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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Levantamento de excomunhões procura sanar um cisma, precisa Cardeal Castrillón



ROMA, 10 Fev. 09 / 06:02 pm (ACI).- O Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Cardeal Darío Castrillón Hoyos, precisou que o levantamento da excomunhão aos 4 bispos ordenados pelo arcebispo Marcel Lefebvre, procurava antes de mais nada sanar um cisma; e não tinha a intenção, em nenhum caso, de apoiar as teses negacionistas do bispo Williamson.

Em uma entrevista concedida a RCN, o Cardeal ressaltou, perguntado pela atual sitaução logo do levantamento das excomunhões aos 4 bispos lefebvristas, que "sempre tive a verdade como norma. O Santo Padre conhece isso. Nós continuamos adiante tratando de que se reconstrua esta unidade da Igreja e termine totalmente este cisma".

Seguidamente, o Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, criada por João Paulo II para o diálogo com os lefebvristas, precisou que "o importante neste momento é que o Papa parou um cisma. A caridade que Cristo queria que houvesse na Igreja se há notavelmente restabelecido e se abrem vias de esperança".

Ao mostrar seu rechaço às teses negacionistas de um destes 4 bispos, o britânico Richard Williamson, o Cardeal Castrillón assinalou que "o Santo Padre rechaça totalmente o que se fez na Alemanha contra o povo judeu. Não aceita nada que seja uma ofensa contra o povo judeu. Temos por eles amor. Não esquecemos nunca que Jesus era judeu, Maria era judia e os apóstolos eram judeus".

"Como todo homem honesto do mundo rechaçamos visceralmente o que ocorreu aí (no holocausto). Como cristão o rechaço e como católico me uno às teses de nossa Igreja, que pede que não se esqueça, para que a humanidade não repita atrocidades semelhantes", adicionou.

O Cardeal reiterou logo "o rechaço a toda forma de anti-semitismo e a asseveração histórica de que lamentamos os horrores do holocausto".

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15293

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Papa pede a lefebvristas reconhecer o Concílio Vaticano II

VATICANO, 28 Jan. 09 / 12:25 pm (ACI).- Depois do gesto de magnanimidade e misericórdia do Papa Bento XVI ao levantar a excomunhão dos 4 bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre, o Santo Padre solicitou aos lefebvristas aceitar o Concílio Vaticano II.

Ao concluir a Audiência Geral, Bento XVI se referiu ao decreto dado a conhecer no sábado 24 de janeiro no que se revoga a excomunhão aos "quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre sem mandato pontifício".

O Papa indicou que "realizei este ato de paterna misericórdia porque estes prelados me tinham manifestado várias vezes seu vivo sofrimento pela situação em que se encontravam".

Do mesmo modo, Bento XVI manifestou seu desejo de que "este meu gesto seja correspondido pelo compromisso solícito por parte deles de dar os ulteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja, testemunhando assim verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II".

Papa explica levantamento das excomunhões


http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=68692

Bento XVI explicou hoje a sua decisão de levantar as excomunhões aos quatro Bispos ordenados em 1988 por mons. Lefebvre, sem mandato pontifício, falando num “acto de misericórdia paterna”.

O Papa revelou na audiência geral desta Quarta-feira que espera agora, da parte dos destinatários desta decisão, “posteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja”.

Em particular, Bento XVI falou na necessidade de testemunharem “verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento pelo magistério e a autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II”.

Os Bispos em causa são D. Bernard Fellay, D. Bernard Tissier de Mallerais, D. Richard Williamson e D. Alfonso de Galarreta.

O Papa lembrou as palavras pronunciadas na Missa do seu início de ministério, em Abril de 2005, na qual falava do chamamento à unidade: “Alegremo-nos pela tua promessa, que não desilude, e façamos o possível para percorrer o caminho rumo à unidade, que tu prometeste. (...) Não permitas que a tua rede se rompa e ajuda-nos a ser servos da unidade”, repetiu hoje Bento XVI.

No “cumprimento específico deste ministério”, frisou o Papa, decidiu levantar as excomunhões porque “estes prelados manifestaram, repetidamente, o seu vivo sofrimento pela situação em que encontravam”.

Papa explica por que revogou excomunhão dos bispos lefebvristas

Augura que por parte deles «continue o empenho» de «chegar à plena comunhão com a Igreja»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa pessoalmente explicou hoje, durante a audiência geral, por que decidiu revogar a excomunhão dos bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre, tal como a Santa Sé deu a conhecer no sábado passado, 24 de janeiro.

Foi, explicou, um «ato de misericórdia paterna», em cumprimento do «serviço à unidade» próprio do «ministério do Sucessor de Pedro», e acrescentou que «espera um empenho» por parte destes bispos «para chegar à plena comunhão».

Ao término da audiência geral, e em meio às saudações aos diferentes grupos de peregrinos reunidos na Sala Paulo VI, o próprio Papa leu três comunicados, o primeiro sobre a eleição do novo patriarca de Moscou.

No segundo, o Papa se referiu à revogação da excomunhão dos quatro bispos, recordando algumas palavras da primeira homilia de seu pontificado, nas quais afirmou que é «explícito» dever do pastor «o chamado à unidade».

Referiu-se a suas próprias palavras comentando a passagem evangélica da pesca milagrosa: «’ainda que havia tantos peixes, a rede não se rompeu’, e prossegui após estas palavras evangélicas: ‘Ai de mim, amado Senhor, esta – a rede – agora está arrebentada, queríamos dizer com dor’. E continuei: ‘Mas não – não devemos estar tristes! Alegremo-nos por vossa promessa que não decepciona e façamos todo o possível para percorrer o caminho rumo à unidade que vós prometestes... Não permitais, Senhor, que vossa rede se rompa e ajudai-nos a ser servidores da unidade’».

«Precisamente em cumprimento deste serviço à unidade, que qualifica de modo específico meu ministério de Sucessor de Pedro, decidi há dias conceder a remissão da excomunhão em que haviam incorrido os quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Lefebvre sem mandato pontifício», declarou.

O Papa explicou que o motivo deste «ato de misericórdia paterna» foi que «repetidamente estes prelados me manifestaram seu vivo sofrimento pela situação na qual se encontravam».

Contudo, recordou que este ato não supõe ainda a reintegração à comunhão plena e confiou em que, «a este gesto meu siga o solícito empenho de sua parte por levar a cabo ulteriores passos», entre eles «o verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II».

Sobre a Shoá

Logo depois, o Papa leu um terceiro comunicado no qual expressou sua firme condenação do Holocausto, e expressou sua solidariedade com o povo hebreu. Nele expressou seu desejo de que «a Shoá seja para todos advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo».

Com estas palavras, ainda que sem mencionar explicitamente, o Papa saia ao passo das polêmicas declarações de um dos quatro bispos a quem se levantou a excomunhão, Dom Richard Williamson, que havia negado a existência do Holocausto em uma entrevista concedida à televisão sueca.

O próprio Papa quis dar seu testemunho pessoal, recordando «as imagens recolhidas em minhas repetidas visitas a Auschwitz, um dos lugares nos quais se consumou o brutal massacre de milhões de hebreus, vítimas inocentes de um cego ódio étnico e religioso».

As declarações de Dom Williamson haviam sido comentadas nestes dias como «inaceitáveis» e «ignominiosas» por vários cardeais da Cúria Romana, assim como pela Conferência Episcopal Suíça.

Precisamente ontem, Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade de São Pio X, emitia um comunicado no qual pedia perdão ao Papa por tais declarações.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Revogação de excomunhão a «lefebvristas», «início» no «final» de um caminho

Afirma o cardeal Jean-Pierre Ricard, membro da Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei»

BORDÉUS, terça-feira, 27 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O levantamento da excomunhão imposta em 1988 aos 4 bispos ordenados ilegitimamente pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, divulgado pela Congregação para os Bispos em 24 de janeiro passado, «não é o final, mas o começo de um processo de diálogo», no qual ainda restam questões a serem esclarecidas.

Assim afirmou o cardeal Jean-Pierre Ricard, arcebispo de Bordéus e membro da Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei», em uma declaração divulgada pela Conferência Episcopal Francesa, também em 24 de janeiro passado.

Segundo o purpurado, ainda falta regular duas questões fundamentais para que o cisma possa ser considerado terminado: por um lado, «a integração da estrutura jurídica da Fraternidade de São Pio X na Igreja», e por outro, «um acordo em questões dogmáticas e eclesiológicas».

Entre estes temas a debater, o cardeal Ricard se referiu à questão do Concílio Vaticano II como «texto magisterial de primeira importância. Isso é fundamental».

O cardeal Ricard aludiu a outras questões de tipo cultural e político: «As últimas declarações, inaceitáveis, de Dom Williamson negando o drama do extermínio dos judeus são um exemplo disso», afirmou.

«O caminho será longo, sem dúvida, e exigirá um melhor conhecimento e estima mútuos. Mas o levantamento da excomunhão permitirá percorrê-los juntos», acrescentou.

Esta excomunhão foi revogada, explica o cardeal Ricard, após vários pedidos neste sentido por parte de Dom Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X, «especialmente após uma carta dirigida ao cardeal Castrillón Hoyos, em 15 de dezembro passado, em nome dos 4 bispos afetados».

«Ele faria o mesmo, com a possibilidade de todo sacerdote de celebrar a Missa com o Missal de São Pio V, uma das duas condições prévias à abertura de um diálogo com Roma. Ele havia feito seus fiéis rezarem por esta intenção», acrescenta o purpurado.

O arcebispo de Bordéus explica também que Bento XVI «quis ir o mais longe possível com a mão estendida, como convite a uma reconciliação», desde sua missão de fazer o possível «por voltar a tecer os fios arrebentados da unidade eclesial».

«O Papa, teólogo e historiador de teologia, sabe o drama que um cisma representa na Igreja. Compreende a questão que com frequência surge na história dos cismas: realmente foram colocados todos os meios para evitá-los?», acrescenta.

Não se deve esquecer, conclui, «que o Papa conhece bem o caso, pois João Paulo II lhe encarregou de colocar-se em contato com Dom Lefebvre para tentar impedir que cometesse o ato irremediável das consagrações episcopais».

«O então cardeal Ratzinger ficou marcado pelo fracasso de sua missão», acrescentou.

O purpurado mostrou sua confiança em que «a dinâmica suscitada pela revogação da excomunhão ajude a colocar em andamento o diálogo querido pelo Papa», e pediu aos fiéis que «rezem pela unidade dos cristãos».

«Não esqueçamos que o caminho mais seguro para avançar na unidade dos discípulos de Cristo continua sendo a oração», conclui.

O Pe. Lombardi comenta em Rádio Vaticano a suspensão das excomunhões

VATICANO, 25 Jan. 09 / 10:34 pm (ACI).- O Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, comentou este sábado, através de Rádio Vaticano, a decisão do Papa Bento XVI de levantar a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos ordenados sem consentimento da Sé Apostólica por Dom Marcel Lefebvre.

“A Semana de oração para a unidade dos cristãos se conclui com uma formosa notícia, que auguramos seja fonte de gozo em toda a Igreja. O levantamento da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade sacerdotal São Pio X é em efeito um passo fundamental para alcançar a reconciliação definitiva com o movimento iniciado e guiado por Dom Marcel Lefebvre”.

“Para compreender o significado deste passo -explicou o Pe. Lombardi-, voltam imediatamente para a mente as palavras do Papa Bento XVI em sua carta de introdução ao Motu Próprio Summorum Pontificum de 7 de julho de 2007, quando escrevia que ao olhar no passado as divisões que no curso dos séculos rasgaram o Corpo de Cristo faz pensar que com freqüência as omissões da Igreja provocaram a consolidação das divisões. Assim, escrevia o Papa: ‘temos a obrigação de fazer todos os esforços para que todos aqueles que verdadeiramente têm o desejo da unidade, seja-lhes possível permanecer nesta unidade ou voltar a encontrá-la... Abramos generosamente nosso coração ...’”, citou o Porta-voz da Santa Sé.

“O Cardeal Ratzinger -prosseguiu- foi protagonista das relações com Dom Lefebvre em 1988 e já após tinha tratado de fazer tudo quanto foi possível para servir à união da Igreja. Então não foi suficiente e as consagrações episcopais de 30 de junho daquele ano, realizadas sem mandato pontifício, criaram uma situação de grave ruptura”.

“Mas a Comissão Ecclesia Dei, constituída por João Paulo II naquela circunstância, trabalhou com paciência para manter abertas as vias do diálogo e distintas comunidades unidas de diversos modo ao movimento Lefebvrista puderam já, no curso dos anos, voltar a recuperar a plena comunhão com a Igreja católica”, adicionou.

Entretanto, “a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com quatro bispos, seguia sendo, em todo caso, a comunidade mais importante com a qual restabelecer a comunhão. Bento XVI manifestou que de maneira indubitável seu compromisso por fazer tudo o possível para alcançar este objetivo. Lembremos naturalmente acima de tudo o Motu Proprio Summorum Pontificum sobre o rito para a celebração da Missa, mas podemos também lembrar o documento da Congregação da Doutrina da Fé que esclarecia alguns pontos discutidos da doutrina eclesiológica do Concílio Vaticano II, assim como algumas grandes intervenções sobre a correta hermenêutica do mesmo Concílio, em continuidade com a tradição".

“Tudo isto –prosseguiu o Pe. Lombardi- criou naturalmente um clima favorável, no que os bispos da Fraternidade São Pio X pediram o levantamento da excomunhão testemunhando explicitamente sua vontade de estar na Igreja católica romana e de acreditar firmemente no primado do Pedro”.

Por eles, “é formoso que o levantamento da excomunhão tenha lugar no iminente 50º aniversário do anúncio do Concílio Vaticano II, de maneira que este evento fundamental não possa agora ser jamais considerado como um motivo de tensão; mas sim de comunhão".

“O texto do decreto põe em evidência que, de por si, está-se ainda em caminho para a plena comunhão, da que o Santo Padre deseja a solícita realização. Por exemplo, aspectos como o estatuto da Fraternidade e dos sacerdotes que pertencem a ela não são definidos no decreto publicado hoje”, adicionou.

“Mas a oração da Igreja está toda ela unida a do Papa, para que se supere logo toda dificuldade e se possa falar de comunhão em sentido pleno e sem incerteza alguma”, concluiu.

L'Osservatore Romano: Gesto de misericórdia do Papa deve alentar acatamento do Vaticano II

ROMA, 25 Jan. 09 / 05:35 pm (ACI).- O editorial deste domingo de L'Osservatore Romano, titulado "O Vaticano II e o gesto de paz do Papa", destaca que a decisão de Bento XVI de levantar a excomunhão aos 4 bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre é um "gesto de misericórdia" que deve alentar aos membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a acatar o Concílio Vaticano II que "após meio século de seu anúncio está vivo na Igreja".

No texto se lembra que "faz meio século, em 25 de janeiro de 1959, o anúncio do Vaticano II por parte de João XXIII foi uma grande surpresa, que ultrapassou os limites visíveis da Igreja Católica. Já no dia seguinte o Arcebispo de Milão –que em 1963 se converteria em Paulo VI– definiu o futuro Concilio como um 'acontecimento histórico de enorme grandeza', quer dizer 'grande hoje, amanhã, grande para os povos e para os corações humanos, grande para toda a Igreja e para toda a humanidade'".

Paulo VI, prossegue a nota editorial, seguindo os passos de João XXIII "viu rapidamente e com claridade, as perspectivas históricas e religiosas do Vaticano II: a mais vasta assembléia celebrada na história foi intuída e aberta por um Papa de 78 anos, um século depois da interrupção do Vaticano I (querido por Pio IX quase na mesma idade), levando com valor a sua realização uma idéia já ventilada sob o Pontificado de Pio XI e Pio XII".

Seguidamente a nota, assinada pelo diretor do jornal do Vaticano, Giovanni Maria Vian, explica que a aplicação do Concílio Vaticano II não foi fácil "pela incidência das decisões conciliar na vida da Igreja, na liturgia, na missão, nas relações com as outras confissões cristãs, com o judaísmo, com as outras religiões, com a afirmação da liberdade religiosa, na atitude para o mundo".

"O último Papa, Bento XVI, ao ter participado plenamente e com paixão –como um teólogo novíssimo– no concílio, delineou em 2005 a interpretação católica do Vaticano II: um acontecimento que é lido não na lógica de uma discontinuidade que, absolutizando-o, isolaria-o da tradição; senão na da reforma, que o abre ao futuro. Um concílio que, como todos os outros, deve inserir-se na história e não ser mitificado, inseparável de seus textos, que propriamente do ponto de vista histórico não podem ser contrapostos a um suposto 'espírito' do Vaticano II".

O editorial, cuja data coincide além com a Festa da Conversão de São Paulo, resenha logo que "os bons frutos do Concílio são inumeráveis e entre estes aparece agora o gesto de misericórdia relacionado aos bispos excomungados em 1988".

"Um gesto –continua– que João XXIII e seus sucessores teriam gostado muito, em um oferecimento limpo que Bento XVI, Papa de paz, quis fazer público ao coincidir o aniversário do anúncio do Vaticano II, com a intenção clara de ver logo sanada uma fratura dolorosa. Intenção que não será ofuscada por inaceitáveis opiniões negacionistas e atitudes para o judaísmo de alguns membros da comunidade aos que o Bispo de Roma tende a mão".

Finalmente, a nota precisa que "após meio século do anúncio, o Vaticano II está vivo na Igreja. Assim também o Concílio fica em mãos de todo fiel para que mais forte e claro seja o testemunho no mundo de quantos acreditam em Cristo".

domingo, 25 de janeiro de 2009

DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS REABILIDA BISPOS DA FSSPX

DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS

Com carta de 15 de Dezembro de 2008 endereçada a Sua Eminência o Sr. Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Mons. Bernard Fellay, também em nome dos outros três bispos consagrados em 30 de Junho de 1988, solicitava novamente a remoção da excomunhão latae sententiae formalmente declarada por Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos em data de 1° de Julho de 1988. Na mencionada carta, Mosenhor Fellay afirma, entre outras coisas: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Nós aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

Sua Santidade Bento XVI - paternamente sensível ao desconforto espiritual manifestado por pelos interessados por causa da sanção de excomunhão, e confiando no compromisso expresso por eles na cidade carta de não poupar esforço algum para aprofundar as questões ainda abertas em necessárias conversações com as Autoridades da Santa Sé, e poder assim chegar rapidamente a uma plena e satisfatória solução do problema existente em princípio, decidiu reconsiderar a situação canônica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, relativa a sua sagração episcopal.

Este ato expressa o desejo de consolidar as relações recíprocas de confiança, intensificar e fazer mais estáveis as relações da Fraternidade São Pio X com a Sé Apostólica. Este dom de paz, ao término das celebrações do Natal, aspira também a ser um sinal para promover a unidade na caridade da Igreja universal, e por seu meio, retirar o escândalo da divisão.

Desejando que este passo seja seguido sem demoras da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, em testemunho de uma verdadeira fidelidade e de um verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa através da prova da unidade visível.

Conforme as faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, revogo dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfons de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação em 1 de julho de 1988 e declaro privado de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o Decreto então publicado.

Roma, Sagrada Congregação para os Bispos, 21 de janeiro de 2009.

Cardeal Giovanni Batista Re
Prefeito da Sagrada Congregação para os Bispos


Fonte: http://fratresinunum.wordpress.com/2009/01/24/esta-consumado-decreto-da-congregacao-para-os-bispos/

Bispos da FSSPX são reintegrados à comunhão católica

COMUNICADO DA SALA DE IMPRENSA DA SANTA SÉ

O Santo Padre, depois de um processo de diálogo entre a Sé Apostólica e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, representada pelo seu Superior Geral, S.E. Mons. Bernard Fellay, acolheu o pedido formulado novamente por esse Prelado em uma carta de 15 de Dezembro de 2008, também em nome dos outros três bispos da Fraternidade, S.E. Mons. Bernard Tissier de Mallerais, S.E. Mons. Richard Williamson e S.E. Mons. Alfonso del Gallareta, de revogar a excomunhão em que incorreram vinte anos atrás.

Por causa, realmente, da consagração episcopal feita, em data de 30 de junho de 1988, por S.E. Mons. Marcel Lefebvre, sem mandato pontifício, os quatro mencionados prelados incorreram em excomunhão latae sententiae, formalmente declarada pela Congregação para os Bispos, em data de 1 de Julho de 1988.

S.E. Mons. Bernard Fellay, na citada missiva, manifestava claramente ao Santo Padre que: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

Sua Santidade Bento XVI, que tem acompanhado desde o início este processo, sempre procurou recompor a fratura com a Fraternidade, também se encontrou pessoalmente com S.E. Mons. Bernard Fellay em 29 de agosto de 2005. Naquela ocasião, o Sumo Pontífice manifestou a vontade de proceder por graus e em prazo razoável em tal caminho, e agora, benignamente, com solicitude pastoral e paterna misericórdia, mediante decreto da Congregação para os Bispos de 21 de Janeiro de 2009, revoga a excomunhão que pesava sobre os mencionados prelados. O Santo Padre foi inspirado nessa decisão na esperança que se chegue em breve à completa reconciliação e à plena comunhão.

Fonte: http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/23250.php?index=23250&lang=po

sábado, 24 de janeiro de 2009

Diálogo com anglicanos e metodistas continua apesar das dificuldades

O ano de 2008 foi importante em contatos bilaterais

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Continua, apesar das dificuldades, o difícil diálogo com as confissões anglicana e metodista. Assim confirma o encarregado do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Mark Langham, em artigos publicados esta semana pelo L'Osservatore Romano.

Estes artigos fazem parte de uma série publicada ao longo desta semana pelo jornal vaticano por ocasião da Semana de Oração pela unidade dos Cristãos, que concluirá no próximo domingo.

Langham explica que 2008 foi significativo em ambos os casos pelo estabelecimento de contatos de tipo informal com destacados membros das duas confissões.

No caso dos anglicanos, explica, foi muito significativa a participação de uma delegação católica, encabeçada pelo cardeal Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos, na Conferência de Lambeth, o encontro que reúne a Comunhão Anglicana a cada dez anos.

Esta participação foi muito importante, dado que o diálogo entre as duas confissões se havia praticamente congelado em 2003, ao ter sido nomeado bispo da Igreja Episcopaliana de New Hampshire (EUA) um candidato abertamente homossexual. Esta decisão havia provocado também uma forte ruptura interna na Comunhão Anglicana.

Em Lambeth, explica Langham, o cardeal Kasper «pôde falar francamente sobre o doloroso impacto que este e outros acontecimentos (a ordenação de mulheres) provocaram no diálogo ecumênico». Outras intervenções trataram também sobre a questão ecumênica, ainda que inicialmente não era o tema da conferência.

Ainda que não tenham adotado resoluções ao respeito, explica Langham, isso foi importante frente às reuniões informais (informal talks) realizadas este ano, especialmente através do Centro Anglicano de Roma. Assegurar a unidade e a integridade da doutrina anglicana será o ponto fundamental que permitirá a reativação do diálogo oficial.

Com relação ao diálogo com os metodistas, Langham explica que durante este ano «continuaram os encontros cordiais», e assinalou especialmente o que aconteceu em novembro, em Dublin, entre o reverendo Geoffrey Wainwright e Dom Michael Ernest Putney, bispo católico de Townsville (Austrália).

Nesse encontro se aprovou o documento conjunto Together in Holliness (Juntos em santidade), que explica os passos dados durante os 40 anos de duração do diálogo metodista-católico. Apesar dos grandes desencontros em matéria doutrinal, ambas as partes se preparam para enfrentar uma nova etapa, de elaboração de um documento conjunto que será apresentado ao Conselho Metodista Mundial em sua próxima reunião de Durban (Austrália), em 2011.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Papa convida cristãos a trabalharem pelo ecumenismo

«A unidade está conectada com a própria missão da Igreja no mundo»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI interrompeu nesta quarta-feira o ciclo de catequeses que vem realizado sobre a vida e os ensinamentos do apóstolo São Paulo e dedicou a audiência de hoje a falar sobre o diálogo ecumênico, dada a coincidência com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

O Papa dedicou a catequese de hoje a refletir sobre a passagem de Ezequiel que se escolheu como lema desta semana e na qual o profeta toma os lenhos, símbolo do Israel dividido, para realizar uma profecia sobre sua reunião futura.

Em primeiro lugar, destacou que a questão da unidade dos cristãos não é secundária, mas que «está conectada com a vida e a própria missão da Igreja no mundo», como o próprio Cristo assinalou na Última Ceia.

A Igreja, afirmou, «deve viver uma unidade que só pode derivar de sua unidade com Cristo, com sua transcendência, como sinal de que Cristo é a verdade. Esta é nossa responsabilidade: que seja visível para o mundo o dom de uma unidade em virtude da qual nossa fé se torne crível».

Por isso, convidou reiteradamente os cristãos a que tomem «consciência da urgência de trabalhar de todas as formas possíveis para chegar a este grande objetivo».

Contudo, esta unidade plena necessita como condição prévia a «purificação» dos cristãos dos «elementos estranhos à fé» e uma «maior fidelidade à vocação de Deus».

«Na dispersão entre os gentios, os israelenses haviam conhecido cultos errôneos, haviam assimilado concepções de vida equivocadas, haviam assumido costumes alheios à lei divina», explicou o Papa. «A esta renovação devemos estar abertos também nós, porque também nós, dispersos entre os povos do mundo, aprendemos costumes muito distantes da Palavra de Deus.»

«O ecumenismo verdadeiro não existe sem a conversão interior, porque o desejo da unidade nasce e amadurece na renovação da mente, na abnegação de si mesmo e no exercício pleno da caridade», acrescentou.

Passos realizados

O Papa assinalou também os «importantes gestos e passos» levados a cabo no caminho ecumênico.

«As relações entre as Igrejas e os diálogos teológicos continuaram dando sinais de convergências espirituais alentadoras», afirmou.

Por outro lado, destacou a transcendência das visitas de bispos e patriarcas ortodoxos e orientais a Roma, e especialmente a participação no passado Sínodo do patriarca ecumênico Bartolomeu I.

Também manifestou sua proximidade ao Patriarcado de Moscou, pela morte de Alexis II e a próxima eleição de seu sucessor.

Com relação às Comunhões Cristãs do Ocidente, o pontífice assinalou que «prossegue o diálogo sobre o importante testemunho que os cristãos devem dar hoje de forma concorde, em um mundo cada vez mais dividido e enfrentado tantos desafios de caráter cultural, social, econômico e ético».

Por último, o Papa convidou a tomar como modelo o apóstolo São Paulo, especialmente «seu anseio e dedicação ao único Senhor e à unidade de seu Corpo místico, a Igreja».

«Seguindo seu exemplo e contando com sua intercessão, que cada comunidade cresça no empenho da unidade, graças às diversas iniciativas espirituais e pastorais e às assembléias de oração comum, que costumam ser mais numerosas e intensas nesta ‘Semana’, fazendo-nos já saborear antecipadamente, de certa forma, o gozo da unidade plena», concluiu.

domingo, 30 de novembro de 2008

Papa constata avanço no diálogo com ortodoxos

Recorda Santo André, patrono do patriarcado de Constantinopla

CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI constatou com alegria os avanços que se dão no diálogo entre católicos e ortodoxos, ao celebrar neste domingo a festa do apóstolo Santo André, patrono do patriarcado ecumênico de Constantinopla.

O pontífice agradece a Deus ao constatar que as relações entre os filhos destas Igrejas se fazem cada vez mais profundas em uma mensagem enviada nesta data ao patriarca ecumênico Bartolomeu I.

Após rezar o Ângelus neste domingo, o Papa recordou os laços que unem Constantinopla com Roma, pois André, patrono do patriarcado ecumênico, era o irmão de Simão Pedro, primeiro bispo de Roma.

Por ocasião desta data, segundo a tradição, o Papa enviou a Istambul em visita ao patriarca uma delegação da Santa Sé, dirigida pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício da Promoção para a Unidade dos Cristãos.

Em sua mensagem ao patriarca, Bento XVI constata «com alegria e ação de graças que as relações entre nós estão entrando progressivamente em níveis mais profundos, enquanto renovamos nosso compromisso por continuar no caminho da oração e do diálogo».

«Confiamos em que nosso caminho comum chegue a esse dia bendito no qual louvaremos a Deus juntos e a uma celebração compartilhada da Eucaristia».

«A vida interior de nossas Igrejas e os desafios do mundo moderno exigem urgentemente este testemunho de unidade entre os discípulos de Cristo», conclui em sua mensagem ao patriarca.

Como sinal dos laços que se criaram entre Roma e Constantinopla, o Papa menciona as três visitas que no último ano fez à cidade eterna o Patriarca Bartolomeu I. A última foi para intervir, com um ato sem precedentes na história, no Sínodo dos Bispos, reunido no Vaticano, sobre a Palavra de Deus, durante o mês de outubro.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sínodo acolhe magistério de patriarca ortodoxo pela primeira vez

Apresentada uma proposição ao Papa sobre a intervenção de Bartolomeu I


CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 28 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus se converteu na primeira assembléia sinodal em acolher o magistério de um patriarca ortodoxo. 

A proposição 37 (das que o Sínodo adotou por pelo menos dois terços dos votos – o resultado exato da votação é secreto) recolhe o ensinamento que o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, apresentou aos padres sinodais. 

Em sua proposta ao Papa, os padres sinodais começam dando graças «a Deus pela presença e pelas intervenções dos delegados fraternos, representantes das demais Igrejas e comunidades eclesiais». 

No total, foram 11 e representaram o patriarcado de Constantinopla, o da Rússia, o de Romênia, o da Sérvia, a Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja Apostólica Armênia, a Comunhão Anglicana, a Federação Mundial Luterana, os Discípulos de Cristo e o Conselho Ecumênico das Igrejas. 

Os padres sinodais fazem referência particular à oração das Vésperas presidida pelo Papa Bento XVI junto a Sua Santidade Bartolomeu I na Capela Sistina, em 18 de outubro. 

«As palavras do patriarca ecumênico dirigidas aos padres sinodais permitiram experimentar uma profunda alegria espiritual e ter uma experiência viva de comunhão real e profunda, ainda que não seja perfeita; nelas experimentamos a beleza da Palavra de Deus, lida à luz da Sagrada Liturgia e dos Padres, uma leitura espiritual intensamente contextualizada em nosso tempo», diz a proposição aprovada pelo Sínodo. 

«Deste modo, vimos que recorrendo ao coração da Sagrada Escritura encontramos realmente a Palavra nas palavras; a Palavra abre os olhos dos fiéis para responder aos desafios do mundo atual», continuam dizendo os padres sinodais no enunciado. No total, aprovaram 55 proposições. 

«Também compartilhamos a experiência gozosa de ter padres comuns no Oriente e no Ocidente – acrescenta. Que este encontro se converta em estímulo para oferecer um ulterior testemunho de comunhão na escuta da Palavra de Deus e de súplica fervorosa ao único Senhor, para que se realize quanto antes a oração de Jesus: ‘Que todos sejam um’.»

O Papa se baseia, entre outras coisas, nas proposições aprovadas pelo Sínodo para a redação da exortação apostólica pós-sinodal. Em caso de que seja incluída esta proposição no documento, será a primeira vez que o magistério de um patriarca ortodoxo é acolhido explicitamente por este tipo de documentos magistrais da Igreja Católica. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Representante ortodoxo vê Papa como sinal de unidade entre cristãos

Intervenção do arquimandrita Ignatios D. Sotiriadis


CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O representante da Igreja Ortodoxa da Grécia reconheceu diante do Sínodo dos Bispos o papel do bispo de Roma como sinal de unidade entre os cristãos.

Assim expôs o arquimandrita Ignatios D. Sotiriadis, conselheiro da Representação da Igreja da Grécia na União Européia, ao tomar a palavra neste sábado na assembléia sinodal sobre a Palavra de Deus.

Sua relação foi a mais aplaudida na primeira semana de intervenções na sala do Sínodo.

«Santidade – disse –, nossa sociedade está cansada e doente! Procura, mas não encontra! Bebe, mas não se sacia! Exige de nós, os cristãos (católicos, ortodoxos, protestantes, anglicanos), um testemunho comum, uma voz unida! Esta é nossa responsabilidade como pastores das Igrejas no século 21!»

Deste modo, ele apresentou «a missão primária, histórica e extraordinária do primeiro bispo da cristandade, quem preside na caridade e, sobretudo, de um Papa que é Magister Theologiae (professor de teologia, N. do T.): ser sinal visível e paterno de unidade e guiar, sob a orientação do Espírito Santo e segundo a Sagrada tradição, com sabedoria, humildade e dinamismo, junto a todos os bispos do mundo, co-sucessores dos apóstolos, toda a humanidade a Cristo Redentor!”.

«Este é o desejo profundo de quem guarda no coração a nostalgia dolorosa da Igreja não dividida, Una, Sancta, Catholica et Apostolica! Assim como de quem, em um mundo sem Cristo, dirige-lhe, com paixão, com confiança filial e fé, mais uma vez, o grito dos apóstolos: Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna!», disse o arquimandrita.

Falando do tema da assembléia, o «delegado fraterno» reconheceu que a história da cristandade está cheia de crimes, pecados e erros. Então se questiona sempre o problema da interpretação autêntica da Palavra de Deus.

Ele disse também que não são suficientes as boas intenções para guiar o povo de Deus ao Reino prometido. É necessária a metanoia e a metamorfosis dos nossos fracos corações.

Neste contexto, ele concluiu afirmando que a Igreja vive da fonte da vida que é a Sagrada Escritura. Ela ensina à Europa secularizada o amor pela criação em perigo, o perdão e a reconciliação com quem quer começar uma nova vida, o respeito por toda pessoa humana, feita à imagem de Deus, assim como a paz, a justiça, a igualdade entre o homem e a mulher, judeu ou grego.

domingo, 24 de agosto de 2008

Bento XVI reafirma missão de servir à «unidade da única Igreja»

A profissão de fé de Pedro, fonte do ministério petrino

Por Inmaculada Álvarez

CASTEL GANDOLFO, domingo, 24 de agosto de 2008 (ZENIT.org).- «A missão de Pedro e de seus sucessores é precisamente servir à unidade da única Igreja de Deus», explicou hoje o Papa aos peregrinos congregados no pátio do palácio apostólico de Castel Gandolfo para a oração do Ângelus.

Bento XVI dedicou sua reflexão ao evangelho de hoje, que relata a profissão de fé do apóstolo Pedro, a aprofundar no «ministério petrino» e na sua «particular missão» em relação com a unidade da Igreja.

O Papa citou o diálogo entre Jesus e Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. A esta inspirada profissão de fé por parte de Pedro, Jesus replica: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. A ti darei as chaves do reino dos céus».

«Foi a primeira vez que Jesus fala da Igreja, cuja missão é a atualização do desenho grandioso de Deus de reunir em Cristo à humanidade inteira em uma única família», explicou.

Neste sentido, acrescentou, «a missão de Pedro e de seus sucessores é precisamente servir a esta unidade da única Igreja de Deus formada por judeus e pagãos».

«O ministério indispensável de Pedro é o de fazer que a Igreja não se identifique nunca com uma só nação, com uma só cultura, mas que seja a Igreja de todos os povos, para fazer presente entre os homens, marcados por numerosas divisões e contrastes, a paz de Deus e a força renovadora de seu amor».

«Servir portanto à unidade interior que provém da paz de Deus, a unidade de todos que em Jesus Cristo se converteram em irmãos e irmãs: esta é a missão peculiar do Papa, bispo de Roma e sucessor de Pedro», explicou o Papa.

Bento XVI confiou aos presentes que esta tarefa comporta uma «enorme responsabilidade», frente à qual ele mesmo necessita ser sustentado pela oração dos fiéis.

«Advirto cada vez mais o compromisso e a importância do serviço à Igreja e ao mundo que o Senhor me confiou. Por isto vos peço, queridos irmãos e irmãs, que me sustenteis com vossa oração, para que, fiéis a Cristo, possamos juntos anunciar e testemunhar sua presença neste nosso tempo», disse o Papa aos presentes.

Por outro lado, o Papa se referiu à pergunta que Jesus dirige a seus discípulos, «e vós, quem dizeis que eu sou?», afirmando que esta pergunta «se dirige a nós, cristãos, mas ao mesmo tempo a todo homem e mulher».

A Igreja continua hoje repetindo a solene profissão de Pedro, acrescenta o Papa. «Sim, Jesus, tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo! O fazemos com a consciência de que Cristo é o verdadeiro «tesouro» pelo qual vale a pena sacrificar tudo».

«Ele é o amigo que nunca nos abandona, porque conhece as esperanças mais íntimas de nosso coração. Jesus é o «Filho do Deus vivo», o Messias prometido, vindo à terra para oferecer à Humanidade a salvação e para satisfazer a sede de vida e amor que habita em todo ser humano».

«Que benefício teria a humanidade se acolhesse este anúncio que traz consigo a alegria e a paz!», acrescentou o Papa.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ordem que foi próxima do arcebispo Lefebvre anuncia comunhão com Roma

Os Redentoristas Transalpinos, com sede central na ilha da Escócia

ROMA, segunda-feira, 14 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O Frei Michael Mary, C.SS.R., vigário geral dos Redentoristas Transalpinos, com sede central em uma ilha escocesa, que em sua história recebeu ajuda do arcebispo Marcel Lefebvre e da fraternidade sacerdotal de São Pio X, anunciou pela internet sua comunhão com Roma.

O anúncio acontece em uma carta apresentada no site da Ordem, (http://www.papastronsay.com) e publicada em seu próprio blog (http://papastronsay.blogspot.com).

A ordem celebra a Eucaristia segundo o rito precedente à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II.

O anúncio explica que este passo aconteceu depois que em «18 de junho passado, diante do cardeal Darío Castrillón e dos membros da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, em Roma, eu pedira humildemente à Santa Sé, em meu nome e em nome do conselho do mosteiro, que as sanções sacerdotais fossem suspensas».

«Em 26 de junho, recebi oralmente a mensagem que afirmava que a Santa Sé apoiou nossa petição. Todas as censuras canônicas foram suspensas», anuncia.

«Estamos profundamente agradecidos ao nosso Santo Padre, Bento XVI, por ter publicado em julho do ano passado o Motu Proprio Summorum Pontificum, que nos convidou a uma comunhão serena com ele», afirma o vigário.

«Agora temos esta serena comunhão! É uma pérola de grande valor; um tesouro escondido no campo; uma doçura que não pode ser imaginada por aqueles que não a provaram.»

«Seu valor não pode ser expresso plenamente com a linguagem humana, e por esse motivo esperamos que todos os sacerdotes tradicionalistas que ainda não o fizeram, respondam ao convite do Papa Bento XVI para desfrutar da graça da serena comunhão com ele.»

Pensando no futuro, segundo explica, «o próximo passo será erigir canonicamente nossa comunidade».

Originalmente baseada em Joinville, França, a ordem se trasladou à ilha de Sheppey, Kent, e de maneira permanente em Papa Stronsay, pequena ilha do norte de Escócia, em 1999. Vivem no mosteiro de Golgotha e publicam «The Catholic».

A ordem estabeleceu recentemente um segundo mosteiro na cidade de Christischurch, Nova Zelândia, cujo blog também divulgou o anúncio da comunhão com Roma.

Sua regra se baseia na de Santo Alfonso Maria de Ligório, mas não tem laços hierárquicos com a ordem Redentorista.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Patriarca Bartolomeu I expressa esperança na unidade

Durante a Missa celebrada ontem na Basílica de São Pedro

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 30 de junho de 2008 (ZENIT.org).- O Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, expressou seu «verdadeiro desejo» de que se superem o quanto antes os obstáculos para alcançar a unidade da Igreja, durante a homilia pronunciada na Missa presidida pelo Papa na Basílica de São Pedro, ontem pela manhã, por ocasião da Solenidade de São Pedro e São Paulo.

«O Diálogo teológico entre nossas Igrejas, 'na fé, na verdade e no amor', graças à ajuda divina, segue adiante, muito além das notáveis dificuldades que subsistem e das importantes problemáticas», afirmou o Patriarca.

«Desejamos verdadeiramente e rezamos muito por isso: que estas dificuldades sejam superadas e que os problemas se desvaneçam o mais rapidamente possível, para alcançar o objeto de desejo final, para a glória de Deus».

O Patriarca, que pronunciou a homilia junto com o Papa Bento XVI, manifestou a importância que a Solenidade de São Pedro e São Paulo tem também para a Igreja do Oriente, que a celebra com um jejum nos dias precedentes.

Ambos os santos, «o Oriente os honra habitualmente também através de um ícone comum, no qual ou têm em suas santas mãos um pequeno veleiro, que simboliza a Igreja».

Este gesto de comunhão, o beijo santo da paz, é o que «precisamente viemos trocar convosco, Santidade, sublinhando o ardente desejo em Cristo e o amor, coisas estas que nos cabe viver perto uns dos outros», acrescentou.

Como gesto de comunhão, aludiu também ao Ano Paulino convocado pela Igreja Ortodoxa, a qual organizou uma peregrinação pelos lugares do Oriente vinculados ao ministério de São Paulo.

«Estai seguro, Santidade, de que neste sagrado trajeto estais presente também Vós, caminhando conosco em espírito, e que em cada lugar elevaremos uma ardente oração por Vós e por nossos irmãos da venerável Igreja Romano-Católica, dirigindo uma forte súplica à intercessão do divino Paulo ao Senhor por Vós».

O Patriarca concluiu com uma oração para que, por intercessão dos Apóstolos Pedro e Paulo, Deus «conceda a nós e a todos os filhos, de todas as partes do mundo, da Igreja Ortodoxa e Romano-Católica, aqui embaixo, a «união da fé e a comunhão do Espírito Santo» no 'vínculo da paz', e lá em cima, a vida eterna e a grande misericórdia».

terça-feira, 24 de junho de 2008

Patriarca de Constantinopla pronunciará homilia com Papa

Em 29 de junho, solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 24 de junho de 2008 (ZENIT.org).- No próximo domingo, 29 de junho, solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo, Bento XVI celebrará a Eucaristia na Basílica de São Pedro, no Vaticano, com a participação do patriarca ecumênico de Constantinopla, Sua Beatitude Bartolomeu I.

O Papa e o símbolo da unidade entre as igrejas ortodoxas pronunciarão a homilia, recitarão juntos a profissão de fé e ministrarão a bênção.

O patriarca ecumênico será acolhido pelo Santo Padre na entrada da basílica. Como é tradicional, concelebrarão com o Papa os novos arcebispos metropolitanos nomeados neste último ano e durante a solene celebração o pontífice lhes imporá o pálio sagrado.

sábado, 10 de maio de 2008

Patriarca Karekin II: Igreja católica e armênia juntas pelos direitos humanos

Ressurge a Igreja apostólica da primeira nação cristã da história

Por Mirko Testa

ROMA, sexta-feira, 9 de maio de 2008 (ZENIT.org).- A Igreja católica e a armênia, ainda que não tenham conseguido a unidade plena, têm o dever de unir cada vez mais seus esforços em defesa dos direitos humanos e da paz, disse nesta sexta-feira Sua Santidade Karekin II, patriarca supremo e catholicos de todos os armênios.

Em uma coletiva de imprensa, celebrada em Roma na sede da «Rádio Vaticano», poucas horas depois de ter sido recebido em audiência por Bento XVI, o chefe da Igreja Armênia sublinhou o ótimo estado de saúde das relações entre as duas Igrejas.

Lendo uma mensagem em inglês aos jornalistas presentes, o patriarca repassou brevemente a historia da Armênia, o primeiro país oficialmente cristão da história, e o primeiro em ter padecido um genocídio moderno no século XX, entre 1915 e 1922, nas mãos dos turcos.

Segundo algumas fontes, fala-se de um milhão e meio de vítimas, de dois milhões de deportados e de mais de 500 mil pessoas que tiveram que abandonar sua terra para fugir ao exterior.

Logo seu país experimentou a perseguição religiosa comunista em tempos da União Soviética, recuperando a independência em 1991, após a queda da cortina de ferro.

O catholicos considera que as relações entre católicos e cristãos armênios se encontram em um momento único na história.

«Esta visita minha acontece para reforçar a cálida atmosfera de amor e respeito que se formou entre nossas duas Igrejas.»

«O amor recebido de nosso Senhor Jesus Cristo traz muito fruto no campo do ecumenismo hoje. Fiéis aos pais da Igreja e à sua herança, apesar de nossas diferenças e características únicas, devemos dar mais importância ao que nos une.»

Nestes tempos de rápidas mudanças políticas, sociais e econômicas, amplificados pela globalização, acrescentou, «a consolidação de esforços e o trabalho em comum são um imperativo para as Igrejas cristãs».

«Só através da cooperação seremos capazes de servir melhor ao estabelecimento da paz no mundo e a uma melhor defesa dos direitos humanos, dos direitos das nações, das famílias, e das classes sociais que correm maior riscos.»

«A transfiguração da vida através dos valores do Evangelho deve ser nossa senda para a criação de um mundo próspero e virtuoso», concluiu.

A Igreja Apostólica Armênia faz parte das Igrejas chamadas com freqüência «do antigo oriente cristão», ou também «ortodoxas orientais», que se separaram de Roma e do resto do oriente cristão no Concílio de Calcedônia (ano 451). Fazem parte deste grupo além da Igreja copta, a etíope, a assíria, jacobita, e malankar.

Os apóstolos Tadeu e Bartolomeu prepararam o terreno para a conversão da Armênia ao cristianismo que aconteceu no ano 301, convertendo-se na primeira nação que adotou oficialmente a fé cristã como religião do Estado.

Um século depois, o monge Mesrop Mastoc inventou o alfabeto armênio para poder traduzir a Bíblia.

Papa constata progressos na unidade com Igreja Apostólica Armênia

Fomenta a colaboração pastoral

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 9 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI constatou nesta sexta-feira os importantes progressos no caminho rumo à unidade alcançados pela Igreja Católica e pela Igreja Apostólica Armênia ao receber em audiência Sua Santidade Karekin II, patriarca supremo e catholicos de todos os armênios.

Foi um encontro caracterizado pela oração. Ambos representantes cristãos rezaram a liturgia das horas, junto a bispos armênios e a um grupo de fiéis dessa Igreja que acompanharam seus pastores em sua peregrinação ao túmulo do apóstolo Pedro.

Pouco antes, o Papa e Karekin II haviam se reunido em um encontro privado. Ao final, o pontífice pronunciou um discurso em inglês, no qual fez um balanço do diálogo ecumênico por ambas Igrejas.

«Realizaram-se importantes progressos para declarar as controvérsias doutrinais que tradicionalmente nos dividiram, em particular as questões sobre cristologia», explicou o Papa.

De fato, a causa do cisma da Igreja armênia, assim como de outras Igrejas «do antigo orienta cristão», conhecidas também como «ortodoxas orientais», foi sua oposição às declarações do Concílio de Calcedônia (ano 451) nas quais se reconhecia tanto a natureza divina como a humana de Cristo.

Nos últimos anos, se pôde constatar que aquele cisma se deveu a problemas lingüísticos e de interpretação cultural, que de verdadeiro conteúdo teológico, pois esta Igreja reconheceu tanto a humanidade como a divindade de Jesus.

«Durante os últimos cinco anos, se avançou muito graças à Comissão conjunta para o diálogo teológico entre a Igreja católica e as Igrejas ortodoxas orientais, da qual é membro a pleno título o catholicos de todos os armênios», afirmou o Papa.

O bispo de Roma pediu orações «para que esta atividade nos uma mais estreitamente à comunhão plena e visível, e para que se aproxime o dia em que nossa unidade na fé torne possível a celebração comum da Eucaristia».

«Até esse dia, os laços entre nós se consolidarão e ampliarão mais com acordos sobre questões pastorais, que estejam na linha com o grau de acordo doutrinal alcançado.»

«Somente quando se apoiar na oração e na colaboração efetiva, o diálogo teológico poderá levar à unidade que o Senhor deseja para seus discípulos», concluiu o Papa.

Bento XVI viveu uma intensa semana ecumênica, na qual recebeu o primaz da Igreja Anglicana, o doutor Rowan Williams, arcebispo da Cantuária, e na qual apresentou os católicos greco-melquitas como ponte de unidade com os ortodoxos ao receber o patriarca dessa Igreja, Sua Beatitude Gregorios III Laham.