade de adesão, porque a fé se presta só à revelação pública de Deus concluída com a morte do último dos Apóstolos», precisou o especialista italiano.

Após explicar que as aparições são uma graça «dada gratuitamente do Céu», o Pe. Perrella recordou que se estas ajudam a aumentar a fé das pessoas, «não amplificam a Revelação dada com a Sagrada Escritura à Igreja, mas ajudam a torná-la atual em um determinado momento».

terça-feira, 13 de maio de 2008

Bento XVI faz balanço das relações entre Santa Sé e Israel

No discurso ao novo embaixador desse país

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 12 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI dirigiu nesta segunda-feira ao novo embaixador de Israel ante a Santa Sé, Mordechay Lewy.

* * *

Excelência:

Com alegria dou-lhe as boas-vindas no início de sua missão e apresentação das cartas que o acreditam como embaixador extraordinário e plenipotenciário do Estado de Israel na Santa Sé. Agradeço-o por suas amáveis palavras e peço-lhe que transmita ao presidente Shimon Peres minhas respeitosas saudações e minhas orações pelas pessoas de seu país.

Mais uma vez, transmito meus melhores desejos por ocasião da celebração dos 60 anos do estabelecimento do Estado de Israel. A Santa Sé se une ao senhor na ação de graças ao Senhor pelo fato de que se tenham cumprido as aspirações do povo judeu a ter uma casa na terra de seus pais, e espera poder ver logo um tempo de maior regozijo, quando uma paz justa resolva finalmente o conflito com os palestinos. A Santa Sé valoriza particularmente suas relações com Israel, estabelecidas há 15 anos, busca desenvolvê-las, fortalecendo o respeito, a estima e a colaboração que nos une.

Entre o Estado de Israel e a Santa Sé há numerosas áreas de interesses mútuo que podem ser exploradas com proveito. Como o senhor assinalou, a herança judaico-cristã deverá inspirar-nos para promover múltiplas formas de atividades sociais e humanitárias em todo o mundo, entre outras, lutando contra toda forma de discriminação étnica. Compartilho o entusiasmo de sua excelência pelos intercâmbios culturais e acadêmicos levados a cabo entre as instituições católicas de todo o mundo e as da Terra Santa, e eu também desejo que estas iniciativas se desenvolvam ainda mais nos próximos anos.

O diálogo fraterno que acontece no âmbito internacional entre judeus e cristãos está dando muito fruto e tem de continuar com compromisso e generosidade. As cidades santas de Roma e Jerusalém são importantíssimas fontes de fé e sabedoria para a civilização ocidental e, por conseguinte, os laços entre Israel e a Santa Sé têm uma ressonância mais profunda que os derivados formalmente da dimensão jurídica dos mesmos.

Excelência, sei que o senhor compartilha minha preocupação pela alarmante diminuição da população cristã no Oriente Médio, incluindo Israel, por causa da emigração. Certamente, os cristãos não são os únicos que sofrem os efeitos da insegurança e da violência como resultado dos diferentes conflitos na região, mas em muitos aspectos são particularmente vulneráveis nestes momentos.

Rezo para que, como conseqüência da crescente amizade entre Israel e a Santa Sé, encontrem formas para tranqüilizar a comunidade cristã de maneira que recobre esperança em um futuro seguro e pacífico em seus lares ancestrais, sem sentir a pressão de ter de emigrar a outros lugares do mundo para edificar novas idéias.

Os cristãos na Terra Santa desfrutaram há muito tempo de boas relações tanto com os muçulmanos como com os judeus. Sua presença em seu país e o livre exercício da missão e a vida da Igreja nele representam um potencial para contribuir significativamente a cicatrizar a separação entre ambas comunidades. Rezo para que assim seja e convido seu governo a continuar explorando caminhos para aproveitar a boa vontade dos cristãos, seja a favor dos descendentes naturais do povo que escutou em primeiro lugar a Palavra de Deus, seja a favor de nossos irmãos e irmãs muçulmanos, que há séculos vivem e praticam o próprio culto na terra que as três tradições religiosas definem como «santa».

Percebo que as dificuldades dos cristãos na Terra Santa estão também ligadas à tensão contínua entre as comunidades judaicas e palestinas. A Santa Sé reconhece o direito legítimo de Israel à segurança e à própria defesa e condena firmemente qualquer forma de anti-semitismo. Também sustenta que todos os povos têm direito a que lhes sejam concedidas as mesmas oportunidades para desenvolver-se. Portanto, peço a seu governo que faça todos os esforços possíveis para aliviar as dificuldades que a comunidade palestina sofre, dando-lhe a liberdade necessária para levar a cabo suas atividades legítimas, incluindo o acesso a seus lugares de culto, para que desfrutem de uma maior paz e segurança.

Obviamente, estes temas só podem ser tratados no contexto mais amplo do processo de paz no Oriente Médio. A Santa Sé acolhe o compromisso expressado por seu governo de continuar com o impulso que se voltou a ativar em Anápolis e reza para que as esperanças e as expectativas suscitadas naquela sede não sejam decepcionadas. Como observei em meu recente discurso nas Nações Unidas, em Nova York, é necessário percorrer todo caminho diplomático e prestar atenção «aos mais tênues sinais de diálogo de reconciliação», se querem resolver os conflitos. Quando todas as pessoas da Terra Santa viverem em paz e harmonia, em dois estados soberanos independentes, o benefício para a paz do mundo será inestimável e Israel será realmente «luz entre as nações» [o Papa escreveu esta expressão em caracteres hebraicos que não podemos transcrever por razões técnicas, N. do T.] (Isaías 42, 6), um luminoso exemplo de resolução de conflitos que o resto do mundo poderá seguir.

Muito trabalho foi dedicado a formular os acordos que desde então foram assinados por Israel e a Terra Santa e é de desejar que as negociações relativas a questões econômicas e fiscais consigam logo uma conclusão satisfatória. Obrigado por suas palavras tranqüilizadoras sobre o compromisso do governo de Israel por uma solução positiva e rápida dos problemas que ainda ficam por resolver. Sou consciente de que falo em nome de muitos quando expresso a esperança de que estes acordos possam ser integrados logo no sistema jurídico interno israelense e fixar assim o fundamento duradouro para uma cooperação fecunda.

Dado o interesse pessoal que sua excelência tem pela situação dos cristãos na Terra Santa, e que é sumamente valorizado, sei que compreende as dificuldades causadas pelas contínuas incertezas sobre seus direitos e status legal, em particular a propósito da questão dos vistos do pessoal eclesiástico. Estou certo de que fará tudo o que puder para facilitar a resolução dos demais problemas de uma maneira aceitável para todas as partes em causa. Só quando estas dificuldades forem superadas, a Igreja poderá desenvolver livremente suas obras religiosas, morais, educativas e caritativas na terra na qual nasceu.

Excelência, rezo para que a missão diplomática que começa hoje reforce ulteriormente os vínculos de amizade entre a Santa Sé e seu país. Pode estar seguro de que os diferentes dicastérios da Cúria Romana estarão sempre dispostos a oferecer-lhe ajuda e apoio no cumprimento de seus deveres. Com meus melhores desejos, invoco para o senhor, para sua família e para todo o povo do Estado de Israel as abundantes bênçãos de Deus.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]

Falece «uma das mais heróicas salvadoras católicas do holocausto»

Irena Sendler salvou a vida de 2.500 crianças judias

VARSÓVIA, segunda-feira, 12 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Irena Sendler, conhecida como «o anjo do Gueto de Varsóvia» por ter salvado do Holocausto 2.500 crianças judias, faleceu nesta segunda-feira em Varsóvia, aos 98 anos.

Irena era uma assistente social polonesa que organizou e dirigiu um grupo de mais de 20 pessoas para salvar da morte certa as crianças nesse bairro da capital polonesa sob a ocupação nazista. Como ela explicou depois, pôde realizar este trabalho graças à ajuda de religiosas polonesas.

A Fundação Internacional Raoul Wallenberg, uma organização não-governamental educativa internacional, fundada pelo argentino Baruj Tenembaum, que analisou e documentou numerosos casos de salvadores do Holocausto, em declarações à Zenit qualificou Sendler como «uma das mais heróicas salvadoras católicas do Holocausto».

Esta fundação com sede em Jerusalém, Nova York e Buenos Aires, recorda que este trabalho levou Irena a suportar a tortura na prisão nazista e uma condenação à morte que para sua sorte não foi executada.

Irena Sendler nasceu na Polônia em 1910. Quando a Alemanha invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia que era responsável pelos refeitórios da cidade.

Lá trabalhou incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhares de pessoas, tanto judias como católicas. Graças a ela, estes refeitórios não só proporcionavam comida para órfãos, anciãos e pobres, mas também entregavam roupa, medicamentos e dinheiro.

Para evitar as inspeções, registrava as pessoas sob nomes católicos fictícios ou as inscrevia como pacientes de doenças muito contagiosas, como o tifo e a tuberculose.

Mas em 1942, com a designação de uma área fechada para alojar os judeus, conhecida como o «Gueto de Varsóvia», as famílias só podiam esperar uma morte certa.

Irena se uniu ao Conselho para a Ajuda de Judeus, organizado pela resistência polonesa, explica a Fundação Wallenberg em sua biografia enviada à Zenit. Conseguiu obter um passe do Departamento de Controle Epidêmico de Varsóvia para poder ingressar ao gueto em forma legal. Persuadir os pais de separar-se de seus filhos era um trabalho horroroso para uma jovem mãe como Irena. «pode assegurar que viverá?», Irena perguntava aos angustiados pais. Mas só podia garantir que morreriam se ficassem. «Em meus sonhos, ainda posso ouvi-los chorar quando deixavam seus pais», dizia depois.

Após a guerra, trabalhou para o bem-estar social; ajudou a criar casas para anciãos, orfanatos e um sérvio de emergência para crianças.

Em 1965 recebeu o título de Justa entre as Nações pela organização Yad Vashem de Jerusalém e em 1991 foi declarada cidadã honorária de Israel.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Papa concede indulgência plenária por ocasião do Ano Paulino

Segunda-feira, 12 de maio de 2008, 11h16


Rádio Vaticano

O Papa Bento XVI concedeu a indulgência plenária por ocasião do Ano Paulino, proclamado para celebrar os dois mil anos de nascimento de São Paulo. A Penitenciaria Apostólica publicou sábado o respectivo decreto, que abrange o período que vai de 28 de junho próximo até 29 de junho de 2009, a Solenidade dos Santos Pedro e Paulo.

Pode-se pedir a indulgência para si mesmo ou para os defuntos, visitando, em forma de peregrinação, a Basílica de São Paulo fora dos Muros, em Roma. São necessárias as habituais condições: a confissão, a comunhão e a oração segundo as intenções do Papa, praticadas com espírito de arrependimento e destacado de todo pecado, mesmo venial.

O decreto estabelece, ainda, que podem obter a indulgência plenária os fiéis das várias igrejas locais que, satisfeitas as exigências habituais, "participarem devotamente numa função sacra ou num piedoso exercício publicamente realizados em honra do Apóstolo dos Gentios, nos dias da abertura solene e do encerramento do Ano Paulino, em todos os lugares sagrados, e noutros dias determinados pelo Bispo local, nos lugares sagrados intitulados a São Paulo, e, para a utilidade dos fiéis, noutros lugares designados pelo mesmo Bispo".

A indulgência plenária é concedida também aos fiéis que, "impedidos por doença ou outra causa legítima e relevante" e com o propósito de satisfazer as habituais condições tão cedo quanto possível, se unirem espiritualmente a uma celebração jubilar em honra a São Paulo, oferecendo a Deus as suas orações e sofrimentos pela unidade dos cristãos.

domingo, 11 de maio de 2008

Igreja, unidade na diversidade; explica Bento XVI em Pentecostes

Convertendo-se assim em mensageira da paz de Cristo ao mundo

CIDADE DO VATICANO, domingo, 11 de maio de 2008 (ZENIT.org).- A Igreja constitui uma unidade na diversidade, chamada a transmitir a verdadeira paz de Cristo a toda a humanidade, assegurou Bento XVI na solenidade de Pentecostes.

Assim explicou o Santo Padre durante a homilia da celebração eucarística deste domingo, presidida em uma Basílica de São Pedro do Vaticano cheia de peregrinos, na qual declarou que a Igreja não é «uma federação de Igrejas».

Como explicou o pontífice comentando as escrituras da liturgia, a Igreja teve seu «batismo de fogo» na vinda do Espírito Santo sobre os discípulos, reunidos junto com a Virgem Maria em Jerusalém.

«Em Pentecostes a Igreja não fica constituída pela vontade humana, mas pela fortaleza do Espírito de Deus. E imediatamente pode-se ver que este Espírito dá vida a uma comunidade que é ao mesmo tempo única e universal, superando assim a maldição de Babel», assegurou.

Multiplicidade e unidade

«De fato, só o Espírito Santo - sublinhou -, que cria unidade no amor e na recíproca aceitação das diversidades, pode libertar a humanidade da constante tentação de uma vontade de potência que quer dominá-lo e uniformizá-lo totalmente».

O Papa quis deter-se em «um aspecto peculiar da ação do Espírito Santo», ou seja, na relação entre «multiplicidade e unidade».

Já em Pentecostes fica claro, disse, que «pertencem à Igreja os diferentes idiomas e culturas; na fé podem compreender-se e fecundar-se mutuamente», desde seu nascimento a Igreja «já é “católica, universal».

«Fala desde o início todos os idiomas, pois o Evangelho que se confiou está destinado a todos os povos, segundo a vontade e o mandato de Cristo ressuscitado».

«A Igreja que nasce em Pentecostes não é antes de tudo uma comunidade particular, a Igreja de Jerusalém, mas a Igreja universal, que fala os idiomas de todos os povos».

«Dela nascerão depois as demais comunidades em todas as partes do mundo, Igrejas particulares que são sempre expressão da única Igreja de Cristo».

«Portanto, a Igreja Católica não é uma federação de Igrejas, mas uma realidade única: a prioridade ontológica corresponde à Igreja universal - indicou -. Uma comunidade que não fosse neste sentido católica não seria nem sequer Igreja».

Vínculo de paz para a humanidade

Mas esta unidade não só deve ser vivida dentro da Igreja, mas tem de ser anunciada também «até os confins da terra».

Uma mensagem que Jesus ressuscitado pronuncia com a palavra hebraica «Shalom, paz a vós!».

«A expressão shalom não é uma simples saudação - declarou o bispo de Roma -; é muito mais: é o dom da paz prometida, conquistada por Jesus com o preço de seu sangue, é o fruto da vitória na luta contra o espírito do mal».

Em Pentecostes, o Papa pediu voltar a tomar consciência da «responsabilidade que implica este dom: responsabilidade da Igreja de ser constitucionalmente sinal e instrumento da paz de Deus para todos os povos».

«Tentei transmitir esta mensagem ao visitar recentemente a sede da ONU para dirigir minha palavra aos representantes dos povos», confessou.

«A Igreja realiza seu serviço à paz de Cristo sobretudo na presença e ação ordinária em meio dos homens, com a pregação do Evangelho e com os sinais de amor e de misericórdia que a acompanham», acrescentou.

E, entre estes sinais, sublinhou principalmente o serviço que a Igreja oferece ao ministrar o sacramento da Reconciliação.

«Que importante --infelizmente não suficientemente compreendido-- é o dom da Reconciliação, que pacifica os corações!», exclamou.

«A paz de Cristo se difunde só através de corações renovados de homens e mulheres reconciliados, servidores da justiça, dispostos a difundir no mundo a paz com a única força da verdade, sem rebaixar-se a compromissos com a mentalidade do mundo, pois o mundo não pode dar a paz de Cristo: deste modo a Igreja pode ser fermento dessa reconciliação que procede de Deus», concluiu.

sábado, 10 de maio de 2008

Patriarca Karekin II: Igreja católica e armênia juntas pelos direitos humanos

Ressurge a Igreja apostólica da primeira nação cristã da história

Por Mirko Testa

ROMA, sexta-feira, 9 de maio de 2008 (ZENIT.org).- A Igreja católica e a armênia, ainda que não tenham conseguido a unidade plena, têm o dever de unir cada vez mais seus esforços em defesa dos direitos humanos e da paz, disse nesta sexta-feira Sua Santidade Karekin II, patriarca supremo e catholicos de todos os armênios.

Em uma coletiva de imprensa, celebrada em Roma na sede da «Rádio Vaticano», poucas horas depois de ter sido recebido em audiência por Bento XVI, o chefe da Igreja Armênia sublinhou o ótimo estado de saúde das relações entre as duas Igrejas.

Lendo uma mensagem em inglês aos jornalistas presentes, o patriarca repassou brevemente a historia da Armênia, o primeiro país oficialmente cristão da história, e o primeiro em ter padecido um genocídio moderno no século XX, entre 1915 e 1922, nas mãos dos turcos.

Segundo algumas fontes, fala-se de um milhão e meio de vítimas, de dois milhões de deportados e de mais de 500 mil pessoas que tiveram que abandonar sua terra para fugir ao exterior.

Logo seu país experimentou a perseguição religiosa comunista em tempos da União Soviética, recuperando a independência em 1991, após a queda da cortina de ferro.

O catholicos considera que as relações entre católicos e cristãos armênios se encontram em um momento único na história.

«Esta visita minha acontece para reforçar a cálida atmosfera de amor e respeito que se formou entre nossas duas Igrejas.»

«O amor recebido de nosso Senhor Jesus Cristo traz muito fruto no campo do ecumenismo hoje. Fiéis aos pais da Igreja e à sua herança, apesar de nossas diferenças e características únicas, devemos dar mais importância ao que nos une.»

Nestes tempos de rápidas mudanças políticas, sociais e econômicas, amplificados pela globalização, acrescentou, «a consolidação de esforços e o trabalho em comum são um imperativo para as Igrejas cristãs».

«Só através da cooperação seremos capazes de servir melhor ao estabelecimento da paz no mundo e a uma melhor defesa dos direitos humanos, dos direitos das nações, das famílias, e das classes sociais que correm maior riscos.»

«A transfiguração da vida através dos valores do Evangelho deve ser nossa senda para a criação de um mundo próspero e virtuoso», concluiu.

A Igreja Apostólica Armênia faz parte das Igrejas chamadas com freqüência «do antigo oriente cristão», ou também «ortodoxas orientais», que se separaram de Roma e do resto do oriente cristão no Concílio de Calcedônia (ano 451). Fazem parte deste grupo além da Igreja copta, a etíope, a assíria, jacobita, e malankar.

Os apóstolos Tadeu e Bartolomeu prepararam o terreno para a conversão da Armênia ao cristianismo que aconteceu no ano 301, convertendo-se na primeira nação que adotou oficialmente a fé cristã como religião do Estado.

Um século depois, o monge Mesrop Mastoc inventou o alfabeto armênio para poder traduzir a Bíblia.