Mostrando postagens com marcador Papa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Papa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Papa confirma compromisso da Igreja contra antissemitismo

E exige reconhecer e condenar a Shoá

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI reconheceu nesta quinta-feira o horror do Holocausto e confirmou o compromisso da Igreja na luta contra o antissemitismo, ao receber uma delegação judaica procedente dos Estados Unidos.

«A Igreja está profunda e irrevogavelmente comprometida na rejeição de toda forma de antissemitismo e na construção de relações boas e duradouras entre nossas duas comunidades», disse-lhes o Papa ao dar-lhes as boas-vindas no Vaticano.

Seus hóspedes eram os membros da Conferência dos Presidentes das Maiores Organizações Judaicas Norte-Americanas, recebidos em audiência na Sala do Consistório do Vaticano.

O encontro serviu para superar qualquer dúvida sobre a posição do Papa e da Santa Sé sobre a Shoá, após as declarações de negação do bispo lefebvrista Richard Williamson.

«O ódio e o desprezo por homens, mulheres e crianças, manifestados na Shoá, foi um crime contra Deus e contra a humanidade», assegurou o Papa.

«Isso deveria ficar claro para todos, em particular para quem pertence à tradição das Sagradas Escrituras, segundo as quais todo ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus.»

«Não há dúvidas – assegurou – de que toda negação ou minimização deste terrível crime é intolerável e totalmente inaceitável.»

«Este capítulo terrível da nossa história não deve ser esquecido nunca», sentenciou.

O Papa sublinhou a importância de recordar aquela tragédia para «evitar que se repita uma catástrofe como esta na família humana».

«Meu fervoroso desejo é que a memória deste espantoso crime fortaleça nossa determinação por curar as feridas que durante tanto tempo mancharam as relações entre cristãos e judeus», confessou.

Neste sentido, recordando que estas relações em dois mil anos sofreram momentos dolorosos, o Papa sugeriu que «não temos que permitir que as dificuldades passadas nos impeçam de estender reciprocamente a mão da amizade».

«A declaração do Concílio Vaticano II Nostra Aetate foi um marco no caminho rumo à reconciliação e sublinhou claramente os princípios que orientam desde então a atitude da Igreja nas relações entre cristãos e judeus», sublinhou.

As palavras de saudação ao Papa foram dirigidas por Arthur Schneider, presidente da Fundação Appeal of Conscience, que havia acolhido o Papa na Sinagoga de Park East durante sua visita a Nova York, de abril passado.

«Como um sobrevivente do Holocausto, estes dias foram dolorosos e difíceis, ao confrontar-nos com a negação do Holocausto por parte de um bispo da Fraternidade de São Pio X», afirmou.

«As vítimas do Holocausto não nos deram o direito de perdoar os culpados nem os que negam o Holocausto. Obrigado por compreender nossa pena e angústia», concluiu.

Levantamento de excomunhões procura sanar um cisma, precisa Cardeal Castrillón



ROMA, 10 Fev. 09 / 06:02 pm (ACI).- O Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Cardeal Darío Castrillón Hoyos, precisou que o levantamento da excomunhão aos 4 bispos ordenados pelo arcebispo Marcel Lefebvre, procurava antes de mais nada sanar um cisma; e não tinha a intenção, em nenhum caso, de apoiar as teses negacionistas do bispo Williamson.

Em uma entrevista concedida a RCN, o Cardeal ressaltou, perguntado pela atual sitaução logo do levantamento das excomunhões aos 4 bispos lefebvristas, que "sempre tive a verdade como norma. O Santo Padre conhece isso. Nós continuamos adiante tratando de que se reconstrua esta unidade da Igreja e termine totalmente este cisma".

Seguidamente, o Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, criada por João Paulo II para o diálogo com os lefebvristas, precisou que "o importante neste momento é que o Papa parou um cisma. A caridade que Cristo queria que houvesse na Igreja se há notavelmente restabelecido e se abrem vias de esperança".

Ao mostrar seu rechaço às teses negacionistas de um destes 4 bispos, o britânico Richard Williamson, o Cardeal Castrillón assinalou que "o Santo Padre rechaça totalmente o que se fez na Alemanha contra o povo judeu. Não aceita nada que seja uma ofensa contra o povo judeu. Temos por eles amor. Não esquecemos nunca que Jesus era judeu, Maria era judia e os apóstolos eram judeus".

"Como todo homem honesto do mundo rechaçamos visceralmente o que ocorreu aí (no holocausto). Como cristão o rechaço e como católico me uno às teses de nossa Igreja, que pede que não se esqueça, para que a humanidade não repita atrocidades semelhantes", adicionou.

O Cardeal reiterou logo "o rechaço a toda forma de anti-semitismo e a asseveração histórica de que lamentamos os horrores do holocausto".

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15293

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Papa pede ao Brasil que defenda família e embrião

Adverte contra o risco do materialismo e da corrupção política

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI pediu nesta segunda-feira ao Brasil que «fomente e estenda os valores humanos fundamentais», especialmente «a santidade da vida familiar e a salvaguarda do não-nascido, desde o momento de sua concepção até o de seu término natural», em seu discurso ao novo embaixador do país, Luis Felipe de Seixas Corrêa.

Em um amplo discurso, o Papa elogiou os esforços do Brasil em sua luta por uma maior justiça social e pelo progresso, e reconheceu que «a política de redistribuição da renda interna facilitou um maior bem-estar entre a população».

O Papa centrou sua atenção em três campos: a defesa da família e da vida, a moralidade da vida pública e a colaboração entre a Igreja e o Estado.

Com relação à primeira questão, explicou que é necessário «reconhecer de forma explícita a santidade da vida familiar e a salvaguarda do não-nascido, do momento de sua concepção até o de seu término natural».

Destes princípios «que velam pela dignidade humana», o Brasil «sempre foi um defensor», afirmou.

O pontífice se referiu também às pesquisas com embriões, e recordou que «a Santa Sé continua promovendo incansavelmente a defesa de uma ética que não distorce, mas protege a existência do embrião e seu direito de nascer».

Por outro lado, expressou sua satisfação ao «considerar a convergência de princípios, tanto da Sé Apostólica como de seu governo, com relação às ameaças à paz no mundo, quando se vê afetada pela falta de visão do respeito ao próximo em sua dignidade humana».

«O recente conflito no Oriente Médio demonstra a necessidade de apoiar todas as iniciativas destinadas a resolver pacificamente as divergências, e faço votos para que seu governo prossiga nesta direção», acrescentou.

Moralidade pública

O segundo tema do discurso do Papa foi a pobreza, entendida não só como escassez material, mas sobretudo como pobreza moral.

Após elogiar os esforços do Brasil em sua luta contra a pobreza e «uma maior justiça social para o bem da população», advertiu sobre «o perigo do consumismo e do hedonismo».

Estes, «aliados à falta de sólidos princípios morais que guiem a vida dos cidadãos simples, torna vulnerável a estrutura da sociedade e da família brasileira».

O Papa insistiu na importância de uma formação moral «em todos os níveis, incluindo o político, diante das constantes ameaças geradas pelas ideologias materialistas hoje reinantes e, particularmente, da tentação da corrupção na gestão do dinheiro público e privado».

«Com este fim, o cristianismo pode proporcionar uma contribuição válida – como disse recentemente – por ser uma religião de liberdade e de paz, ao serviço do verdadeiro bem da humanidade», acrescentou.

Cooperação Igreja-Estado

O terceiro eixo do discurso do Papa foi a colaboração entre a Igreja e o Estado, que considera «de estreita amizade e frutífera parceria». O papa aludiu especialmente à importância dos acordos bilaterais recentemente assinados.

Neste acordo, assinalou, «define-se o estatuto jurídico civil da Igreja Católica no Brasil e se regulam as matérias de interesse mútuo entre ambas as partes, sinais significativos desta colaboração sincera que a Igreja deseja manter».

«Os objetivos, o da Igreja, em sua missão de natureza religiosa e espiritual, e o do Estado, ainda que diferentes, confluem em um ponto de convergência: o bem da pessoa humana e o bem comum da nação», acrescentou.

Neste sentido, o Papa expressou sua confiança em que o Acordo «facilite o livre exercício da missão evangelizadora da Igreja e fortaleça ainda mais sua colaboração como as instituições civis para o desenvolvimento integral da pessoa».

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Papa pede a lefebvristas reconhecer o Concílio Vaticano II

VATICANO, 28 Jan. 09 / 12:25 pm (ACI).- Depois do gesto de magnanimidade e misericórdia do Papa Bento XVI ao levantar a excomunhão dos 4 bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre, o Santo Padre solicitou aos lefebvristas aceitar o Concílio Vaticano II.

Ao concluir a Audiência Geral, Bento XVI se referiu ao decreto dado a conhecer no sábado 24 de janeiro no que se revoga a excomunhão aos "quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre sem mandato pontifício".

O Papa indicou que "realizei este ato de paterna misericórdia porque estes prelados me tinham manifestado várias vezes seu vivo sofrimento pela situação em que se encontravam".

Do mesmo modo, Bento XVI manifestou seu desejo de que "este meu gesto seja correspondido pelo compromisso solícito por parte deles de dar os ulteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja, testemunhando assim verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II".

Papa explica levantamento das excomunhões


http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=68692

Bento XVI explicou hoje a sua decisão de levantar as excomunhões aos quatro Bispos ordenados em 1988 por mons. Lefebvre, sem mandato pontifício, falando num “acto de misericórdia paterna”.

O Papa revelou na audiência geral desta Quarta-feira que espera agora, da parte dos destinatários desta decisão, “posteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja”.

Em particular, Bento XVI falou na necessidade de testemunharem “verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento pelo magistério e a autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II”.

Os Bispos em causa são D. Bernard Fellay, D. Bernard Tissier de Mallerais, D. Richard Williamson e D. Alfonso de Galarreta.

O Papa lembrou as palavras pronunciadas na Missa do seu início de ministério, em Abril de 2005, na qual falava do chamamento à unidade: “Alegremo-nos pela tua promessa, que não desilude, e façamos o possível para percorrer o caminho rumo à unidade, que tu prometeste. (...) Não permitas que a tua rede se rompa e ajuda-nos a ser servos da unidade”, repetiu hoje Bento XVI.

No “cumprimento específico deste ministério”, frisou o Papa, decidiu levantar as excomunhões porque “estes prelados manifestaram, repetidamente, o seu vivo sofrimento pela situação em que encontravam”.

Papa explica por que revogou excomunhão dos bispos lefebvristas

Augura que por parte deles «continue o empenho» de «chegar à plena comunhão com a Igreja»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa pessoalmente explicou hoje, durante a audiência geral, por que decidiu revogar a excomunhão dos bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre, tal como a Santa Sé deu a conhecer no sábado passado, 24 de janeiro.

Foi, explicou, um «ato de misericórdia paterna», em cumprimento do «serviço à unidade» próprio do «ministério do Sucessor de Pedro», e acrescentou que «espera um empenho» por parte destes bispos «para chegar à plena comunhão».

Ao término da audiência geral, e em meio às saudações aos diferentes grupos de peregrinos reunidos na Sala Paulo VI, o próprio Papa leu três comunicados, o primeiro sobre a eleição do novo patriarca de Moscou.

No segundo, o Papa se referiu à revogação da excomunhão dos quatro bispos, recordando algumas palavras da primeira homilia de seu pontificado, nas quais afirmou que é «explícito» dever do pastor «o chamado à unidade».

Referiu-se a suas próprias palavras comentando a passagem evangélica da pesca milagrosa: «’ainda que havia tantos peixes, a rede não se rompeu’, e prossegui após estas palavras evangélicas: ‘Ai de mim, amado Senhor, esta – a rede – agora está arrebentada, queríamos dizer com dor’. E continuei: ‘Mas não – não devemos estar tristes! Alegremo-nos por vossa promessa que não decepciona e façamos todo o possível para percorrer o caminho rumo à unidade que vós prometestes... Não permitais, Senhor, que vossa rede se rompa e ajudai-nos a ser servidores da unidade’».

«Precisamente em cumprimento deste serviço à unidade, que qualifica de modo específico meu ministério de Sucessor de Pedro, decidi há dias conceder a remissão da excomunhão em que haviam incorrido os quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Lefebvre sem mandato pontifício», declarou.

O Papa explicou que o motivo deste «ato de misericórdia paterna» foi que «repetidamente estes prelados me manifestaram seu vivo sofrimento pela situação na qual se encontravam».

Contudo, recordou que este ato não supõe ainda a reintegração à comunhão plena e confiou em que, «a este gesto meu siga o solícito empenho de sua parte por levar a cabo ulteriores passos», entre eles «o verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II».

Sobre a Shoá

Logo depois, o Papa leu um terceiro comunicado no qual expressou sua firme condenação do Holocausto, e expressou sua solidariedade com o povo hebreu. Nele expressou seu desejo de que «a Shoá seja para todos advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo».

Com estas palavras, ainda que sem mencionar explicitamente, o Papa saia ao passo das polêmicas declarações de um dos quatro bispos a quem se levantou a excomunhão, Dom Richard Williamson, que havia negado a existência do Holocausto em uma entrevista concedida à televisão sueca.

O próprio Papa quis dar seu testemunho pessoal, recordando «as imagens recolhidas em minhas repetidas visitas a Auschwitz, um dos lugares nos quais se consumou o brutal massacre de milhões de hebreus, vítimas inocentes de um cego ódio étnico e religioso».

As declarações de Dom Williamson haviam sido comentadas nestes dias como «inaceitáveis» e «ignominiosas» por vários cardeais da Cúria Romana, assim como pela Conferência Episcopal Suíça.

Precisamente ontem, Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade de São Pio X, emitia um comunicado no qual pedia perdão ao Papa por tais declarações.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Pe. Lombardi comenta em Rádio Vaticano a suspensão das excomunhões

VATICANO, 25 Jan. 09 / 10:34 pm (ACI).- O Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, comentou este sábado, através de Rádio Vaticano, a decisão do Papa Bento XVI de levantar a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos ordenados sem consentimento da Sé Apostólica por Dom Marcel Lefebvre.

“A Semana de oração para a unidade dos cristãos se conclui com uma formosa notícia, que auguramos seja fonte de gozo em toda a Igreja. O levantamento da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade sacerdotal São Pio X é em efeito um passo fundamental para alcançar a reconciliação definitiva com o movimento iniciado e guiado por Dom Marcel Lefebvre”.

“Para compreender o significado deste passo -explicou o Pe. Lombardi-, voltam imediatamente para a mente as palavras do Papa Bento XVI em sua carta de introdução ao Motu Próprio Summorum Pontificum de 7 de julho de 2007, quando escrevia que ao olhar no passado as divisões que no curso dos séculos rasgaram o Corpo de Cristo faz pensar que com freqüência as omissões da Igreja provocaram a consolidação das divisões. Assim, escrevia o Papa: ‘temos a obrigação de fazer todos os esforços para que todos aqueles que verdadeiramente têm o desejo da unidade, seja-lhes possível permanecer nesta unidade ou voltar a encontrá-la... Abramos generosamente nosso coração ...’”, citou o Porta-voz da Santa Sé.

“O Cardeal Ratzinger -prosseguiu- foi protagonista das relações com Dom Lefebvre em 1988 e já após tinha tratado de fazer tudo quanto foi possível para servir à união da Igreja. Então não foi suficiente e as consagrações episcopais de 30 de junho daquele ano, realizadas sem mandato pontifício, criaram uma situação de grave ruptura”.

“Mas a Comissão Ecclesia Dei, constituída por João Paulo II naquela circunstância, trabalhou com paciência para manter abertas as vias do diálogo e distintas comunidades unidas de diversos modo ao movimento Lefebvrista puderam já, no curso dos anos, voltar a recuperar a plena comunhão com a Igreja católica”, adicionou.

Entretanto, “a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com quatro bispos, seguia sendo, em todo caso, a comunidade mais importante com a qual restabelecer a comunhão. Bento XVI manifestou que de maneira indubitável seu compromisso por fazer tudo o possível para alcançar este objetivo. Lembremos naturalmente acima de tudo o Motu Proprio Summorum Pontificum sobre o rito para a celebração da Missa, mas podemos também lembrar o documento da Congregação da Doutrina da Fé que esclarecia alguns pontos discutidos da doutrina eclesiológica do Concílio Vaticano II, assim como algumas grandes intervenções sobre a correta hermenêutica do mesmo Concílio, em continuidade com a tradição".

“Tudo isto –prosseguiu o Pe. Lombardi- criou naturalmente um clima favorável, no que os bispos da Fraternidade São Pio X pediram o levantamento da excomunhão testemunhando explicitamente sua vontade de estar na Igreja católica romana e de acreditar firmemente no primado do Pedro”.

Por eles, “é formoso que o levantamento da excomunhão tenha lugar no iminente 50º aniversário do anúncio do Concílio Vaticano II, de maneira que este evento fundamental não possa agora ser jamais considerado como um motivo de tensão; mas sim de comunhão".

“O texto do decreto põe em evidência que, de por si, está-se ainda em caminho para a plena comunhão, da que o Santo Padre deseja a solícita realização. Por exemplo, aspectos como o estatuto da Fraternidade e dos sacerdotes que pertencem a ela não são definidos no decreto publicado hoje”, adicionou.

“Mas a oração da Igreja está toda ela unida a do Papa, para que se supere logo toda dificuldade e se possa falar de comunhão em sentido pleno e sem incerteza alguma”, concluiu.

L'Osservatore Romano: Gesto de misericórdia do Papa deve alentar acatamento do Vaticano II

ROMA, 25 Jan. 09 / 05:35 pm (ACI).- O editorial deste domingo de L'Osservatore Romano, titulado "O Vaticano II e o gesto de paz do Papa", destaca que a decisão de Bento XVI de levantar a excomunhão aos 4 bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre é um "gesto de misericórdia" que deve alentar aos membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a acatar o Concílio Vaticano II que "após meio século de seu anúncio está vivo na Igreja".

No texto se lembra que "faz meio século, em 25 de janeiro de 1959, o anúncio do Vaticano II por parte de João XXIII foi uma grande surpresa, que ultrapassou os limites visíveis da Igreja Católica. Já no dia seguinte o Arcebispo de Milão –que em 1963 se converteria em Paulo VI– definiu o futuro Concilio como um 'acontecimento histórico de enorme grandeza', quer dizer 'grande hoje, amanhã, grande para os povos e para os corações humanos, grande para toda a Igreja e para toda a humanidade'".

Paulo VI, prossegue a nota editorial, seguindo os passos de João XXIII "viu rapidamente e com claridade, as perspectivas históricas e religiosas do Vaticano II: a mais vasta assembléia celebrada na história foi intuída e aberta por um Papa de 78 anos, um século depois da interrupção do Vaticano I (querido por Pio IX quase na mesma idade), levando com valor a sua realização uma idéia já ventilada sob o Pontificado de Pio XI e Pio XII".

Seguidamente a nota, assinada pelo diretor do jornal do Vaticano, Giovanni Maria Vian, explica que a aplicação do Concílio Vaticano II não foi fácil "pela incidência das decisões conciliar na vida da Igreja, na liturgia, na missão, nas relações com as outras confissões cristãs, com o judaísmo, com as outras religiões, com a afirmação da liberdade religiosa, na atitude para o mundo".

"O último Papa, Bento XVI, ao ter participado plenamente e com paixão –como um teólogo novíssimo– no concílio, delineou em 2005 a interpretação católica do Vaticano II: um acontecimento que é lido não na lógica de uma discontinuidade que, absolutizando-o, isolaria-o da tradição; senão na da reforma, que o abre ao futuro. Um concílio que, como todos os outros, deve inserir-se na história e não ser mitificado, inseparável de seus textos, que propriamente do ponto de vista histórico não podem ser contrapostos a um suposto 'espírito' do Vaticano II".

O editorial, cuja data coincide além com a Festa da Conversão de São Paulo, resenha logo que "os bons frutos do Concílio são inumeráveis e entre estes aparece agora o gesto de misericórdia relacionado aos bispos excomungados em 1988".

"Um gesto –continua– que João XXIII e seus sucessores teriam gostado muito, em um oferecimento limpo que Bento XVI, Papa de paz, quis fazer público ao coincidir o aniversário do anúncio do Vaticano II, com a intenção clara de ver logo sanada uma fratura dolorosa. Intenção que não será ofuscada por inaceitáveis opiniões negacionistas e atitudes para o judaísmo de alguns membros da comunidade aos que o Bispo de Roma tende a mão".

Finalmente, a nota precisa que "após meio século do anúncio, o Vaticano II está vivo na Igreja. Assim também o Concílio fica em mãos de todo fiel para que mais forte e claro seja o testemunho no mundo de quantos acreditam em Cristo".

Bento XVI defende Concílio Vaticano II e condena negacionismo antissemita

O jornal vaticano esclarece informações sobre a renovação das excomunhões

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O compromisso de Bento XVI na aplicação do Concílio Vaticano II não muda pelo fato de ter levantado as excomunhões de quatro bispos consagrados por Dom Marcel Lefebvre em 1988, esclarece o jornal da Santa Sé, constatando a criação de um «caso de mídia».

Carlo Di Cicco, subdiretor do L'Osservatore Romano, considera que nestes dias os meios de comunicação se equivocaram quando, «com precipitação, culparam Bento XVI não só de ter cedido a posições anticonciliares, mas inclusive de cumplicidade ou ao menos imprudência ao apoiar teses negacionistas sobre a Shoá», o Holocausto judaico.

O jornal vaticano se referia à polêmica surgida horas antes de a Santa Sé anunciar a revogação da excomunhão, quando meios de comunicação republicaram declarações que havia pronunciado em novembro à televisão sueca um dos bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X reabilitados, Dom Richard Williamson, adotando pessoalmente teses «negacionistas».

Imediatamente depois, a Rádio Vaticano declarou que se tratava de «posições pessoais, que não podem ser compartilhadas e que não afetam o Magistério pontifício nem as posições da Igreja solenemente enunciadas em várias ocasiões».

Segundo o L'Osservatore Romano, a atribuição ao Papa dessas declarações que não lhe correspondem foi desmentida por ele mesmo neste domingo, jornada de encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e por ocasião do Ângelus.

Bento XVI afirmou que «entre nós, os idosos certamente não esquecem» o primeiro anúncio do Concílio Vaticano II feito por João XXIII, em 25 de janeiro de 1959, há exatamente 50 anos, um gesto que o Papa definiu como «decisão sábia» sugerida pelo Espírito Santo.

Precisamente, declara o jornal vaticano, a revogação da excomunhão deve ser entendida como um gesto que se enquadra no espírito do Concílio Vaticano II.

«A reforma do Concílio não se aplicou totalmente, mas já está tão consolidada na Igreja Católica que não pode entrar em crise por um gesto magnânimo de misericórdia, inspirado, também, no novo estilo de Igreja promovido pelo Concílio, que prefere o remédio da misericórdia ao da condenação», explica o subdiretor.

«A revogação que suscitou tantos alarmes não conclui um caso doloroso como o cisma lefebvriano – declara o jornal. Com ela, o Papa elimina pretextos para infinitas polêmicas, enfrentando o autêntico problema: a aceitação plena do magistério, inclusive, obviamente, o Concílio Vaticano II.»

«Ainda que seja verdade que a Igreja Católica não nasce com o Concílio, é verdade também que a Igreja, renovada pelo Concílio, não é uma Igreja diferente, mas a mesma Igreja de Cristo, fundada sobre os apóstolos, garantida pelo sucessor de Pedro e, portanto, parte viva da tradição.»

«Com o anúncio do Papa João, a tradição não desaparece, mas continua ainda hoje segundo as formas próprias de uma pastoral e de um magistério atualizado pelo último grande Concílio.»

L'Osservatore Romano considera que tampouco é justo dizer que o Papa «não está convencido do caminho ecumênico e do diálogo com os judeus. Os compromissos estratégicos de seu pontificado estão à luz do sol e cada um dos atos pastorais e de magistério avançam claramente na aplicação da estratégia anunciada no momento de sua eleição».

«O diálogo é parte constitutiva da Igreja conciliar e Bento XVI repetiu em várias ocasiões, e agora voltaram a fazê-lo, que o ecumenismo exige a conversão de todos – também da Igreja Católica – a Cristo. Em uma Igreja convertida, ‘as diversidades deixarão de ser um obstáculo que nos separa e passarão a ser uma riqueza na multiplicidade das expressões da fé comum’.»

«A revogação da excomunhão não significa ainda a plena comunhão – acrescenta o jornal. O caminho de reconciliação com os tradicionalistas é uma opção colegial já conhecida pela Igreja de Roma, e não um gesto repentino e imprevisto de Bento XVI.»

«Da aceitação do Concílio se deriva necessariamente também a clara posição sobre o negacionismo. A declaração Nostra aetate, o mais autorizado giro católico com relação ao judaísmo, deplora ‘os ódios, perseguições e manifestações de antissemitismo de qualquer tempo e pessoa contra os judeus’.»

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Papa convida cristãos a trabalharem pelo ecumenismo

«A unidade está conectada com a própria missão da Igreja no mundo»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI interrompeu nesta quarta-feira o ciclo de catequeses que vem realizado sobre a vida e os ensinamentos do apóstolo São Paulo e dedicou a audiência de hoje a falar sobre o diálogo ecumênico, dada a coincidência com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

O Papa dedicou a catequese de hoje a refletir sobre a passagem de Ezequiel que se escolheu como lema desta semana e na qual o profeta toma os lenhos, símbolo do Israel dividido, para realizar uma profecia sobre sua reunião futura.

Em primeiro lugar, destacou que a questão da unidade dos cristãos não é secundária, mas que «está conectada com a vida e a própria missão da Igreja no mundo», como o próprio Cristo assinalou na Última Ceia.

A Igreja, afirmou, «deve viver uma unidade que só pode derivar de sua unidade com Cristo, com sua transcendência, como sinal de que Cristo é a verdade. Esta é nossa responsabilidade: que seja visível para o mundo o dom de uma unidade em virtude da qual nossa fé se torne crível».

Por isso, convidou reiteradamente os cristãos a que tomem «consciência da urgência de trabalhar de todas as formas possíveis para chegar a este grande objetivo».

Contudo, esta unidade plena necessita como condição prévia a «purificação» dos cristãos dos «elementos estranhos à fé» e uma «maior fidelidade à vocação de Deus».

«Na dispersão entre os gentios, os israelenses haviam conhecido cultos errôneos, haviam assimilado concepções de vida equivocadas, haviam assumido costumes alheios à lei divina», explicou o Papa. «A esta renovação devemos estar abertos também nós, porque também nós, dispersos entre os povos do mundo, aprendemos costumes muito distantes da Palavra de Deus.»

«O ecumenismo verdadeiro não existe sem a conversão interior, porque o desejo da unidade nasce e amadurece na renovação da mente, na abnegação de si mesmo e no exercício pleno da caridade», acrescentou.

Passos realizados

O Papa assinalou também os «importantes gestos e passos» levados a cabo no caminho ecumênico.

«As relações entre as Igrejas e os diálogos teológicos continuaram dando sinais de convergências espirituais alentadoras», afirmou.

Por outro lado, destacou a transcendência das visitas de bispos e patriarcas ortodoxos e orientais a Roma, e especialmente a participação no passado Sínodo do patriarca ecumênico Bartolomeu I.

Também manifestou sua proximidade ao Patriarcado de Moscou, pela morte de Alexis II e a próxima eleição de seu sucessor.

Com relação às Comunhões Cristãs do Ocidente, o pontífice assinalou que «prossegue o diálogo sobre o importante testemunho que os cristãos devem dar hoje de forma concorde, em um mundo cada vez mais dividido e enfrentado tantos desafios de caráter cultural, social, econômico e ético».

Por último, o Papa convidou a tomar como modelo o apóstolo São Paulo, especialmente «seu anseio e dedicação ao único Senhor e à unidade de seu Corpo místico, a Igreja».

«Seguindo seu exemplo e contando com sua intercessão, que cada comunidade cresça no empenho da unidade, graças às diversas iniciativas espirituais e pastorais e às assembléias de oração comum, que costumam ser mais numerosas e intensas nesta ‘Semana’, fazendo-nos já saborear antecipadamente, de certa forma, o gozo da unidade plena», concluiu.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Papa Bento XVI mostra influência de Pio XII no Concílio Vaticano II

Recolhe sua herança no 50º aniversário de seu falecimento


CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 11 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Não é possível entender o Concílio Vaticano II sem levar em conta o magistério de Pio XII, considera Bento XVI, constatando que esse papa é, depois da Escritura, a fonte mais citada em seus documentos.

O Papa Joseph Ratzinger chegou a esta conclusão ao recolher a herança deixada à Igreja pelo pontificado de Eugenio Pacelli (1939-1958) no discurso que dirigiu neste sábado aos participantes de um congresso sobre «A herança do magistério de Pio XII e o Concílio Vaticano II», promovido pelas universidades pontifícias Gregoriana e Lateranense, no 50º aniversário da morte do servo de Deus. 

A intervenção do Papa mostra como este concílio ecumênico não supôs uma ruptura com o passado, mas seguiu a Tradição da Igreja, recebida e exposta pelo sumo pontífice, que havia precedido sua convocatória. 

«Certamente a Igreja, Corpo Místico de Cristo, é um organismo vivo e vital, que não está imobilizado no que era há 50 anos», reconheceu o Papa depois de repassar os grandes documentos do pontificado de Eugenio Pacelli. 

«Mas o desenvolvimento acontece com coerência. Por isso, a herança do magistério de Pio XII foi recolhida pelo Concílio Vaticano II e proposta às gerações cristãs posteriores.»

O Papa constatou que «nas intervenções orais e escritas apresentadas pelos padres do concílio Vaticano II se encontram mais de mil referências ao magistério de Pio XII». 

Nem todos os documentos do Concílio têm uma parte de notas, mas nos documentos que contam com isso, «o nome de Pio XII aparece mais de 200 vezes», informou. 

Isso quer dizer que, «com exceção da Sagrada Escritura, este papa é a fonte autorizada que o Concílio cita com mais freqüência». 

«Também – sublinhou –, as notas desses documentos não são, em geral, meras referências explicativas, mas com freqüência constituem autênticas partes integrantes dos textos conciliares; não só oferecem justificativas de apoio para o que afirma o texto, mas também oferecem uma chave de interpretação.»

O discurso do Papa se converteu, portanto, em uma reivindicação do papel histórico do falecido pontífice, em particular de seu magistério, pois «nos últimos anos, quando se falou de Pio XII, a atenção se concentrou de maneira excessiva em um só problema, tratado geralmente de maneira unilateral». 

«Independentemente de outras considerações, isso impediu uma visão adequada de uma figura de grande profundidade histórico-teológica como a de Pio XII», considerou. 

«Não surpreende, portanto – disse seu sucessor – que seu ensinamento continue difundindo luz ainda hoje na Igreja.»

«Na pessoa do Sumo Pontífice Pio XII, o Senhor fez à sua Igreja um dom excepcional, pelo qual todos devemos agradecer-lhe», afirmou. 

Conclusões do congresso 

Em suas palavras de saudação ao Papa, o arcebispo Rino Fisichella, reitor da Universidade Pontifícia Lateranense, mostrou como «o magistério de Pio XII, recolhido principalmente em suas 43 encíclicas e em seus numerosos discursos, não só foi propedêutico para o Concílio, mas marcou positivamente seu desenvolvimento». 

Por isso, ao explicar o espírito do Vaticano II, disse: «Não vigora a lei da descontinuidade, mas a de uma continuidade que se realiza em um desenvolvimento harmonioso, capaz de mostrar o progresso da doutrina sem alteração alguma». 

Por sua parte, na audiência, o Padre Gianfranco Ghirlanda, S.J., reitor da Universidade Pontifícia Gregoriana, explicou ao Papa que o congresso, que se celebrou na sede das duas universidades, «sublinhou mais uma vez a profundidade do magistério de Pio XII, que foi uma fonte riquíssima de tantos documentos do Concílio Vaticano II, assim como do magistério pós-conciliar».

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Agradecimento de rabino a Pio XII

Carta do rabino Zaoui ao Papa em 1944


Por Anita S. Bourdin

ROMA, quarta-feira, 5 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Um rabino francês agradeceu a Pio XII e aos sacerdotes católicos pela ajuda prestada aos judeus perseguidos durante a Shoah. Trata-se do rabino André Zoui, capelão, capitão do corpo expedicionário francês, que se dirigiu a Pio XII em 22 de junho de 1944 e cuja carta se encontra entre as peças mais interessantes da exposição sobre a biografia de Pio XII, apresentada no dia 3 de novembro no Vaticano. 

A exposição não busca dizer uma palavra sobre os fatos, gestos e palavras de Pio XII em favor dos judeus perseguidos, mas traçar o itinerário do Papa Eugenio Pacelli desde sua infância até sua morte em 1958, há 50 anos. 

A exposição apresenta as facetas de sua personalidade, desde seu amor aos animais (ele aparece fotografado com um canário e alguns cordeiros), sua fascinação por todas as invenções modernas (seu barbeador elétrico e sua máquina de escrever, sua presença nas ondas da Rádio Vaticano), sua preocupação constante pelos mais necessitados (os colchões instalados até nas escadas do Palácio Apostólico ou em Castel Gandolfo para acolher os refugiados da 2ª Guerra Mundial, sem distinção), seu amor às artes (e seu salvamento de obras de arte durante o conflito, ou o concerto da Orquestra Filarmônica de Israel, em 25 de maio de 1955, em sinal de «gratidão por sua obra em favor dos judeus perseguidos durante a guerra»), suas repetidas intervenções durante a guerra, sua atividade diplomática, etc. 

O rabino Zaoui recorda que pôde assistir a uma audiência pública do Papa «em 6 de junho de 1944, às 12h20», com «numerosos oficiais e soldados aliados». 

Menciona também sua visita ao Instituto Pio XI, «que protegeu durante mais de seis meses cerca de sessen60ta crianças judias, entre elas alguns pequenos refugiados da França». 

Diz ter-se sentido impressionado pela «solicitude paternal de todos os professores» e cita esta frase do prefeito de estudos: «Não fizemos nada além do nosso dever». 

Em 8 de junho de 1944, o rabino Zaoui resenha outro acontecimento do qual participou: a reabertura da sinagoga de Roma, fechada pelos nazistas em outubro de 1943. 

Assinala a presença de um sacerdote francês, o Pe. Benoit, «evadido da França», que se dedicou «ao serviço das famílias judaicas de Roma». O rabino resenha estas palavras do sacerdote e a forte impressão que tiveram na assembléia que o reconheceu e aclamou: «Amo os judeus de todo coração». Esta palavra recorda o rabino da de Pio XI, que diz assim: «Nós somos espiritualmente semitas». 

André Zaoui expressa seu reconhecimento: «Israel não esquecerá jamais». A carta se encontra também reproduzida no elegante e muito cuidado catálogo da exposição, publicado sob a autoridade da Comissão Pontifícia de Ciências Históricas («O homem e o pontificado 1876-1958», 238 páginas, Livraria Editora Vaticana, p. 157). 

Uma carta do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, reproduzida em fac-símile (p. 13-14), sublinha a importância deste catálogo e da exposição, que ajuda a «dar a conhecer melhor um pontífice que é reconhecido justamente como um dos maiores personagens do século XX». 

Agradece vivamente a todos aqueles que participaram desta empresa e deseja que esta contribua «para a valorização, especialmente por parte das novas gerações, da extraordinária figura deste Papa, que soube preparar, com uma intuição profética dos sinais dos tempos, o caminho da Igreja na era contemporânea». 

A exposição, organizada no chamado «Braço de Carlos Magno», ou seja, do lado esquerdo da colunata de Bernini, olhando de frente para a fachada da Basílica de São Pedro, está aberta desde ontem até 6 de janeiro de 2009. Partirá depois para Berlim e Munique. 

Foi apresentada pelo presidente da Comissão Pontifícia de Ciências Históricas, professor Walter Brandmuller, por Giovanni Morello – da Fundação para os Bens e as Atividades Culturais da Igreja –, pelo vaticanista do jornal italiano Il Giornale, Andrea Tornielli, pelos professores Matteo Luigi Napolitano, Universidade do Molise, e por Philippe Chenaux, professor de História Moderna e Contemporânea na Universidade Pontifícia de Latrão e autor de uma obra titulada «Pio XII, diplomata e pastor», em presença do professor Cosimo Semeraro, sdb, secretário da Comissão Pontifícia.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Representante ortodoxo vê Papa como sinal de unidade entre cristãos

Intervenção do arquimandrita Ignatios D. Sotiriadis


CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O representante da Igreja Ortodoxa da Grécia reconheceu diante do Sínodo dos Bispos o papel do bispo de Roma como sinal de unidade entre os cristãos.

Assim expôs o arquimandrita Ignatios D. Sotiriadis, conselheiro da Representação da Igreja da Grécia na União Européia, ao tomar a palavra neste sábado na assembléia sinodal sobre a Palavra de Deus.

Sua relação foi a mais aplaudida na primeira semana de intervenções na sala do Sínodo.

«Santidade – disse –, nossa sociedade está cansada e doente! Procura, mas não encontra! Bebe, mas não se sacia! Exige de nós, os cristãos (católicos, ortodoxos, protestantes, anglicanos), um testemunho comum, uma voz unida! Esta é nossa responsabilidade como pastores das Igrejas no século 21!»

Deste modo, ele apresentou «a missão primária, histórica e extraordinária do primeiro bispo da cristandade, quem preside na caridade e, sobretudo, de um Papa que é Magister Theologiae (professor de teologia, N. do T.): ser sinal visível e paterno de unidade e guiar, sob a orientação do Espírito Santo e segundo a Sagrada tradição, com sabedoria, humildade e dinamismo, junto a todos os bispos do mundo, co-sucessores dos apóstolos, toda a humanidade a Cristo Redentor!”.

«Este é o desejo profundo de quem guarda no coração a nostalgia dolorosa da Igreja não dividida, Una, Sancta, Catholica et Apostolica! Assim como de quem, em um mundo sem Cristo, dirige-lhe, com paixão, com confiança filial e fé, mais uma vez, o grito dos apóstolos: Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna!», disse o arquimandrita.

Falando do tema da assembléia, o «delegado fraterno» reconheceu que a história da cristandade está cheia de crimes, pecados e erros. Então se questiona sempre o problema da interpretação autêntica da Palavra de Deus.

Ele disse também que não são suficientes as boas intenções para guiar o povo de Deus ao Reino prometido. É necessária a metanoia e a metamorfosis dos nossos fracos corações.

Neste contexto, ele concluiu afirmando que a Igreja vive da fonte da vida que é a Sagrada Escritura. Ela ensina à Europa secularizada o amor pela criação em perigo, o perdão e a reconciliação com quem quer começar uma nova vida, o respeito por toda pessoa humana, feita à imagem de Deus, assim como a paz, a justiça, a igualdade entre o homem e a mulher, judeu ou grego.

domingo, 24 de agosto de 2008

Bento XVI reafirma missão de servir à «unidade da única Igreja»

A profissão de fé de Pedro, fonte do ministério petrino

Por Inmaculada Álvarez

CASTEL GANDOLFO, domingo, 24 de agosto de 2008 (ZENIT.org).- «A missão de Pedro e de seus sucessores é precisamente servir à unidade da única Igreja de Deus», explicou hoje o Papa aos peregrinos congregados no pátio do palácio apostólico de Castel Gandolfo para a oração do Ângelus.

Bento XVI dedicou sua reflexão ao evangelho de hoje, que relata a profissão de fé do apóstolo Pedro, a aprofundar no «ministério petrino» e na sua «particular missão» em relação com a unidade da Igreja.

O Papa citou o diálogo entre Jesus e Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. A esta inspirada profissão de fé por parte de Pedro, Jesus replica: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. A ti darei as chaves do reino dos céus».

«Foi a primeira vez que Jesus fala da Igreja, cuja missão é a atualização do desenho grandioso de Deus de reunir em Cristo à humanidade inteira em uma única família», explicou.

Neste sentido, acrescentou, «a missão de Pedro e de seus sucessores é precisamente servir a esta unidade da única Igreja de Deus formada por judeus e pagãos».

«O ministério indispensável de Pedro é o de fazer que a Igreja não se identifique nunca com uma só nação, com uma só cultura, mas que seja a Igreja de todos os povos, para fazer presente entre os homens, marcados por numerosas divisões e contrastes, a paz de Deus e a força renovadora de seu amor».

«Servir portanto à unidade interior que provém da paz de Deus, a unidade de todos que em Jesus Cristo se converteram em irmãos e irmãs: esta é a missão peculiar do Papa, bispo de Roma e sucessor de Pedro», explicou o Papa.

Bento XVI confiou aos presentes que esta tarefa comporta uma «enorme responsabilidade», frente à qual ele mesmo necessita ser sustentado pela oração dos fiéis.

«Advirto cada vez mais o compromisso e a importância do serviço à Igreja e ao mundo que o Senhor me confiou. Por isto vos peço, queridos irmãos e irmãs, que me sustenteis com vossa oração, para que, fiéis a Cristo, possamos juntos anunciar e testemunhar sua presença neste nosso tempo», disse o Papa aos presentes.

Por outro lado, o Papa se referiu à pergunta que Jesus dirige a seus discípulos, «e vós, quem dizeis que eu sou?», afirmando que esta pergunta «se dirige a nós, cristãos, mas ao mesmo tempo a todo homem e mulher».

A Igreja continua hoje repetindo a solene profissão de Pedro, acrescenta o Papa. «Sim, Jesus, tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo! O fazemos com a consciência de que Cristo é o verdadeiro «tesouro» pelo qual vale a pena sacrificar tudo».

«Ele é o amigo que nunca nos abandona, porque conhece as esperanças mais íntimas de nosso coração. Jesus é o «Filho do Deus vivo», o Messias prometido, vindo à terra para oferecer à Humanidade a salvação e para satisfazer a sede de vida e amor que habita em todo ser humano».

«Que benefício teria a humanidade se acolhesse este anúncio que traz consigo a alegria e a paz!», acrescentou o Papa.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O Papa continuará distribuindo comunhão de joelhos e na boca

Explica o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 26 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI distribuirá habitualmente a comunhão aos fieis de joelhos e na boca, anunciou o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias.

Em uma entrevista concedida a edição italiana de 26 de junho do «L'Osservatore Romano», Dom Guido Marini responde a quem pergunta se o Papa manterá esta prática que pôde ser vista em sua última viagem à Itália, às localidades de Santa Maria de Leuca e Brindisi.

«Creio realmente que sim – considera –. Neste sentido, não se deve esquecer que a distribuição da comunhão na mão continua sendo ainda, do ponto de vista jurídico, um indulto à lei universal, concedido pela Santa Sé às conferências episcopais que o tenham pedido».

«A modalidade adotada por Bento XVI tende a sublinhar a vigência da norma válida para toda a Igreja», declara.

Esta modalidade de distribuição do sacramento, diz, «sem tirar nada da outra, sublinha melhor a verdade da presença real na Eucaristia, ajuda à devoção dos fiéis, introduz com mais facilidade no sentido do mistério. Aspecto que em nosso tempo, pastoralmente falando, é urgente sublinhar e recuperar», declara.

A quem acusa Bento XVI de querer impor modelos pré-conciliares, o mestre das celebrações litúrgicas explica que «termos como 'pré-conciliar' e 'pós-conciliar' me parece que pertencem a uma linguagem que já foi superada e, se são utilizados com o objetivo de indicar uma descontinuidade no caminho da Igreja, considero que são equivocados e típicos de visões ideológicas muito redutivas».

«Há 'coisas antigas e coisas novas' que pertencem ao tesouro da Igreja de sempre e como tais devem ser consideradas. Quem é sábio sabe encontrar em seu tesouro tanto umas como outras, sem ter outros critérios que não sejam evangélicos e eclesiais».

«Nem tudo o que é novo é verdadeiro, como tampouco o é tudo que é antigo. A verdade atravessa o antigo e o novo e a ela devemos tender sem preconceitos».

«A Igreja vive segundo essa lei da continuidade, em virtude da qual, conhece um desenvolvimento arraigado na tradição. O importante é que tudo esteja orientado a uma celebração litúrgica que seja verdadeiramente a celebração do mistério sagrado, do Senhor crucificado e ressuscitado, que se faz presente em sua Igreja, reatualizando o mistério da salvação e chamando-nos, segundo a lógica de uma autêntica e ativa participação, a compartilhar até suas últimas conseqüências sua própria vida, que é vida de dom de amor ao Pai e aos irmãos, vida de santidade».

terça-feira, 24 de junho de 2008

Bento XVI imporá pálio a 43 arcebispos

Símbolo da unidade com o bispo de Roma

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 24 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI imporá no próximo domingo, 29 de junho, solenidade dos santos Pedro e Paulo, o pálio a 43 arcebispos metropolitanos nomeados no último ano.

A cerimônia acontecerá durante a celebração da eucaristia, na Basílica de São Pedro, do Vaticano, que contará com a presença e a participação do patriarca ecumênico de Constantinopla, Sua Beatitude Bartolomeu I.

Os arcebispos levam o pálio – estola branca de lã – sobre os ombros em representação do Bom Pastor que leva nos ombros o cordeiro até dar a vida, como recordam também as seis cruzes negras bordadas.

Desta forma, constitui um símbolo litúrgico que expressa o vínculo de comunhão que une o sucessor de Pedro com os arcebispos.

Segundo áreas geográficas, os bispos que receberão o pálio são:

Europa (14)

Dom Francisco Pérez González, arcebispo de Pamplona e Tudela (Espanha);

Dom Laurent Ulrich, arcebispo de Lille (França);

Dom Giovanni Paolo Benotto, arcebispo de Pisa (Itália);

Dom Francesco Montenegro, arcebispo de Agrigento (Itália);

Dom Giancarlo Maria Bregantini, arcebispo de Campobasso - Boiano (Itália);

Dom Reinhard Marx, arcebispo de Munich e Freising (Alemanha);

Dom Willem Jacobus Eijk, arcebispo de Utrecht (Países Baixos) ;

Dom José Francisco Sanches Alves, arcebispo de Évora (Portugal);

Dom Marin Srakić, arcebispo de Djakovo - Osijek (Croácia)

Dom Stanislav Zvolenský, arcebispo de Bratislava (Eslováquia);

Dom Ján Babjak, arcebispo de Presov dos católicos de rito bizantino (Eslováquia);

Dom Sławoj Leszek Głodz, arcebispo de Gdansk (Polônia);

Dom Tadeusz Kondrusiewicz, arcebispo de Minsk - Mohilev (Belarus);

Dom Paolo Pezzi, arcebispo da diócese da Mãe de Deus em Moscou (Rússia);

Ásia (3)

Sua Beatitude Fouad Twal, novo patriarca latino de Jerusalém;

Dom John Hung Shan-Chuan, arcebispo de Taipei (Taiwan);

Dom John Lee Hiong Fun-Yit Yaw, arcebispo de Kota Kinabalu (Malásia);

África (7)

Cardeal John Njue, arcebispo de Nairobi (Quênia);

Dom Peter J. Kairo, arcebispo de Nyeri (Quênia);

Dom Michel Christian Cartatéguy, arcebispo de Niamey (Nigéria);

Dom Laurent Monsengwo Pasinya, arcebispo de Kinshasa (R. D. do Congo);

Dom Matthew Man-Oso Ndagoso, arcebispo de Kaduna (Nigéria);

Dom Richard Anthony Burke, arcebispo de Benin City (Nigéria);

Dom Thomas Kwaku Mensah, arcebispo de Kumasi (Gana);

América do Norte (5)

Dom Anthony Mancini, arcebispo de Halifax (Canadá);

Dom Martin William Currie, arcebispo de Saint John's, Newfoundland (Canadá);

Dom Edwin Frederick O'Brien, arcebispo de Baltimore (Estados Unidos);

Dom John Clayton Nienstedt, arcebispo de Saint Paul em Minneapolis (Estados Unidos);

Dom Thomas John Rodi, arcebispo de Mobile (Estados Unidos);

Caribe (4)

Dom Donald James Reece, arcebispo de Kingston en Jamaïque (Jamaica);

Dom Louis Kébreau, arcebispo de Cabo Haitiano (Haiti);

Dom Joseph Serge Miot, arcebispo de Porto Príncipe (Haiti);

Dom Robert Rivas, arcebispo de Castries (Santa Luzia);

América Latina (7)

Dom Lorenzo Voltolini Esti, arcebispo de Porto Velho (Equador);

Dom Andrés Stanovnik, arcebispo de Corrientes (Argentina);

Dom Agustín Roberto Radrizzani, arcebispo de Mercedes-Uján (Argentina);

Dom Mauro Aparecido dos Santos, arcebispo de Cascavel (Brasil);

Dom Luis Gonzaga Silva Pepeu, arcebispo de Vitória da Conquista (Brasil);

Dom Óscar Urbina Ortega, arcebispo de Villavicencio (Colômbia);

Dom Antonio José López Castello, arcebispo de Barquisimeto (Venezuela);

Oceania (1)

Dom John Ribat, arcebispo de Port Moresby (Papua Nova Guiné);

Ausentes

Dois arcebispos receberão o pálio em suas sedes metropolitanas, pois não poderão ir a Roma:

Dom William d'Souza, arcebispo de Patna (Índia);

Dom Edward Tamba Charles, arcebispo de Freetown et Bo (Serra Leoa).

domingo, 22 de junho de 2008

Papa pede atenção na preparação e recepção da Eucaristia

Ao encerrar o Congresso Eucarístico Internacional de Québec

QUÉBEC, domingo, 22 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Ao participar via satélite do encerramento do Congresso Eucarístico Internacional de Québec, Bento XVI pediu a toda a Igreja «uma atenção renovada à preparação e recepção da Eucaristia».

Os milhares de fiéis reunidos na manhã do domingo na explanada de Abraham, na cidade canadense, puderam ver e escutar o Papa através de telões, que pronunciou a homilia da missa conclusiva. Comentando o tema do congresso, «A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo», o Santo Padre respondeu: «A Eucaristia é nosso tesouro mais belo».

«É o sacramento por excelência; introduz-nos por antecipação na vida eterna; contém todo o mistério de nossa salvação; é a fonte e o cume da ação e da vida da Igreja», declarou.

«Portanto, é particularmente importante que os pastores e os fiéis aprofundem permanentemente neste grande sacramento», acrescentou.

Deste modo, assinalou, «cada um poderá fortalecer sua fé e cumprir cada vez melhor sua missão na Igreja e no mundo, recordando a fecundidade da Eucaristia para a vida pessoal, para a vida da Igreja e do mundo».

«Apesar de nossa fraqueza e de nosso pecado, Cristo quer colocar em nós seu olhar». Portanto, disse, «temos de fazer todo o possível para recebê-lo com um coração puro», dirigindo-se ao «sacramento do perdão».

Com efeito, declarou, «o pecado, sobretudo o pecado grave, opõe-se à ação da graça eucarística em nós. Por outra parte, quem não pode comungar por causa de sua situação encontrará na comunhão de desejo e na participação na Eucaristia uma força e uma eficácia salvadora».

«A Eucaristia não é uma refeição entre amigos», advertiu. «Estamos chamados a entrar neste mistério de aliança, confirmando cada dia cada vez mais nossa vida com o dom recebido na Eucaristia».

O bispo de Roma convidou a rezar para que Deus envie sacerdotes à Igreja e a transmitir este convite a muitos jovens, «para que aceitem com alegria e sem medo responder a Cristo. Não ficarão decepcionados. Que as famílias sejam o lugar primordial deste berço de vocações».

O pontífice esclareceu que «a participação na Eucaristia não afasta de nossos contemporâneos, ao contrário, dado que é a expressão do amor de Deus, chama a nos comprometermos com todos nossos irmãos para enfrentar os desafios presentes e para fazer que o planeta seja um lugar agradável».

«Para isto --disse--, temos de lutar sem cessar para que toda pessoa seja respeitada desde sua concepção até sua morte natural, que nossas sociedades ricas acolham os mais pobres e voltem a dar a eles toda sua dignidade, que toda pessoa possa alimentar-se e fazer viver a sua família, que a paz e a justiça brilhem em todos os continentes».

A celebração eucarística foi presidida pelo legado papal, o cardeal Jozef Tomko, em meio de uma constante chuva que não desalentou os peregrinos. O próximo Congresso Eucarístico Internacional, segundo anunciou o Papa, será celebrado em Dublin (Irlanda) no ano 2012.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Papa Bento XVI restaura a comunhão de joelhos

Diante de 70 mil pessoas, o papa Bento XVI fez história domingo durante a celebração de uma missa em Brindisi, cidade situada na região sudoeste da Itália. No momento da comunhão, o pontífice restaurou o costume de entregar a hóstia consagrada aos fiéis ajoelhados. Apenas os diáconos puderam comungar de pé, diante do líder da Igreja. O gesto, de forte apelo simbólico, resgatou uma tradição abandonada havia 43 anos, quando a reforma litúrgica definida pelo Concílio Vaticano II determinou que os peregrinos receberiam a hóstia de pé e nas mãos. A partir de agora, todos os católicos escolhidos pela Santa Sé para a comunhão com o papa terão de se ajoelhar diante de um reclinatório e receber a eucaristia diretamente na boca.

Bento XVI já havia feito o mesmo na missa de 22 de maio, celebrada na Igreja de São João Latrão, em Roma. Como o número de fiéis presentes era menor, a atitude teve pouca ou quase nenhuma repercussão. ‘‘Nós, os cristãos, nos ajoelhamos diante do Santíssimo Sacramento (a hóstia) porque, nele, sabemos e acreditamos estar na presença do único e verdadeiro Deus’’, afirmou o papa, naquela ocasião. ‘‘Estou convencido da urgência de dar novamente a hóstia diretamente na boca aos fiéis, sem que a toquem, e de voltar à genuflexão no momento da comunhão como sinal de respeito’’, acrescentou.

A assessoria de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou ao Correio que ainda não recebeu qualquer comunicado do Vaticano sobre a inclusão dos 125 milhões de brasileiros católicos na mudança litúrgica. ‘‘Resta saber se essa é uma norma ou uma orientação do Santo Padre’’, declarou a entidade. Ainda que a determinação valha apenas para fiéis que comungarem diretamente das mãos do pontífice, ela reforça a tendência de Bento XVI em recuperar partes mais tradicionalistas do ritual, que caíram em desuso com o tempo.

Em três anos de pontificado, o papa manteve-se fiel ao antigo cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: condenou o casamento homossexual e o aborto e exigiu que as pesquisas genéticas respeitem a vida. Mas a medida mais surpreendente até então foi o relançamento da missa em latim, com base no rito tridentino (em que o sacerdote fica de costas para os fiéis e faz a celebração no idioma milenar). Em vigor desde 14 de setembro, a norma foi bem recebida pela área mais conservadora da Igreja Católica. (Correio Braziliense).

http://diariodenatal.dnonline.com.br/site/materia.php?idsec=2&idmat=172198

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Papa alerta sobre «cinismo relativista» que substitui verdade na comunicação

Ao receber representantes de Faculdades de Comunicação de Universidades Católicas

Por Marta Lago

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de maio de 2008 (ZENIT.org).- O Papa exorta a que a tarefa formativa dos futuros profissionais da comunicação desterre o relativismo que rejeita ou ignora apelar à verdade.

Bento XVI comentou isso ao receber em audiência, nesta sexta-feira, os participantes do Congresso de Faculdades de Comunicação Social das Universidades Católicas.

A convocação, promovida pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, reúne em Roma, de 22 a 24 de maio, especialistas de 43 países em representação de 45 universidades e 13 instituições e organismos do âmbito da mídia.

No contexto de reflexão sobre a identidade e missão desses centros de formação, os participantes no encontro levam a cabo um diálogo amplo sobre a complexidade atual da comunicação.

E esta, «enquanto prefigura horizontes futuros e potencialidades sempre novas, propõe delicados problemas no campo ético», reconheceu o presidente do dicastério, o arcebispo Claudio Maria Celli, em suas palavras de saudação ao Santo Padre.

Daí que o Congresso – acrescentou o prelado – siga o conceito de «info-ética» que Bento XVI indicou – em sua mensagem para a recente Jornada Mundial das Comunicações Sociais –, orientado a assinalar a decisiva incidência dos aspectos morais na utilização dos meios de comunicação.

De fato, o Santo Padre exortou nesta sexta-feira a dar «maior atenção aos programas acadêmicos do âmbito dos meios de comunicação social, em especial nas dimensões éticas da comunicação entre as pessoas».

«É importante que esta formação jamais seja considerada como um simples exercício técnico ou como mero desejo de dar informações», advertiu; «é oportuno que seja muito mais um convite a promover a verdade na informação e a fazer nossos contemporâneos refletirem sobre os acontecimentos».

O «compromisso com as questões da verdade» deve centrar toda reflexão sobre a comunicação humana; «um comunicador pode tentar informar, educar, entreter, convencer, consolar, mas o valor final de qualquer comunicação reside em sua veracidade», afirmou o Papa.

Longe de «promover os objetivos e os propósitos do comunicador ou daqueles para quem trabalha sem considerar a verdade», «a arte da comunicação está por natureza ligada a um valor ético, às virtudes que são o fundamento da moral», refletiu.

Professor universitário durante um longo tempo, o Papa Joseph Ratzinger falou aos docentes animando-os a alimentar e recompensar «a paixão pela verdade e a bondade que sempre é forte nos jovens».

«Mas ensinai-os também que a própria paixão pela verdade, que igualmente pode ajudar-se de certo ceticismo metodológico, em particular em questões de interesse público, não deve distorcer-se nem converter-se em um cinismo relativista – acrescentou –, segundo o qual toda apelação à verdade e à beleza é habitualmente rejeitada ou ignorada.»

Quanto à identidade de uma universidade católica, não é o número de estudantes de tal fé o que a determina, recordou Bento XVI, mas sua «convicção»: «crer verdadeiramente que só no mistério do Verbo feito carne se esclarece o mistério do homem».

Desta forma, a fé permite uma aproximação mais ampla do campo da comunicação humana, que «não é um simples produto de uma mera e fortuita casualidade ou de nossas capacidades», apontou.

Da revelação bíblica se desprende – exemplificou – que a comunicação «reflete mais nossa participação no Amor trinitário criativo, comunicativo e unificador que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo».

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Nos EUA Papa fala sobre a liberdade religiosa e o diálogo inter-religioso

VATICANO - Papa Bento XVI nos Estados Unidos - “A liberdade religiosa, o diálogo inter-religioso e a fé visam algo mais do que um consenso, voltado a identificar estradas para atuar estratégias concretas e progredir a fé”

Washington (Agência Fides) - Encerrado o encontro com o mundo universitário católico, o Santo Padre Bento XVI visitou o "Pope John Paul II Cultural Center" para encontrar os Representantes de outras Religiões (judeus, muçulmanos, budistas e jainístas). “Este País tem uma longa história de colaboração entre as diversas religiões, em muitos campos da vida pública” - destacou o Santo Padre em seu discurso, exortando todos os grupos religiosos “a perseverar em sua colaboração” e a enriquecer assim a vida pública com os valores espirituais que animam sua ação no mundo.

“Os americanos sempre apreciaram a possibilidade de praticar seus cultos livremente em conformidade com sua consciência” - prosseguiu o Papa, citando Alexis de Tocqueville, o historiador Frances e estudiosos de temas americanos, que era fascinado por este aspecto da Nação. “Nas áreas urbanas, é comum que pessoas provenientes de regiões culturais e religiosas diversas se empenhem todos os dias, uns ao lado dos outros, em ambientes comerciais, sociais e educativos. Hoje, jovens cristãos, judeus, muçulmanos, hindus, budistas e crianças de todas as religiões, nas salas de aula de todo o país se sentam lado a lado, aprendendo uns com os outros e uns dos outros. Esta diversidade dá lugar a novos desafios, que suscitam uma profunda reflexão sobre os princípios fundamentais de uma sociedade democrática”.

O Santo Padre destacou que “o dever de defender a liberdade religiosa nunca foi completado” e explicou que “tutelar a liberdade religiosa nas normas da lei não garante que povos, e de modo especial, minorias, sejam poupadas de injustas formas de discriminação e preconceitos. Isto requer um esforço constante por parte de todos os membros da sociedade, a fim de garantir que aos cidadãos seja oferecida a oportunidade de exercer o culto pacificamente e transmitir seu patrimônio religioso a seus filhos. A transmissão das tradições religiosas às gerações que se sucedem não apenas ajuda a preservar um patrimônio, mas sustenta e alimenta a cultura atual, que o circunda. A mesma coisa vale em relação ao diálogo inter-religioso. Seja aqueles que participam, seja a sociedade, são enriquecidos. Na medida em que crescemos na compreensão uns dos outros, vemos que compartilhamos estima pelos valores éticos, obtidos por meio da razão humana, que são venerados por todas as pessoas de boa-vontade. O mundo pede insistentemente um comum testemunho destes valores”. Em seguida, Bento XVI convidou todas as pessoas religiosas a considerar o diálogo não apenas como meio para reforçar a compreensão recíproca, mas como modo para servir, de modo mais amplo, a sociedade.

Após citar a contribuição das escolas confessionais à construção de uma sociedade respeitosa de práticas religiosas de todos, o Papa destacou “a enorme responsabilidade” dos líderes religiosos: “Eles devem permear a sociedade com um profundo temor e respeito pela vida humana e a liberdade; garantir que a dignidade humana seja reconhecida e apreciada; facilitar a paz e a justiça; ensinar às crianças aquilo que é justo, bom e razoável”.

“Enquanto unimos sempre nossos corações e mentes na busca da paz - disse ainda o Pontífice - devemos também ouvir com atenção a voz da verdade. Deste modo, nosso diálogo não se limita a identificar um conjunto comum de valores, mas prossegue, indagando o seu fundamento final”.

“Enquanto unimos sempre nossos corações e mentes na busca da paz - disse ainda o Pontífice - devemos ainda ouvir com atenção a voz da verdade. Deste modo, nosso diálogo não se limita a identificar um conjunto comum de valores, mas prossegue adiante para seu fundamento final”. Bento XVI destacou como “o mais importante objetivo do diálogo inter-religioso”, requer uma clara exposição das respectivas doutrinas religiosas, que pode encontrar espaço adequado em colégios, universidades e centros de estudo, enquanto a Santa Sé, por sua vez, tenta levar adiante este importante trabalho através do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, o Pontifício Instituto para Estudos Árabes e Islamística, várias Universidades Pontifícia.
O Papa concluiu seu discurso auspiciando que os fiéis de todas as religiões se unam “para defender e promover a vida e a liberdade religiosa em todo o mundo”, e desta forma, possam ser “instrumentos de paz para toda a família humana”.

No final de Sua vida ao "Pope John Paul II Cultural Center", o Papa dirigiu uma breve saudação na Polish National Room, aos representantes da Comunidade judaica e lhes entregou uma Mensagem de augúrio por ocasião da Pessach, festividade da Páscoa judaica, que se inicia sábado, 19 de abril.

(S.L.) (Agência Fides 18/4/2008)