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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Papa convida líderes religiosos a «manterem alta a chama da paz»

Mensagem ao encontro de oração pela paz


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 17 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI se dirigiu ao encontro de oração pela paz que acontece em Chipre para convidar os representantes das religiões nele reunidos a «manterem alta a chama da paz».

Segundo a mensagem enviada em nome do Papa pelo cardeal Tarcisio Bertone, seu secretário de Estado, o encontro, que acontece de 16 a 18 de novembro, revive 22 anos depois a histórica jornada mundial de oração pela paz de Assis, convocada por João Paulo II. 

A iniciativa, como todos os anos a partir de então, é convocada pela Comunidade de Sant'Egidio, nova realidade eclesial, e nesta ocasião pela Igreja Ortodoxa de Chipre. Reúne, em particular, líderes cristãos, judeus e muçulmanos, assim como especialistas da cultura e da política. 

O pontífice deseja que este momento «de escuta recíproca» sirva para «dissipar as névoas da suspeita e da incompreensão e para pedir a Deus Pai o precioso dom da paz». 

Nesse encontro, deseja o pontífice, cada um poderá abrir os olhos à realidade e aos irmãos, oferecendo «um momento de autêntico e recíproco conhecimento das diferenças, das singularidades e dos elementos que nos unem». 

A mensagem pontifícia recorda que a paz «é por sua vez um dom e um dever»: «dom e dever que têm de ser acolhidos, porque provêm da multiforme sabedoria de Deus, mas também custodiados, desenvolvidos e amadurecidos, porque os frutos que podem brotar desta fecunda planta dependem também de nossa responsabilidade pessoal e de nosso incansável empenho». 

Por isso, o Papa convida a «manterem alta a chama da paz, alimentada por gestos cotidianos de caridade e de amizade fraternas».

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Agradecimento de rabino a Pio XII

Carta do rabino Zaoui ao Papa em 1944


Por Anita S. Bourdin

ROMA, quarta-feira, 5 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Um rabino francês agradeceu a Pio XII e aos sacerdotes católicos pela ajuda prestada aos judeus perseguidos durante a Shoah. Trata-se do rabino André Zoui, capelão, capitão do corpo expedicionário francês, que se dirigiu a Pio XII em 22 de junho de 1944 e cuja carta se encontra entre as peças mais interessantes da exposição sobre a biografia de Pio XII, apresentada no dia 3 de novembro no Vaticano. 

A exposição não busca dizer uma palavra sobre os fatos, gestos e palavras de Pio XII em favor dos judeus perseguidos, mas traçar o itinerário do Papa Eugenio Pacelli desde sua infância até sua morte em 1958, há 50 anos. 

A exposição apresenta as facetas de sua personalidade, desde seu amor aos animais (ele aparece fotografado com um canário e alguns cordeiros), sua fascinação por todas as invenções modernas (seu barbeador elétrico e sua máquina de escrever, sua presença nas ondas da Rádio Vaticano), sua preocupação constante pelos mais necessitados (os colchões instalados até nas escadas do Palácio Apostólico ou em Castel Gandolfo para acolher os refugiados da 2ª Guerra Mundial, sem distinção), seu amor às artes (e seu salvamento de obras de arte durante o conflito, ou o concerto da Orquestra Filarmônica de Israel, em 25 de maio de 1955, em sinal de «gratidão por sua obra em favor dos judeus perseguidos durante a guerra»), suas repetidas intervenções durante a guerra, sua atividade diplomática, etc. 

O rabino Zaoui recorda que pôde assistir a uma audiência pública do Papa «em 6 de junho de 1944, às 12h20», com «numerosos oficiais e soldados aliados». 

Menciona também sua visita ao Instituto Pio XI, «que protegeu durante mais de seis meses cerca de sessen60ta crianças judias, entre elas alguns pequenos refugiados da França». 

Diz ter-se sentido impressionado pela «solicitude paternal de todos os professores» e cita esta frase do prefeito de estudos: «Não fizemos nada além do nosso dever». 

Em 8 de junho de 1944, o rabino Zaoui resenha outro acontecimento do qual participou: a reabertura da sinagoga de Roma, fechada pelos nazistas em outubro de 1943. 

Assinala a presença de um sacerdote francês, o Pe. Benoit, «evadido da França», que se dedicou «ao serviço das famílias judaicas de Roma». O rabino resenha estas palavras do sacerdote e a forte impressão que tiveram na assembléia que o reconheceu e aclamou: «Amo os judeus de todo coração». Esta palavra recorda o rabino da de Pio XI, que diz assim: «Nós somos espiritualmente semitas». 

André Zaoui expressa seu reconhecimento: «Israel não esquecerá jamais». A carta se encontra também reproduzida no elegante e muito cuidado catálogo da exposição, publicado sob a autoridade da Comissão Pontifícia de Ciências Históricas («O homem e o pontificado 1876-1958», 238 páginas, Livraria Editora Vaticana, p. 157). 

Uma carta do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, reproduzida em fac-símile (p. 13-14), sublinha a importância deste catálogo e da exposição, que ajuda a «dar a conhecer melhor um pontífice que é reconhecido justamente como um dos maiores personagens do século XX». 

Agradece vivamente a todos aqueles que participaram desta empresa e deseja que esta contribua «para a valorização, especialmente por parte das novas gerações, da extraordinária figura deste Papa, que soube preparar, com uma intuição profética dos sinais dos tempos, o caminho da Igreja na era contemporânea». 

A exposição, organizada no chamado «Braço de Carlos Magno», ou seja, do lado esquerdo da colunata de Bernini, olhando de frente para a fachada da Basílica de São Pedro, está aberta desde ontem até 6 de janeiro de 2009. Partirá depois para Berlim e Munique. 

Foi apresentada pelo presidente da Comissão Pontifícia de Ciências Históricas, professor Walter Brandmuller, por Giovanni Morello – da Fundação para os Bens e as Atividades Culturais da Igreja –, pelo vaticanista do jornal italiano Il Giornale, Andrea Tornielli, pelos professores Matteo Luigi Napolitano, Universidade do Molise, e por Philippe Chenaux, professor de História Moderna e Contemporânea na Universidade Pontifícia de Latrão e autor de uma obra titulada «Pio XII, diplomata e pastor», em presença do professor Cosimo Semeraro, sdb, secretário da Comissão Pontifícia.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Bento XVI: diálogo entre culturas e religiões é «dever sagrado»

Recebeu uma delegação judaica em audiência hoje


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 30 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- No complexo mundo atual, o diálogo entre as culturas e as religiões é um dever sagrado, declarou Bento XVI nesta quinta-feira, ao receber em audiência os membros de uma delegação do International Jewish Committee on Interreligious Consultations. 

Recordando que há mais de 30 anos este Comitê e a Santa Sé mantiveram «contatos regulares e frutíferos, que contribuíram para uma maior compreensão e aceitação entre católicos e judeus», o Papa quis aproveitar esta ocasião para reafirmar «o compromisso da Igreja de levar a cabo os princípios expressados na histórica Declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II». 

O documento, explicou, «condenava firmemente toda forma de anti-semitismo e representava um marco na história das relações entre judeus e católicos; e também convidava a uma renovada compreensão teológica das relações entre a Igreja e o Povo de Israel». 

Hoje, afirmou Bento XVI, os cristãos são «cada vez mais conscientes do patrimônio espiritual que compartilham com o povo da Torá, o povo eleito por Deus em sua graça inefável, um patrimônio que requer mais apreço recíproco, estima e amor». 

Da mesma forma, os judeus estão chamados a «descobrir o que têm em comum com todos aqueles que crêem no Senhor, o Deus de Israel, que se revelou através de sua palavra poderosa e geradora de vida». 

Esta Palavra, observou o pontífice, «nos exorta a oferecer um testemunho comum do amor, da misericórdia e da verdade de Deus», «um serviço vital em nossa época, ameaçada pela perda dos valores morais e espirituais que garantem a dignidade humana, a solidariedade, a justiça e a paz». 

No mundo atual, caracterizado freqüentemente pela pobreza, pela violência e pela exploração, o diálogo entre as culturas e as religiões deve ser visto cada vez mais como «um dever sagrado que compete a todos aqueles que estão comprometidos na construção de um mundo mais digno do homem», constatou o Papa. 

A capacidade de aceitar uns aos outros e de dizer a verdade no amor é «essencial para superar as diferenças, prevenir os mal-entendidos e evitar confrontos inúteis». 

O diálogo, acrescentou, é «sério e honrado» só quando «respeita as diferenças e reconhece o outro em sua alteridade». 

Um diálogo sincero também «precisa de abertura e de um sólido senso de identidade por ambas as partes, para que cada uma se enriqueça com os dons da outra». 

Agradecendo ao Senhor pelos «progressos nas relações entre judeus e católicos», que se refletem em seus encontros com as comunidades judaicas em Nova York, Paris e no Vaticano, o Papa animou os presentes a «levarem adiante seu trabalho com paciência e renovado compromisso». 

«Com estes sentimentos, queridos amigos, peço ao Todo-Poderoso que continue velando sobre vós e sobre vossas famílias, e guie vossos passos pelo caminho da paz», concluiu. 

No mês que vem, o International Jewish Committee Consultations terá um encontro com uma delegação da comissão vaticana para as relações religiosas com o Judaísmo para discutir sobre o tema «Religião e sociedade civil», em Budapeste (Hungria).