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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Papa pede ao Brasil que defenda família e embrião

Adverte contra o risco do materialismo e da corrupção política

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI pediu nesta segunda-feira ao Brasil que «fomente e estenda os valores humanos fundamentais», especialmente «a santidade da vida familiar e a salvaguarda do não-nascido, desde o momento de sua concepção até o de seu término natural», em seu discurso ao novo embaixador do país, Luis Felipe de Seixas Corrêa.

Em um amplo discurso, o Papa elogiou os esforços do Brasil em sua luta por uma maior justiça social e pelo progresso, e reconheceu que «a política de redistribuição da renda interna facilitou um maior bem-estar entre a população».

O Papa centrou sua atenção em três campos: a defesa da família e da vida, a moralidade da vida pública e a colaboração entre a Igreja e o Estado.

Com relação à primeira questão, explicou que é necessário «reconhecer de forma explícita a santidade da vida familiar e a salvaguarda do não-nascido, do momento de sua concepção até o de seu término natural».

Destes princípios «que velam pela dignidade humana», o Brasil «sempre foi um defensor», afirmou.

O pontífice se referiu também às pesquisas com embriões, e recordou que «a Santa Sé continua promovendo incansavelmente a defesa de uma ética que não distorce, mas protege a existência do embrião e seu direito de nascer».

Por outro lado, expressou sua satisfação ao «considerar a convergência de princípios, tanto da Sé Apostólica como de seu governo, com relação às ameaças à paz no mundo, quando se vê afetada pela falta de visão do respeito ao próximo em sua dignidade humana».

«O recente conflito no Oriente Médio demonstra a necessidade de apoiar todas as iniciativas destinadas a resolver pacificamente as divergências, e faço votos para que seu governo prossiga nesta direção», acrescentou.

Moralidade pública

O segundo tema do discurso do Papa foi a pobreza, entendida não só como escassez material, mas sobretudo como pobreza moral.

Após elogiar os esforços do Brasil em sua luta contra a pobreza e «uma maior justiça social para o bem da população», advertiu sobre «o perigo do consumismo e do hedonismo».

Estes, «aliados à falta de sólidos princípios morais que guiem a vida dos cidadãos simples, torna vulnerável a estrutura da sociedade e da família brasileira».

O Papa insistiu na importância de uma formação moral «em todos os níveis, incluindo o político, diante das constantes ameaças geradas pelas ideologias materialistas hoje reinantes e, particularmente, da tentação da corrupção na gestão do dinheiro público e privado».

«Com este fim, o cristianismo pode proporcionar uma contribuição válida – como disse recentemente – por ser uma religião de liberdade e de paz, ao serviço do verdadeiro bem da humanidade», acrescentou.

Cooperação Igreja-Estado

O terceiro eixo do discurso do Papa foi a colaboração entre a Igreja e o Estado, que considera «de estreita amizade e frutífera parceria». O papa aludiu especialmente à importância dos acordos bilaterais recentemente assinados.

Neste acordo, assinalou, «define-se o estatuto jurídico civil da Igreja Católica no Brasil e se regulam as matérias de interesse mútuo entre ambas as partes, sinais significativos desta colaboração sincera que a Igreja deseja manter».

«Os objetivos, o da Igreja, em sua missão de natureza religiosa e espiritual, e o do Estado, ainda que diferentes, confluem em um ponto de convergência: o bem da pessoa humana e o bem comum da nação», acrescentou.

Neste sentido, o Papa expressou sua confiança em que o Acordo «facilite o livre exercício da missão evangelizadora da Igreja e fortaleça ainda mais sua colaboração como as instituições civis para o desenvolvimento integral da pessoa».

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

«Humanae Vitae»: profecia científica

O presidente dos métodos católicos denuncia os perigos da pílula anticoncepcional

Por Antonio Gaspari

ROMA, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Apesar de ter sido publicada há 40 anos, a encíclica Humanae Vitae ainda suscita um forte debate. Para alguns, inclusive dentro da Igreja Católica, trata-se de um texto inadequado aos tempos e insuficiente nas respostas, enquanto outros sustentam que se trata de uma encíclica «profética».

Para estes últimos, o Papa Paulo VI fez bem em advertir contra o uso de anticoncepcionais, já que estes são perigosos para a saúde da mulher e para a relação dentro do casal.

Neste contexto, o doutor espanhol José María Simón Castellví, presidente da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC), anunciou um texto em 4 de janeiro passado, com o título «40 anos depois da Encíclica Humanae Vitae, do ponto de vista médico», no qual se ilustram todos os problemas relativos à saúde da mulher, à contaminação ambiental e ao enfraquecimento e banalização das relações de casal que a pílula contraceptiva provocou.

Sobre esta questão, o dr. Simón Castellví concedeu esta entrevista à Zenit.

– Os críticos da Humanae Vitae sustentam que os anticoncepcionais trouxeram a emancipação feminina, progresso, saúde médica e ambiental. Mas segundo o informe da FIAMC, isso não é verdade. Pode explicar-nos por quê?

– Simón Castellví: Os anticoncepcionais não são um verdadeiro progresso nem para as mulheres nem para o planeta. Compreendo e sou solidário com as mulheres que deram a vida a muitos filhos, mas a solução não está na contracepção, e sim na regulação natural da fertilidade. Esta respeita os homens e as mulheres. O estudo que apresentamos é científico e nos diz que a pílula é contaminadora e em muitos casos anti-implantatória, ou seja, abortiva.

– O estudo sustenta de fato que a pílula denominada anovulatória, a mais utilizada, que tem como base doses de hormônios de estrogênio e progesterona, funciona em muitos casos com um verdadeiro efeito anti-implantatório. É verdade?

– Simón Castellví: É verdade. Atualmente, a pílula anticoncepcional denominada anovulatória funciona em muitos casos com um verdadeiro efeito anti-implantatório, ou seja, abortivo, porque expele um pequeno embrião humano. E o embrião, inclusive em seus primeiros dias, é um pouco diferente de um óvulo ou célula germinal feminina. Sem essa expulsão, o embrião chegaria a ser um menino ou menina.

O efeito anti-implantatório destas pílulas está reconhecido na literatura científica. Os investigadores o conhecem, está presente nos prospectos dos produtos farmacêuticos dirigidos a evitar uma gravidez, mas a informação não chega ao grande público.

– O estudo em questão sustenta que a grande quantidade de hormônios no ambiente tem um efeito grave de contaminação meio-ambiental que influi na infertilidade masculina. Você poderia nos explicar por quê?

– Simón Castellví: Os hormônios têm um efeito nocivo sobre o fígado, e depois se dispersam no ambiente, contaminando-o. Durante anos de utilização das pílulas anticoncepcionais se verteram toneladas de hormônios no ambiente. Diversos estudos científicos indicam que isso poderia ser um dos motivos do aumento da infertilidade masculina. Pedimos que se façam pesquisas mais precisas sobre os efeitos contaminadores desses hormônios.

– O estudo elaborado pela FIAMC retoma as preocupações expressas em 29 de julho de 2005 pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (International Agency for Research on Cancer), a agência da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual os preparados orais de combinados de estrogênio e progesterona podem ter efeitos cancerígenos. Você poderia ilustrar-nos a gravidade destas implicações?

– Simón Castellví: É grave que se esteja distribuindo um produto não indispensável para a saúde e que poderia ser cancerígeno. Esta não é uma opinião dos médicos católicos, mas da Agência da OMS que luta contra a difusão do câncer. Nós só citamos suas preocupações ao respeito.

– Você e a associação que você representa sustentam que a Humanae Vitae foi profética ao propor os métodos naturais de regulação da fertilidade. Pode explicar-nos por quê?

– Simón Castellví: O Papa Paulo VI foi profético também do ponto de vista científico. Com essa encíclica, ale alertou sobre os perigos da pílula anticoncepcional, como o câncer, a infertilidade, a violação dos direitos humanos, etc. O Papa tinha razão e muitos não quiseram reconhecer isso. Quando se trata de regular a fertilidade, são muito melhores os métodos naturais, que são eficazes e respeitam a natureza da pessoa.

– Em um artigo publicado pelo L'Osservatore Romano L'Humanae vitae. Una profezia scientifica», 4 de janeiro de 2009), você sustenta que os métodos anticoncepcionais violam os direitos humanos. Pode precisar-nos por quê?

– Simón Castellví: No 60º aniversário da Declaração dos Direitos do Homem se pode demonstrar que os meios anticoncepcionais violam pelo menos cinco importantes direitos:

O direito à vida, porque em muitos casos se trata de pílulas abortivas, e cada vez se elimina um pequeno embrião.

O direito à saúde, porque a pílula não serve para curar e tem efeitos secundários importantes sobre a saúde de quem a utiliza.

O direito à informação, porque ninguém informa sobre os efeitos reais da pílula. Em particular, não se adverte sobre os riscos para a saúde e a contaminação ambiental.

O direito à educação, porque poucos explicam como se praticam os métodos naturais.

O direito à igualdade entre os sexos, porque o peso e os problemas das práticas anticoncepcionais recaem quase sempre sobre a mulher.

– A Humanae vitae sustenta que os anticoncepcionais influenciam negativamente na relação do casal, separando o ato de amor da procriação. Você poderia explicar-nos, como homem de ciência, esta afirmação?

– Simón Castellví: A relação entre os esposos deve ser de total confiança e amor. Excluir com meios impróprios a possibilidade da procriação prejudica a relação de casal. O doar-se um ao outro deveria ser total e enriquecer-se pela capacidade da transmissão da vida.

– Substancialmente, a Humanae vitae é um documento que une e reforça os casais; por que então tantas críticas?

– Simón Castellví: Muitas das críticas foram sugeridas pelos interesses econômicos que estão por trás da venda da pílula. Outras críticas surgem daqueles que querem reduzir e selecionar a fertilidade e o crescimento demográfico. Finalmente, as críticas procedem também daqueles que querem limitar a autoridade moral da Igreja Católica.

– O que teria acontecido se a Igreja não tivesse se oposto à difusão da pílula?

– Simón Castellví: Não quero sequer pensar nisso. Só considerando o efeito abortivo das pílulas, a própria Igreja Católica seria hoje menos numerosa. Posso compreender o pensamento de milhões de mulheres que usam a pílula, mas quero sugerir que existe uma antropologia melhor para elas, a que a Igreja Católica propõe.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Núncio no Brasil: defesa e promoção da vida é o desafio maior de nosso tempo

Arcebispo explica que Documento de Aparecida reafirma o evangelho da vida


INDAIATUBA, quarta-feira, 26 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O núncio apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, considera que «a defesa e a promoção da vida é o desafio maior de nosso tempo».

O núncio falou sobre a abordagem que o Documento de Aparecida faz do tema da defesa da vida na homilia da Missa de abertura do congresso internacional «Pessoa, cultura da vida e cultura da morte», na manhã de hoje, em Itaici (Indaiatuba, São Paulo).

Segundo Dom Lorenzo Baldisseri, o Documento de Aparecida «se estrutura em torno da mensagem da Vida, cujo centro é Cristo». «A temática da vida ilumina também cada uma das três grandes partes do Documento, sempre ligando a pessoa de Jesus Cristo à vida dos povos latino-americanos». 

«Diante dos desafios do mundo contemporâneo, que está perdendo o caminho da vida para enveredar pelo caminho da morte, o Documento reafirma o evangelho da vida e evoca a pergunta de Tomé: “Como vamos saber o caminho?”. A resposta de Jesus é uma proposta: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.»

Dom Lorenzo explica que o Documento «proclama a Boa Nova de Jesus Cristo que deve ser proclamada em toda circunstância e particularmente nos campos da dignidade humana, da vida, da família e da atividade humana».

«Diante dos diversos obstáculos apresentados pela cultura vigente que, muitas vezes apresenta uma vida sem sentido, que tem como base o subjetivismo hedonista e gera um mundo de exclusão e de morte, somos convidados a acolher a proposta de vida trazida por Jesus Cristo, que veio ao mundo “para que todos tenham vida e a tenham em abundância”.»

O arcebispo explicou que, discordando da mentalidade reinante, «que mede o valor da vida a partir de critérios de funcionalidade, nós, como discípulos de Jesus Cristo, devemos continuar acreditando e defendendo a sacralidade da vida humana, independente das condições ou do estágio em que se encontra».

«Também o sofrimento, quando acolhido numa atitude de fé, pode transformar-se numa significativa experiência de humanização e proporcionar um verdadeiro encontro com o Senhor.»

Segundo Dom Lorenzo, no Documento de Aparecida «reafirma-se, mais uma vez, o caráter inviolável e sagrado da vida humana, que deve ser salvaguardado desde a concepção até seu término natural».

«A defesa e a promoção da vida é o desafio maior de nosso tempo. É a missão de toda a Igreja e, no contexto latino-americano e caribenho, é um programa renovado que chama a um empenho continental de missão», considera.

O núncio pediu então a construção de «uma verdadeira cultura da vida, na qual a Pessoa Humana, especialmente a mais frágil e indefesa, possa ser respeitada e acolhida em sua original e intrínseca dignidade».


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pressão para aprovar o aborto no Brasil não acabou

Líder pró-vida destaca importância da formação no campo da Bioética


SÃO PAULO, segunda-feira, 3 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- A pressão para aprovar o aborto no Brasil continua; diante disso, é importante a formação permanente de todos os fiéis no campo da Bioética, considera uma líder pró-vida no país.

A Dra. Lenise Garcia, professora da Universidade de Brasília e presidente do Movimento Nacional pela Cidadania em Defesa da Vida “Brasil Sem Aborto”, recorda que duas comissões da Câmara dos Deputados rejeitaram, este ano, um projeto de lei que legalizaria o aborto no país (PL 1135/91).

Mas isso não significa que os grupos pró-aborto tenham enfraquecido. «Há forte pressão da ONU e de ONGs que contam com financiamento externo para que o aborto seja aprovado no Brasil, e de modo geral na América Latina, contra a evidente vontade da população», disse a professora, no contexto do IV Seminário de Bioética da Diocese de Taubaté (São Paulo), realizado dia 25 de outubro.

De acordo com Lenise Garcia, há também o problema do «relativismo vigente», que descarta «os argumentos que se apóiam nos direitos e na dignidade da pessoa humana».

No contexto da rejeição do PL 1135/91, a professora considera que «foi em parte a mobilização dos eleitores, que se manifestaram perante os deputados (por carta, telefonema, e-mail ou visitas pessoais), que conseguiu a vitória da vida nas duas comissões, e esperamos que a consiga no Plenário».

Segundo a professora, os eleitores devem verificar a postura de seus candidatos em «questões importantes» como o tema da defesa da vida. «A consciência das pessoas está crescendo, e também os meios para informar-nos sobre os possíveis candidatos ao nosso voto».

Lenise Garcia considera também que é preciso elaborar políticas públicas que reconheçam o papel da família na estruturação da sociedade. «É importante que a legislação e as ações administrativas sejam feitas tendo-se em vista a proteção à família, ao casamento, à maternidade (incluída a gestação), à infância, à adolescência e à velhice».

Um outro campo de trabalho imprescindível, de acordo com a professora, «é a formação permanente de todos os fiéis no que se refere aos atuais desafios da Bioética».

«É preciso que os fiéis conheçam a doutrina da Igreja sobre questões como reprodução assistida, aborto (inclusive nos casos em que alguns pretendem abrir exceções), uso de células-tronco, etc.»

A professora cita «excelentes documentos», como a encíclica Evangelium Vitae, de João Paulo II, e o Donum Vitae, da Congregação para a Doutrina da Fé, «que poderiam ser mais amplamente difundidos».

Além disso – prossegue Lenise –, há que incentivar os leigos para que «assumam com ousadia o papel que lhes cabe na estruturação da sociedade, como cidadãos livres e responsáveis».

«O leigo precisa compreender que não fala "em nome da Igreja", mas que deve ser coerente com sua fé em todas as suas atuações sociais, políticas, econômicas», disse.

A professora destacou também a importância da oração no trabalho em defesa da vida. 

«A oração é o nosso sustentáculo». «Todos os cristãos podem contribuir com as suas orações a Deus para que se preserve no mundo a cultura da vida», afirma.

sábado, 19 de julho de 2008

Juiz no Brasil nega autorização para abortar não nascido com má formações

BRASILIA, 17 Jul. 08 (ACI) .- O juiz José Antônio Hirt Preiss da 3ª Câmara Criminal da Brasilia, rechaçou o pedido de uma mulher que solicitava a descriminalização do aborto de um não nascido por ter má formações.

O pedido já tinha sido denegado em uma primeira instância.

Neste caso, destacou o magistrado, não existe risco de vida para a mulher e portanto, o aborto não procede legalmente, segundo a Constituição brasileira.

"Não se trata, aqui, de interromper a gravidez, em função de um feto com anencefalia, considerando que isso não está contemplado no artigo 128 do Código Penal, razão pela qual denego o pretendido pela apelante", assinalou o juiz.

O caso da mulher tinha sido impulsionado por grupos feministas que tentam estabelecer um antecedente jurídico no Brasil para obter a legalização do aborto.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

No corredor da morte...

Roteiro: Alessandro Lima Arte: Emerson H. de Oliveira

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Sindicato do Inferno

Roteiro: Alessandro Lima Arte: Emerson H. Oliveira.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Quem é irracional?

Roteiro: Alessandro Lima. Arte: Emerson H. de Oliveira.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Se o aborto for descriminalizado...


Roteiro: Alessandro Lima. Arte: Emerson H. de Oliveira.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Os Canibais

Roteiro: Alessandro Lima Arte: Emerson H. de Oliveira.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Embrião congelado por 8 anos produz bebê

CLÁUDIA COLLUCCI
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Mirassol

Aos seis meses de idade, Vinícius é um bebê que adora papinha de mamão, já tenta sair sozinho do carrinho e dá sonoras gargalhadas durante o banho. O menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde no país. Pelos critérios da Lei de Biossegurança, seria um embrião indicado para pesquisas com células-tronco embrionárias.

Caio Guatelli/Folha Imagem
Menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde
Menino foi gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos, um recorde

A lei, aprovada em 2005, enfrenta uma ação de inconstitucionalidade movida pelo ex-procurador-geral da República, o católico Claudio Fonteles. Ele acha que destruir embriões de cinco dias para a extração de células para pesquisa viola a Constituição, que garante o direito à vida.

O julgamento da ação no Supremo Tribunal Federal foi interrompido na última quarta-feira por um pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

Vinícius nasceu após quase 20 anos de tentativas de gravidez do casal Maria Roseli, 42, e Luiz Henrique Dorte, 41, de Mirassol (SP), que incluíram quatro fertilizações in vitro (FIV) e três abortos de gêmeos no terceiro mês de gestação. A mulher tinha endometriose e o marido, má qualidade dos espermatozóides, fatores que impediam uma gravidez natural.

Na última FIV, feita em 1999, Maria Roseli produziu nove embriões. Transferiu quatro para o útero, mas não engravidou. O casal decidiu então congelar os cinco embriões restantes. "Resolvemos dar um tempo. Não suportaria a dor de mais um aborto", relata a mãe.

Naquele mesmo ano, adotaram Paulo Henrique, à época com um ano e seis meses. "Era um menino frágil, cheio de problemas de saúde. Ficamos tão envolvidos com ele que nem percebemos o tempo passar."

Em 2006, o casal recebeu um telefonema da clínica de reprodução em Ribeirão Preto, onde haviam feito o tratamento, questionando sobre o destino que pretendiam dar aos cinco embriões. "Resolvemos transferir, mas sem muita esperança de dar certo", conta Luiz Dorte.

Em três ocasiões, a transferência dos embriões congelados para o útero teve de ser adiada porque o endométrio de Maria Roseli não atingia a espessura mínima. Em fevereiro de 2007, os embriões foram, enfim, descongelados. Três sobreviveram e foram transferidos ao útero de Maria Roseli. Um se fixou. "Nem comemorei muito porque tinha o fantasma dos abortos aos três meses que ficava me rondando", diz ela.

Com 28 semanas de gestação, ela sofreu uma hemorragia provocada pelo rompimento de duas veias na placenta e o parto teve de ser induzido para preservar a vida da mãe. Vinícius nasceu com 1,2 kg medindo 36 cm e, dez dias depois, chegou a pesar 840 gramas.

Foram necessários 22 dias de UTI neonatal e mais um mês de internação hospitalar para que o menino atingisse 1,8 kg e tivesse alta da maternidade.

"Meu filho venceu oito anos de congelamento e a prematuridade. Imagine se eu tivesse desistido dele e doado o embrião para pesquisa? Acredito sim que há vida [nos embriões], o Vinícius é a prova disso", diz Maria Roseli, católica praticante. Ela afirma ser favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias, mas "não teria coragem" de doar seus embriões para esse fim.

O ginecologista José Gonçalves Franco Júnior, detentor do maior banco de criopreservação do país, onde os embriões de Maria Roseli ficaram, também aposta na viabilidade dos congelados. Sua clínica já obteve 402 nascimentos de bebês a partir de embriões criopreservados, a maioria acima de três anos de congelamento.

"É uma loucura falarem que embrião congelado há mais de três anos é inviável. E isso não tem nada a ver com religião. A viabilidade é um fato e ponto. Os maiores centros de reprodução na Europa defendem o congelamento de embriões como forma de evitar a gravidez múltipla", afirma o médico.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u380351.shtml

quinta-feira, 20 de março de 2008

Sob a cultura da morte


Roteiro: Alessandro Lima. Arte: Emerson H. de Oliveira

sexta-feira, 14 de março de 2008

Responsabilidade dos médicos na promoção da cultura da vida (I)

Fala José María Simón Castellvi, da Federação Internacional de Médicos Católicos

Por Inmaculada Álvarez

BARCELONA, sexta-feira, 14 de março de 2008 (ZENIT.org).- A Federação Internacional de Médicos Católicos (FIAMC) prepara um documento internacional sobre o uso de métodos anticoncepcionais que será publicado antes do verão europeu, provavelmente em Roma, por ocasião do 40º aniversário da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. O atual presidente de FIAMC, o espanhol José María Simón Castellví, adiantou à Zenit alguns aspectos do conteúdo do documento, atualmente em fase de redação.

A FIAMC foi constituída em 1966 com a aprovação de seus estatutos por parte do 11º congresso Internacional de Médicos Católicos, celebrado em Manila, e por parte da Santa Sé. Contudo, o associacionismo de médicos católicos é muito anterior: a primeira associação de médicos católicos foi fundada na França em 1884 durante o pontificado de Leão XIII, seguida de outras em vários países da Europa.

Em 1924 se formou um Secretariado Internacional de Sociedades Nacionais de Médicos católicos, que organizou os primeiros encontros internacionais destas associações (o primeiro em Bruxelas em 1935), visando a estabelecer uma federação de alcance mundial. No 11º Congresso, realizado em Manila em 1966, os Estatutos oficiais e orientações da FIAMC foram adotados pela Assembléia Geral e aprovados pela Santa Sé. Atualmente conta entre seus membros associações dos cinco continentes.

–Com que propósito se elabora o documento e a quem está dirigido?

–José María Simón: O documento está dirigido aos médicos, católicos ou não, que compartilham os princípios éticos e antropológicos da cultura da vida. O palestrante é o professor suíço de Ginecologia e Obstetrícia Rudolf Ehmann, egrégio membro de nossa Federação, que agora mesmo está trabalhando em Camarões. Terá também contribuições de nosso comitê executivo e do assistente eclesiástico, Dom Maurízio Calipari.

A encíclica de Paulo VI é magistério, que só pode fazer o Papa ou os bispos em comunhão com ele; a respeito do nosso documento, deve considerar-se mais como uma «perícia qualificada». A própria encíclica, em um de seus parágrafos, dizia: «considerem os médicos e as demais equipes da saúde, como próprio dever profissional, dar conselhos e diretrizes aos esposos que os consultam». Somos conscientes, como profissionais, da dificuldade de promover esta doutrina, e depois de quarenta anos aceitamos o desafio.

O tema do documento é o anticoncepcional e a regulação da natalidade, porque não esquecemos que os meios aceitos pela Igreja, chamados «naturais» porque respeitam os ciclos naturais da mulher, não servem só para dar espaços entre um nascimento e outro, mas também para buscar os nascimentos. A encíclica, portanto, não deve ser vista desde o ponto de vista exclusivamente negativo, como rejeição da anticoncepção.

Por outro lado, o que a doutrina propõe é o natural, porque uma mulher fértil não é uma doente, portanto dar-lhe um fármaco não concorda muito com seu estado de saúde. Toma-se um remédio quando se tem um problema a ser corrigido, não quando se está sadio.

–Existe um pouco de confusão com os tipos de pílulas existentes: se são abortivas ou não, etc. Que juízo o senhor pode dar-nos como médico?

–José María Simón: Existem três tipos de pílula: a Ru-486, a do dia seguinte e a anticoncepcional. Sobre a primeira, o juízo está claro, trata-se de um combinado produzido para provocar uma morte, e nem sequer merece o nome de medicamento. A pílula do dia seguinte é um fármaco que, em 70% das vezes em que atua, o faz para eliminar um óvulo humano fecundado e, portanto, também é abortiva. A pílula anticoncepcional tem outra avaliação porque não produz a morte do embrião. A avaliação não é positiva, mas não tem a mesma gravidade moral que as anteriores.

Como médico, devo dizer que nenhum dos três tipos de pílula é inócuo para o organismo feminino, ao contrário. A Ru-486 pode chegar a produzir a morte; a pílula do dia seguinte tem também muitos efeitos colaterais. Também deve-se assinalar que o uso da pílula do dia seguinte contradiz o mito do «sexo seguro», porque a única coisa que impede é a gravidez, e não o contágio das 26 doenças sexualmente transmissíveis conhecidas até agora.

Com relação à pílula anticoncepcional, o que produz é uma alteração hormonal para evitar a ovulação, e isso a longo prazo pode estar associado a fenômenos de trombose, hipertensão ou depressões.

De qualquer forma, o juízo moral negativo não se remete aos efeitos colaterais, porque se amanhã se desenhar uma pílula que não os tivesse, o juízo continuará sendo negativo. Eu costumo dizer que um adultério de pensamento não tem efeitos materiais, mas não por isso deixa de ser ruim.

O documento que estamos preparando, e que estamos fazendo com muito carinho, enfrenta muitas destas questões, porque entendemos que a responsabilidade não recai só sobre nossos pastores: sem a opinião qualificada dos médicos católicos, a questão da defesa da vida ficaria um pouco paralisada. Na gravidez e no parto, a figura do médico é necessária, somos um elemento-chave, e não só o ginecologista, também o médico de família, ao que muitas vezes se pede orientação.

–Que responsabilidade têm os médicos na extensão da «mentalidade contrária à vida» que triunfa atualmente no Ocidente?

–José María Simón: Somos evidentemente uma peça-chave. Também nós estamos às vezes manipulados pelo mundo do dinheiro, pela indústria farmacêutica que muitas vezes impulsiona o médico a práticas que não são necessárias.

Em todo caso, o médico é um elemento importante, porque tem um alto reconhecimento, tanto dentro como fora da Igreja. No caso da Humanae Vitae, a pouca aceitação que teve esta doutrina nos permite agora propor os pontos de vista contidos nela sem que seja interpretada como uma imposição, desde uma boa práxis médica e uma antropologia saudável.

De qualquer forma, no Ocidente existia, dentro da profissão médica, uma transmissão de valores éticos que não se realizava nas universidades, mas fundamentalmente na relação professor-aluno: aprendia-se se usar na profissão fazendo estágio em um serviço médico às ordens de um facultativo mais idoso, e lá se exercitava na prática, nos gestos, muitos valores, como o trato respeitoso do paciente, o valor da vida enferma, etc.

Contudo, desde a aparição das matérias de bioética, esta aprendizagem pessoal está-se perdendo, e foi invadida pelas ideologias. Então, dependendo de que faculdade se trate, ensinam umas ideologias ou outras. Infelizmente, um estudante ou recém-formado hoje, como mostram as estatísticas, não tem as idéias éticas claras, e é mais influenciável.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Demissão da Morte

Roteiro: Alessandro Lima. Arte: Emerson H. de Oliveira

Entidades usurpam o prestígio e a dignidade do nome cristão ao promover aborto

Arcebispo da Paraíba (Brasil) comenta sobre as «Católicas pelo Direito de Decidir»

Por Alexandre Ribeiro

JOÃO PESSOA, quinta-feira, 13 de março de 2008 (ZENIT.org).- Entidades como as «Católicas pelo Direito de Decidir», ao promoverem, entre outras iniciativas contrárias ao Magistério da Igreja, o aborto, usurpam o prestígio e a dignidade do nome cristão, afirma um arcebispo brasileiro.

No contexto da Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil, que nesta quaresma discute o tema da defesa da vida, Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba (nordeste do país), destaca em mensagem difundida ontem pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que essa ONG tem provocado «confusão e perplexidade» nos fiéis.

O arcebispo explica que esse grupo de feministas se auto-intitula «católicas pelo direito de decidir». Mas «decidir o quê?», questiona. «Decidem pelo abortamento.»

«Ora --prossegue Dom Aldo Pagotto--, isso é inadmissível para uma cristã que professa o Credo, segue os Mandamentos da Lei de Deus e confessa com o seu comportamento que Jesus Cristo é Senhor e Salvador.»

O prelado recorda que essa ONG é patrocinada e atua como uma entidade feminista que se constituiu no Brasil desde 1993. Ela se articula em rede com várias parcerias no mundo, em particular com a organização norte-americana intitulada “Catholics for a Free Choice”.

Essa rede feminista --explica Dom Aldo-- defende o aborto publicamente e distorce «totalmente o ensino católico, sobretudo o respeito e a proteção devidos à vida do nascituro indefeso».

Segundo o arcebispo, no Brasil essa rede feminista se subdivide em várias ramificações: entre as mais conhecidas estão os grupos denominados de «Cunha», «8 de Março», «Amazonas».

«Pelo que se vê, tais “católicas” juntaram-se à rede feminista, usurpando o prestígio e dignidade do nome cristão, com o intuito de confundir as pessoas, espalhando mentiras», afirma Dom Aldo Pagotto.

O arcebispo lembra que a Igreja no Brasil, pela presente Campanha da Fraternidade, reafirma «o compromisso com a vida do ser humano e, de forma específica, com a gestante e o nascituro».

Ele enfatiza que a proposta da CNBB pede políticas públicas que «assegurem a saúde» da mãe e da criança que ela traz em seu seio, «oferecendo condições para ter e criar bem os seus filhos e jamais abortá-los».

«“Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19) será o nosso lema perene, criando iniciativas que enfrentam e superam tantas ameaças que nos cercam», afirma.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Contrária à pesquisa que mata embriões, Igreja não é obscurantista, diz cardeal

Segundo Dom Odilo Scherer, procedimentos científicos devem respeitar a ética

Por Alexandre Ribeiro

SÃO PAULO, quinta-feira, 6 de março de 2008 (ZENIT.org).- A Igreja Católica não é «obscurantista» nem «contrária ao progresso da ciência» quando manifesta sua posição contra ao uso de embriões humanos na pesquisa científica, afirma o arcebispo de São Paulo.

O cardeal Odilo Scherer se manifestou sobre o assunto por meio de mensagem aos fiéis, na semana em que o Supremo Tribunal Federal do Brasil iniciou o julgamento da constitucionalidade ou não de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional que permite o uso de embriões humanos na pesquisa científica.

Segundo Dom Odilo, «a Igreja defende a vida dos embriões humanos e considera ser contrário à ética e à lei moral o uso desses embriões na pesquisa científica, quando isso significa a danificação ou a destruição dos embriões».

Da mesma forma --prossegue o cardeal--, ela «julga ser contrária à dignidade humana a produção de embriões humanos em laboratório para estocá-los, sem ter em vista sua efetiva implantação no útero materno, para poder desenvolver-se normalmente».

O arcebispo reconhece que essa posição da Igreja «causa, por vezes, incompreensões e até acusações preconceituosas de que ela é "obscurantista" e contrária ao progresso da ciência».

«Fala-se, até mesmo, contrária ao bem de pessoas doentes, que vêem nesse tipo de pesquisa a esperança de cura para seus males.»

Mas «isso é injusto e não é verdadeiro», afirma o cardeal.

Dom Odilo explica que a Igreja tem essa posição «antes de tudo porque, baseada em sólidos dados científicos, ela afirma que a vida do ser humano começa na fecundação do óvulo, quer isso aconteça naturalmente no ventre da mulher, quer artificialmente, em laboratório».

Diante disso, segundo o arcebispo, a pesquisa com células-tronco embrionárias é reprovável porque nela é necessário matar o embrião para obter essas células.

O cardeal Scherer enfatiza que a Igreja «não é contra a ciência; nem, muito menos, contrária ao bem de pessoas doentes».

«Mas afirma, com serena firmeza, que os procedimentos científicos, sendo uma atividade humana, também devem respeitar a ética. Os fins não justificam os meios.»

Aos que precisam de cura e colocaram toda a sua esperança nas pesquisas com células tronco embrionárias humanas, o cardeal considera que, antes de tudo, é preciso dizer a eles «que a busca da cura é um desejo legítimo e a ciência deve ser apoiada e encorajada a encontrar soluções para as doenças e deficiências humanas».

«Mas não a qualquer custo», explica o arcebispo de São Paulo, «e sempre com métodos adequados e eticamente aceitáveis. De toda forma, não mediante a supressão da vida de outros seres humanos».

Protesto Abortista


Roteiro: Alessandro Lima. Arte: Emerson H. de Oliveira.

terça-feira, 4 de março de 2008

«Católicas pelo Direito de Decidir» não é organização católica, lembra CNBB

E não fala pela Igreja Católica, enfatiza Conferência episcopal brasileira

Por Alexandre Ribeiro

BRASÍLIA, terça-feira, 4 de março de 2008 (ZENIT.org).- «Católicas pelo Direito de Decidir» não é uma organização católica e não fala pela Igreja Católica, recorda a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

O organismo episcopal brasileiro manifestou-se sobre o assunto por meio de nota, esta segunda-feira, já que «têm chegado à sede da CNBB inúmeras consultas sobre a ONG», «uma vez que em seus pronunciamentos há vários pontos contrários à doutrina e à moral católicas».

A nota esclarece que «se trata de uma entidade feminista, constituída no Brasil em 1993, e que atua em articulação e rede com vários parceiros no Brasil e no mundo, em particular com uma organização norte-americana intitulada “Catholics for a Free Choice”».

«Sobre esta última, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já fez várias declarações, destacando que o grupo tem defendido publicamente o aborto e distorcido o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devidos à vida do nascituro indefeso», explica a CNBB.

O grupo também «é contrário a muitos ensinamentos do Magistério da Igreja; não é uma organização católica e não fala pela Igreja Católica (Cf. http://www.usccb.org/comm/archives/2000/00-123.htm)».

De acordo com a nota da CNBB, «essas observações se aplicam, também, ao grupo que atua em nosso país».

A Conferência episcopal brasileira lembra que a Campanha da Fraternidade 2008 «reafirma nosso compromisso com a vida, especialmente, com a vida do ser humano mais indefeso, que é a criança no ventre materno, e com a vida da própria gestante».

«Políticas públicas realmente voltadas à pessoa humana são as que procuram atender às necessidades da mulher grávida, dando-lhe condições para ter e a criar bem os seus filhos, e não para abortá-los», afirma a nota.

«“Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19). Ainda que em determinadas circunstâncias se trate de uma escolha difícil e exigente, reafirmamos ser a única escolha aceitável e digna para nós que somos filhos e filhas do Deus da Vida.»

A CNBB encerra a nota conclamando «os católicos e todas as pessoas de boa vontade a se unirem a nós na defesa e divulgação do Evangelho da Vida, atentos a todas as forças e expressões de uma cultura da morte que se expande sempre mais».

segunda-feira, 3 de março de 2008

Nota da CNBB sobre as Católicas pelo Direito de Decidir

segunda: 03 de março de 2008

Têm chegado à sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – inúmeras consultas sobre a ONG denominada “Católicas pelo Direito de Decidir”, uma vez que em seus pronunciamentos há vários pontos contrários à doutrina e à moral católicas.

Esclarecemos que se trata de uma entidade feminista, constituída no Brasil em 1993, e que atua em articulação e rede com vários parceiros no Brasil e no mundo, em particular com uma organização norte-americana intitulada “Catholics for a Free Choice”. Sobre esta última, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já fez várias declarações, destacando que o grupo tem defendido publicamente o aborto e distorcido o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devidos à vida do nascituro indefeso; é contrário a muitos ensinamentos do Magistério da Igreja; não é uma organização católica e não fala pela Igreja Católica[1]. Essas observações se aplicam, também, ao grupo que atua em nosso país.

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2008 reafirma nosso compromisso com a vida, especialmente, com a vida do ser humano mais indefeso, que é a criança no ventre materno, e com a vida da própria gestante. Políticas públicas realmente voltadas à pessoa humana são as que procuram atender às necessidades da mulher grávida, dando-lhe condições para ter e a criar bem os seus filhos, e não para abortá-los.

“Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19). Ainda que em determinadas circunstâncias se trate de uma escolha difícil e exigente, reafirmamos ser a única escolha aceitável e digna para nós que somos filhos e filhas do Deus da Vida.

Conclamamos os católicos e a todas as pessoas de boa vontade a se unirem a nós na defesa e divulgação do Evangelho da Vida, atentos a todas as forças e expressões de uma cultura da morte que se expande sempre mais.

Brasília, 03 de março de 2008

domingo, 2 de março de 2008

Igreja no Brasil reafirma posição contra pesquisa com embriões

BRASÍLIA, domingo, 2 de março de 2008 (ZENIT.org).- O Supremo Tribunal Federal do Brasil julgará na próxima quarta-feira uma ação que define a continuidade ou não das pesquisas com células-tronco embrionárias no país.

Esse foi um dos principais assuntos tratados pelo Conselho Permanente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), reunido de 27 a 29 de fevereiro, em Brasília.

Segundo informa a Sala de Imprensa da CNBB, em entrevista coletiva essa sexta-feira, a presidência do organismo episcopal reafirmou a posição da Igreja em relação a essa questão.

«A Igreja volta mais uma vez a dirigir sua palavra em defesa da vida. Esta é a posição básica e fundamental da Igreja. Não significa ser contra a ciência, contra o progresso, mas ser em primeiro lugar a favor da vida», disse o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, ao reafirmar a posição da Igreja contrária ao uso de células-tronco embrionárias para pesquisas.

De acordo com Dom Geraldo Lyrio, os bispos do Conselho Permanente decidiram enviar uma carta aos ministros do Supremo Tribunal para expressar a posição da Igreja.

«Não queremos fazer pressão sobre o STF, mas expor, inclusive como integrantes da própria sociedade brasileira, o nosso ponto de vista», disse.

«A Igreja não pretende impor o seu ponto de vista, mas defender seu direito de propor e de anunciar, sobretudo, quando se trata de uma questão como esta que extrapola os diferentes credos, posições filosóficas, ideologias, partidos políticos, dado ser uma questão que diz respeito a todos», afirmou o presidente.

O secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, destacou que a partir do momento que a vida começa, deve ser protegida, inclusive pelas instituições da sociedade civil e do próprio Estado.

Para ele, a Lei de Biossegurança, quando aprovada, trouxe erros graves ao misturar temas completamente díspares num único projeto de lei. «A Lei de Biossegurança abre caminho para a legalização progressiva do aborto e o desrespeito da vida humana», declarou.

(Com CNBB)