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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Levantamento de excomunhões procura sanar um cisma, precisa Cardeal Castrillón



ROMA, 10 Fev. 09 / 06:02 pm (ACI).- O Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Cardeal Darío Castrillón Hoyos, precisou que o levantamento da excomunhão aos 4 bispos ordenados pelo arcebispo Marcel Lefebvre, procurava antes de mais nada sanar um cisma; e não tinha a intenção, em nenhum caso, de apoiar as teses negacionistas do bispo Williamson.

Em uma entrevista concedida a RCN, o Cardeal ressaltou, perguntado pela atual sitaução logo do levantamento das excomunhões aos 4 bispos lefebvristas, que "sempre tive a verdade como norma. O Santo Padre conhece isso. Nós continuamos adiante tratando de que se reconstrua esta unidade da Igreja e termine totalmente este cisma".

Seguidamente, o Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, criada por João Paulo II para o diálogo com os lefebvristas, precisou que "o importante neste momento é que o Papa parou um cisma. A caridade que Cristo queria que houvesse na Igreja se há notavelmente restabelecido e se abrem vias de esperança".

Ao mostrar seu rechaço às teses negacionistas de um destes 4 bispos, o britânico Richard Williamson, o Cardeal Castrillón assinalou que "o Santo Padre rechaça totalmente o que se fez na Alemanha contra o povo judeu. Não aceita nada que seja uma ofensa contra o povo judeu. Temos por eles amor. Não esquecemos nunca que Jesus era judeu, Maria era judia e os apóstolos eram judeus".

"Como todo homem honesto do mundo rechaçamos visceralmente o que ocorreu aí (no holocausto). Como cristão o rechaço e como católico me uno às teses de nossa Igreja, que pede que não se esqueça, para que a humanidade não repita atrocidades semelhantes", adicionou.

O Cardeal reiterou logo "o rechaço a toda forma de anti-semitismo e a asseveração histórica de que lamentamos os horrores do holocausto".

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15293

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

NOTA DA SECRETARIA DE ESTADO DA SANTA SÉ

Na seqüência das reações suscitadas pelo recente decreto da Congregação para os Bispos, que remite a excomunhão dos quatro Prelados da Fraternidade São Pio X, e em relação às declarações negacionistas ou reducionistas da Shoah por parte do Bispo Williamson da mesma Fraternidade, se considera oportuno esclarecer alguns aspectos do episódio.

1. Remissão da excomunhão.

Como já publicado anteriormente, o Decreto da Congregação para os Bispos, datado de 21 de Janeiro de 2009, foi um ato pelo qual o Santo Padre foi benignamente ao encontro dos reiterados pedidos por parte do Superior Geral da Fraternidade São Pio X.

Sua Santidade pretendia eliminar um obstáculo que prejudicava a abertura de uma porta ao diálogo. Ele agora espera que igual disponibilidade venha expressa pelos quatro bispos na total adesão à doutrina e disciplina da Igreja.

A gravíssima pena da excomunhão latae sententiae, em que tais bispos incorreram em 30 de Junho de 1988 e, em seguida, declarada formalmente em 1º de Julho do mesmo ano, foi uma conseqüência de suas ordenações ilícitas por parte de Monsenhor Marcel Lefebvre.

A dissolução da excomunhão liberou os quatro bispos de uma grave pena canônica, mas não alterou a situação jurídica da Fraternidade São Pio X, que, no momento atual, não goza de qualquer reconhecimento canônico na Igreja Católica. Os quatro bispos, embora livres da excomunhão, não têm uma função na Igreja e não exercem legitimamente um ministério na mesma.

2. Tradição, doutrina e Concílio Vaticano II

Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI.

Tal como já foi afirmado no Decreto de 21 de Janeiro de 2009, a Santa Sé não deixará, no modo julgado oportuno, de aprofundar com os interessados as questões ainda abertas, para que possamos alcançar uma plena e satisfatória solução dos problemas que deram origem a esta dolorosa fratura.

3. As declarações sobre a Shoah.

As posições de Mons. Williamson sobre a Shoah são absolutamente inaceitáveis e fortemente repudiadas pelo Santo Padre, como ele próprio afirmou em 28 janeiro passado, quando, referindo-se àquele brutal genocídio, reiterou a sua plena e indiscutível solidariedade com nossos irmãos destionatários da Primeira Aliança, e afirmou que a memória daquele terrível genocídio deve conduzir “a humanidade a refletir sobre o imprevisível poder do mal quando conquista o coração do homem”, acrescentando que a Shoah permanece “para todos a advertência contra o esquecimento, contra o a negação ou o reducionismo, porque a violência feita contra um único ser humano é violência contra todos”.

O Bispo Williamson, para uma admissão à função episcopal na Igreja, deverá também manter de modo absolutamente inequívoco e público a distância de sua posição a respeito da Shoah, não conhecida pelo Santo Padre no momento da remissão da excomunhão.

O Santo Padre pede o acompanhamento das orações de todos os fiéis a fim de que o Senhor ilumine o caminho da Igreja. Cresça o empenho dos Pastores e de todos os fiéis no sustento da delicada e difícil tarefa do Sucessor do Apóstolo Pedro como o “guardião da unidade” na Igreja.

Do Vaticano, 4 de Fevereiro de 2009

Fonte: http://fratresinunum.wordpress.com/2009/02/04/nota-da-secretaria-de-estado/

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Papa pede a lefebvristas reconhecer o Concílio Vaticano II

VATICANO, 28 Jan. 09 / 12:25 pm (ACI).- Depois do gesto de magnanimidade e misericórdia do Papa Bento XVI ao levantar a excomunhão dos 4 bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre, o Santo Padre solicitou aos lefebvristas aceitar o Concílio Vaticano II.

Ao concluir a Audiência Geral, Bento XVI se referiu ao decreto dado a conhecer no sábado 24 de janeiro no que se revoga a excomunhão aos "quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre sem mandato pontifício".

O Papa indicou que "realizei este ato de paterna misericórdia porque estes prelados me tinham manifestado várias vezes seu vivo sofrimento pela situação em que se encontravam".

Do mesmo modo, Bento XVI manifestou seu desejo de que "este meu gesto seja correspondido pelo compromisso solícito por parte deles de dar os ulteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja, testemunhando assim verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II".

Papa explica levantamento das excomunhões


http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=68692

Bento XVI explicou hoje a sua decisão de levantar as excomunhões aos quatro Bispos ordenados em 1988 por mons. Lefebvre, sem mandato pontifício, falando num “acto de misericórdia paterna”.

O Papa revelou na audiência geral desta Quarta-feira que espera agora, da parte dos destinatários desta decisão, “posteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja”.

Em particular, Bento XVI falou na necessidade de testemunharem “verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento pelo magistério e a autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II”.

Os Bispos em causa são D. Bernard Fellay, D. Bernard Tissier de Mallerais, D. Richard Williamson e D. Alfonso de Galarreta.

O Papa lembrou as palavras pronunciadas na Missa do seu início de ministério, em Abril de 2005, na qual falava do chamamento à unidade: “Alegremo-nos pela tua promessa, que não desilude, e façamos o possível para percorrer o caminho rumo à unidade, que tu prometeste. (...) Não permitas que a tua rede se rompa e ajuda-nos a ser servos da unidade”, repetiu hoje Bento XVI.

No “cumprimento específico deste ministério”, frisou o Papa, decidiu levantar as excomunhões porque “estes prelados manifestaram, repetidamente, o seu vivo sofrimento pela situação em que encontravam”.

Papa explica por que revogou excomunhão dos bispos lefebvristas

Augura que por parte deles «continue o empenho» de «chegar à plena comunhão com a Igreja»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa pessoalmente explicou hoje, durante a audiência geral, por que decidiu revogar a excomunhão dos bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre, tal como a Santa Sé deu a conhecer no sábado passado, 24 de janeiro.

Foi, explicou, um «ato de misericórdia paterna», em cumprimento do «serviço à unidade» próprio do «ministério do Sucessor de Pedro», e acrescentou que «espera um empenho» por parte destes bispos «para chegar à plena comunhão».

Ao término da audiência geral, e em meio às saudações aos diferentes grupos de peregrinos reunidos na Sala Paulo VI, o próprio Papa leu três comunicados, o primeiro sobre a eleição do novo patriarca de Moscou.

No segundo, o Papa se referiu à revogação da excomunhão dos quatro bispos, recordando algumas palavras da primeira homilia de seu pontificado, nas quais afirmou que é «explícito» dever do pastor «o chamado à unidade».

Referiu-se a suas próprias palavras comentando a passagem evangélica da pesca milagrosa: «’ainda que havia tantos peixes, a rede não se rompeu’, e prossegui após estas palavras evangélicas: ‘Ai de mim, amado Senhor, esta – a rede – agora está arrebentada, queríamos dizer com dor’. E continuei: ‘Mas não – não devemos estar tristes! Alegremo-nos por vossa promessa que não decepciona e façamos todo o possível para percorrer o caminho rumo à unidade que vós prometestes... Não permitais, Senhor, que vossa rede se rompa e ajudai-nos a ser servidores da unidade’».

«Precisamente em cumprimento deste serviço à unidade, que qualifica de modo específico meu ministério de Sucessor de Pedro, decidi há dias conceder a remissão da excomunhão em que haviam incorrido os quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Lefebvre sem mandato pontifício», declarou.

O Papa explicou que o motivo deste «ato de misericórdia paterna» foi que «repetidamente estes prelados me manifestaram seu vivo sofrimento pela situação na qual se encontravam».

Contudo, recordou que este ato não supõe ainda a reintegração à comunhão plena e confiou em que, «a este gesto meu siga o solícito empenho de sua parte por levar a cabo ulteriores passos», entre eles «o verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II».

Sobre a Shoá

Logo depois, o Papa leu um terceiro comunicado no qual expressou sua firme condenação do Holocausto, e expressou sua solidariedade com o povo hebreu. Nele expressou seu desejo de que «a Shoá seja para todos advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo».

Com estas palavras, ainda que sem mencionar explicitamente, o Papa saia ao passo das polêmicas declarações de um dos quatro bispos a quem se levantou a excomunhão, Dom Richard Williamson, que havia negado a existência do Holocausto em uma entrevista concedida à televisão sueca.

O próprio Papa quis dar seu testemunho pessoal, recordando «as imagens recolhidas em minhas repetidas visitas a Auschwitz, um dos lugares nos quais se consumou o brutal massacre de milhões de hebreus, vítimas inocentes de um cego ódio étnico e religioso».

As declarações de Dom Williamson haviam sido comentadas nestes dias como «inaceitáveis» e «ignominiosas» por vários cardeais da Cúria Romana, assim como pela Conferência Episcopal Suíça.

Precisamente ontem, Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade de São Pio X, emitia um comunicado no qual pedia perdão ao Papa por tais declarações.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Revogação de excomunhão a «lefebvristas», «início» no «final» de um caminho

Afirma o cardeal Jean-Pierre Ricard, membro da Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei»

BORDÉUS, terça-feira, 27 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O levantamento da excomunhão imposta em 1988 aos 4 bispos ordenados ilegitimamente pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, divulgado pela Congregação para os Bispos em 24 de janeiro passado, «não é o final, mas o começo de um processo de diálogo», no qual ainda restam questões a serem esclarecidas.

Assim afirmou o cardeal Jean-Pierre Ricard, arcebispo de Bordéus e membro da Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei», em uma declaração divulgada pela Conferência Episcopal Francesa, também em 24 de janeiro passado.

Segundo o purpurado, ainda falta regular duas questões fundamentais para que o cisma possa ser considerado terminado: por um lado, «a integração da estrutura jurídica da Fraternidade de São Pio X na Igreja», e por outro, «um acordo em questões dogmáticas e eclesiológicas».

Entre estes temas a debater, o cardeal Ricard se referiu à questão do Concílio Vaticano II como «texto magisterial de primeira importância. Isso é fundamental».

O cardeal Ricard aludiu a outras questões de tipo cultural e político: «As últimas declarações, inaceitáveis, de Dom Williamson negando o drama do extermínio dos judeus são um exemplo disso», afirmou.

«O caminho será longo, sem dúvida, e exigirá um melhor conhecimento e estima mútuos. Mas o levantamento da excomunhão permitirá percorrê-los juntos», acrescentou.

Esta excomunhão foi revogada, explica o cardeal Ricard, após vários pedidos neste sentido por parte de Dom Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X, «especialmente após uma carta dirigida ao cardeal Castrillón Hoyos, em 15 de dezembro passado, em nome dos 4 bispos afetados».

«Ele faria o mesmo, com a possibilidade de todo sacerdote de celebrar a Missa com o Missal de São Pio V, uma das duas condições prévias à abertura de um diálogo com Roma. Ele havia feito seus fiéis rezarem por esta intenção», acrescenta o purpurado.

O arcebispo de Bordéus explica também que Bento XVI «quis ir o mais longe possível com a mão estendida, como convite a uma reconciliação», desde sua missão de fazer o possível «por voltar a tecer os fios arrebentados da unidade eclesial».

«O Papa, teólogo e historiador de teologia, sabe o drama que um cisma representa na Igreja. Compreende a questão que com frequência surge na história dos cismas: realmente foram colocados todos os meios para evitá-los?», acrescenta.

Não se deve esquecer, conclui, «que o Papa conhece bem o caso, pois João Paulo II lhe encarregou de colocar-se em contato com Dom Lefebvre para tentar impedir que cometesse o ato irremediável das consagrações episcopais».

«O então cardeal Ratzinger ficou marcado pelo fracasso de sua missão», acrescentou.

O purpurado mostrou sua confiança em que «a dinâmica suscitada pela revogação da excomunhão ajude a colocar em andamento o diálogo querido pelo Papa», e pediu aos fiéis que «rezem pela unidade dos cristãos».

«Não esqueçamos que o caminho mais seguro para avançar na unidade dos discípulos de Cristo continua sendo a oração», conclui.

domingo, 25 de janeiro de 2009

DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS REABILIDA BISPOS DA FSSPX

DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS

Com carta de 15 de Dezembro de 2008 endereçada a Sua Eminência o Sr. Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Mons. Bernard Fellay, também em nome dos outros três bispos consagrados em 30 de Junho de 1988, solicitava novamente a remoção da excomunhão latae sententiae formalmente declarada por Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos em data de 1° de Julho de 1988. Na mencionada carta, Mosenhor Fellay afirma, entre outras coisas: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Nós aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

Sua Santidade Bento XVI - paternamente sensível ao desconforto espiritual manifestado por pelos interessados por causa da sanção de excomunhão, e confiando no compromisso expresso por eles na cidade carta de não poupar esforço algum para aprofundar as questões ainda abertas em necessárias conversações com as Autoridades da Santa Sé, e poder assim chegar rapidamente a uma plena e satisfatória solução do problema existente em princípio, decidiu reconsiderar a situação canônica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, relativa a sua sagração episcopal.

Este ato expressa o desejo de consolidar as relações recíprocas de confiança, intensificar e fazer mais estáveis as relações da Fraternidade São Pio X com a Sé Apostólica. Este dom de paz, ao término das celebrações do Natal, aspira também a ser um sinal para promover a unidade na caridade da Igreja universal, e por seu meio, retirar o escândalo da divisão.

Desejando que este passo seja seguido sem demoras da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, em testemunho de uma verdadeira fidelidade e de um verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa através da prova da unidade visível.

Conforme as faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, revogo dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfons de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação em 1 de julho de 1988 e declaro privado de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o Decreto então publicado.

Roma, Sagrada Congregação para os Bispos, 21 de janeiro de 2009.

Cardeal Giovanni Batista Re
Prefeito da Sagrada Congregação para os Bispos


Fonte: http://fratresinunum.wordpress.com/2009/01/24/esta-consumado-decreto-da-congregacao-para-os-bispos/

Bispos da FSSPX são reintegrados à comunhão católica

COMUNICADO DA SALA DE IMPRENSA DA SANTA SÉ

O Santo Padre, depois de um processo de diálogo entre a Sé Apostólica e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, representada pelo seu Superior Geral, S.E. Mons. Bernard Fellay, acolheu o pedido formulado novamente por esse Prelado em uma carta de 15 de Dezembro de 2008, também em nome dos outros três bispos da Fraternidade, S.E. Mons. Bernard Tissier de Mallerais, S.E. Mons. Richard Williamson e S.E. Mons. Alfonso del Gallareta, de revogar a excomunhão em que incorreram vinte anos atrás.

Por causa, realmente, da consagração episcopal feita, em data de 30 de junho de 1988, por S.E. Mons. Marcel Lefebvre, sem mandato pontifício, os quatro mencionados prelados incorreram em excomunhão latae sententiae, formalmente declarada pela Congregação para os Bispos, em data de 1 de Julho de 1988.

S.E. Mons. Bernard Fellay, na citada missiva, manifestava claramente ao Santo Padre que: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

Sua Santidade Bento XVI, que tem acompanhado desde o início este processo, sempre procurou recompor a fratura com a Fraternidade, também se encontrou pessoalmente com S.E. Mons. Bernard Fellay em 29 de agosto de 2005. Naquela ocasião, o Sumo Pontífice manifestou a vontade de proceder por graus e em prazo razoável em tal caminho, e agora, benignamente, com solicitude pastoral e paterna misericórdia, mediante decreto da Congregação para os Bispos de 21 de Janeiro de 2009, revoga a excomunhão que pesava sobre os mencionados prelados. O Santo Padre foi inspirado nessa decisão na esperança que se chegue em breve à completa reconciliação e à plena comunhão.

Fonte: http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/23250.php?index=23250&lang=po

sábado, 24 de janeiro de 2009

Diálogo com anglicanos e metodistas continua apesar das dificuldades

O ano de 2008 foi importante em contatos bilaterais

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Continua, apesar das dificuldades, o difícil diálogo com as confissões anglicana e metodista. Assim confirma o encarregado do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Mark Langham, em artigos publicados esta semana pelo L'Osservatore Romano.

Estes artigos fazem parte de uma série publicada ao longo desta semana pelo jornal vaticano por ocasião da Semana de Oração pela unidade dos Cristãos, que concluirá no próximo domingo.

Langham explica que 2008 foi significativo em ambos os casos pelo estabelecimento de contatos de tipo informal com destacados membros das duas confissões.

No caso dos anglicanos, explica, foi muito significativa a participação de uma delegação católica, encabeçada pelo cardeal Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos, na Conferência de Lambeth, o encontro que reúne a Comunhão Anglicana a cada dez anos.

Esta participação foi muito importante, dado que o diálogo entre as duas confissões se havia praticamente congelado em 2003, ao ter sido nomeado bispo da Igreja Episcopaliana de New Hampshire (EUA) um candidato abertamente homossexual. Esta decisão havia provocado também uma forte ruptura interna na Comunhão Anglicana.

Em Lambeth, explica Langham, o cardeal Kasper «pôde falar francamente sobre o doloroso impacto que este e outros acontecimentos (a ordenação de mulheres) provocaram no diálogo ecumênico». Outras intervenções trataram também sobre a questão ecumênica, ainda que inicialmente não era o tema da conferência.

Ainda que não tenham adotado resoluções ao respeito, explica Langham, isso foi importante frente às reuniões informais (informal talks) realizadas este ano, especialmente através do Centro Anglicano de Roma. Assegurar a unidade e a integridade da doutrina anglicana será o ponto fundamental que permitirá a reativação do diálogo oficial.

Com relação ao diálogo com os metodistas, Langham explica que durante este ano «continuaram os encontros cordiais», e assinalou especialmente o que aconteceu em novembro, em Dublin, entre o reverendo Geoffrey Wainwright e Dom Michael Ernest Putney, bispo católico de Townsville (Austrália).

Nesse encontro se aprovou o documento conjunto Together in Holliness (Juntos em santidade), que explica os passos dados durante os 40 anos de duração do diálogo metodista-católico. Apesar dos grandes desencontros em matéria doutrinal, ambas as partes se preparam para enfrentar uma nova etapa, de elaboração de um documento conjunto que será apresentado ao Conselho Metodista Mundial em sua próxima reunião de Durban (Austrália), em 2011.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Papa convida cristãos a trabalharem pelo ecumenismo

«A unidade está conectada com a própria missão da Igreja no mundo»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI interrompeu nesta quarta-feira o ciclo de catequeses que vem realizado sobre a vida e os ensinamentos do apóstolo São Paulo e dedicou a audiência de hoje a falar sobre o diálogo ecumênico, dada a coincidência com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

O Papa dedicou a catequese de hoje a refletir sobre a passagem de Ezequiel que se escolheu como lema desta semana e na qual o profeta toma os lenhos, símbolo do Israel dividido, para realizar uma profecia sobre sua reunião futura.

Em primeiro lugar, destacou que a questão da unidade dos cristãos não é secundária, mas que «está conectada com a vida e a própria missão da Igreja no mundo», como o próprio Cristo assinalou na Última Ceia.

A Igreja, afirmou, «deve viver uma unidade que só pode derivar de sua unidade com Cristo, com sua transcendência, como sinal de que Cristo é a verdade. Esta é nossa responsabilidade: que seja visível para o mundo o dom de uma unidade em virtude da qual nossa fé se torne crível».

Por isso, convidou reiteradamente os cristãos a que tomem «consciência da urgência de trabalhar de todas as formas possíveis para chegar a este grande objetivo».

Contudo, esta unidade plena necessita como condição prévia a «purificação» dos cristãos dos «elementos estranhos à fé» e uma «maior fidelidade à vocação de Deus».

«Na dispersão entre os gentios, os israelenses haviam conhecido cultos errôneos, haviam assimilado concepções de vida equivocadas, haviam assumido costumes alheios à lei divina», explicou o Papa. «A esta renovação devemos estar abertos também nós, porque também nós, dispersos entre os povos do mundo, aprendemos costumes muito distantes da Palavra de Deus.»

«O ecumenismo verdadeiro não existe sem a conversão interior, porque o desejo da unidade nasce e amadurece na renovação da mente, na abnegação de si mesmo e no exercício pleno da caridade», acrescentou.

Passos realizados

O Papa assinalou também os «importantes gestos e passos» levados a cabo no caminho ecumênico.

«As relações entre as Igrejas e os diálogos teológicos continuaram dando sinais de convergências espirituais alentadoras», afirmou.

Por outro lado, destacou a transcendência das visitas de bispos e patriarcas ortodoxos e orientais a Roma, e especialmente a participação no passado Sínodo do patriarca ecumênico Bartolomeu I.

Também manifestou sua proximidade ao Patriarcado de Moscou, pela morte de Alexis II e a próxima eleição de seu sucessor.

Com relação às Comunhões Cristãs do Ocidente, o pontífice assinalou que «prossegue o diálogo sobre o importante testemunho que os cristãos devem dar hoje de forma concorde, em um mundo cada vez mais dividido e enfrentado tantos desafios de caráter cultural, social, econômico e ético».

Por último, o Papa convidou a tomar como modelo o apóstolo São Paulo, especialmente «seu anseio e dedicação ao único Senhor e à unidade de seu Corpo místico, a Igreja».

«Seguindo seu exemplo e contando com sua intercessão, que cada comunidade cresça no empenho da unidade, graças às diversas iniciativas espirituais e pastorais e às assembléias de oração comum, que costumam ser mais numerosas e intensas nesta ‘Semana’, fazendo-nos já saborear antecipadamente, de certa forma, o gozo da unidade plena», concluiu.