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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Levantamento de excomunhões procura sanar um cisma, precisa Cardeal Castrillón



ROMA, 10 Fev. 09 / 06:02 pm (ACI).- O Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Cardeal Darío Castrillón Hoyos, precisou que o levantamento da excomunhão aos 4 bispos ordenados pelo arcebispo Marcel Lefebvre, procurava antes de mais nada sanar um cisma; e não tinha a intenção, em nenhum caso, de apoiar as teses negacionistas do bispo Williamson.

Em uma entrevista concedida a RCN, o Cardeal ressaltou, perguntado pela atual sitaução logo do levantamento das excomunhões aos 4 bispos lefebvristas, que "sempre tive a verdade como norma. O Santo Padre conhece isso. Nós continuamos adiante tratando de que se reconstrua esta unidade da Igreja e termine totalmente este cisma".

Seguidamente, o Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, criada por João Paulo II para o diálogo com os lefebvristas, precisou que "o importante neste momento é que o Papa parou um cisma. A caridade que Cristo queria que houvesse na Igreja se há notavelmente restabelecido e se abrem vias de esperança".

Ao mostrar seu rechaço às teses negacionistas de um destes 4 bispos, o britânico Richard Williamson, o Cardeal Castrillón assinalou que "o Santo Padre rechaça totalmente o que se fez na Alemanha contra o povo judeu. Não aceita nada que seja uma ofensa contra o povo judeu. Temos por eles amor. Não esquecemos nunca que Jesus era judeu, Maria era judia e os apóstolos eram judeus".

"Como todo homem honesto do mundo rechaçamos visceralmente o que ocorreu aí (no holocausto). Como cristão o rechaço e como católico me uno às teses de nossa Igreja, que pede que não se esqueça, para que a humanidade não repita atrocidades semelhantes", adicionou.

O Cardeal reiterou logo "o rechaço a toda forma de anti-semitismo e a asseveração histórica de que lamentamos os horrores do holocausto".

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15293

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

NOTA DA SECRETARIA DE ESTADO DA SANTA SÉ

Na seqüência das reações suscitadas pelo recente decreto da Congregação para os Bispos, que remite a excomunhão dos quatro Prelados da Fraternidade São Pio X, e em relação às declarações negacionistas ou reducionistas da Shoah por parte do Bispo Williamson da mesma Fraternidade, se considera oportuno esclarecer alguns aspectos do episódio.

1. Remissão da excomunhão.

Como já publicado anteriormente, o Decreto da Congregação para os Bispos, datado de 21 de Janeiro de 2009, foi um ato pelo qual o Santo Padre foi benignamente ao encontro dos reiterados pedidos por parte do Superior Geral da Fraternidade São Pio X.

Sua Santidade pretendia eliminar um obstáculo que prejudicava a abertura de uma porta ao diálogo. Ele agora espera que igual disponibilidade venha expressa pelos quatro bispos na total adesão à doutrina e disciplina da Igreja.

A gravíssima pena da excomunhão latae sententiae, em que tais bispos incorreram em 30 de Junho de 1988 e, em seguida, declarada formalmente em 1º de Julho do mesmo ano, foi uma conseqüência de suas ordenações ilícitas por parte de Monsenhor Marcel Lefebvre.

A dissolução da excomunhão liberou os quatro bispos de uma grave pena canônica, mas não alterou a situação jurídica da Fraternidade São Pio X, que, no momento atual, não goza de qualquer reconhecimento canônico na Igreja Católica. Os quatro bispos, embora livres da excomunhão, não têm uma função na Igreja e não exercem legitimamente um ministério na mesma.

2. Tradição, doutrina e Concílio Vaticano II

Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI.

Tal como já foi afirmado no Decreto de 21 de Janeiro de 2009, a Santa Sé não deixará, no modo julgado oportuno, de aprofundar com os interessados as questões ainda abertas, para que possamos alcançar uma plena e satisfatória solução dos problemas que deram origem a esta dolorosa fratura.

3. As declarações sobre a Shoah.

As posições de Mons. Williamson sobre a Shoah são absolutamente inaceitáveis e fortemente repudiadas pelo Santo Padre, como ele próprio afirmou em 28 janeiro passado, quando, referindo-se àquele brutal genocídio, reiterou a sua plena e indiscutível solidariedade com nossos irmãos destionatários da Primeira Aliança, e afirmou que a memória daquele terrível genocídio deve conduzir “a humanidade a refletir sobre o imprevisível poder do mal quando conquista o coração do homem”, acrescentando que a Shoah permanece “para todos a advertência contra o esquecimento, contra o a negação ou o reducionismo, porque a violência feita contra um único ser humano é violência contra todos”.

O Bispo Williamson, para uma admissão à função episcopal na Igreja, deverá também manter de modo absolutamente inequívoco e público a distância de sua posição a respeito da Shoah, não conhecida pelo Santo Padre no momento da remissão da excomunhão.

O Santo Padre pede o acompanhamento das orações de todos os fiéis a fim de que o Senhor ilumine o caminho da Igreja. Cresça o empenho dos Pastores e de todos os fiéis no sustento da delicada e difícil tarefa do Sucessor do Apóstolo Pedro como o “guardião da unidade” na Igreja.

Do Vaticano, 4 de Fevereiro de 2009

Fonte: http://fratresinunum.wordpress.com/2009/02/04/nota-da-secretaria-de-estado/

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Bispo que negou Holocausto pede desculpas

Carta de Dom Richard Williamson

ROMA, segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Dom Richard Williamson, o bispo tradicionalista que em declarações à televisão negou a verdade histórica da Shoá judaica, pediu perdão a Bento XVI em uma carta.

Na carta, enviada ao cardeal Darío Castrillón Hoyos em 30 de janeiro, o prelado afirma que «em meio a esta tempestade levantada por comentários imprudentes de minha parte na televisão sueca, rogo-lhe que aceite, com o devido respeito, meus sinceros arrependimentos por ter causado ao senhor mesmo e ao Santo Padre tantos sofrimentos e penas inúteis».

«Para mim, o que realmente tem importância é a Verdade Encarnada e os interesses de sua única verdadeira Igreja, através da qual, e somente dela, é possível salvar nossas almas e dar glória eterna, em nosso modesto modo, ao Deus Todo-Poderoso», acrescenta.

Citando uma frase do profeta Jonas (1, 12), afirma: «Tomai-me e lançai-me ao mar e o mar se acalmará em torno de vós, porque eu sei que é por minha causa que esta grande tempestade se levantou contra vós».

O bispo conclui sua carta pedindo ao cardeal que «transmita ao Santo Padre meu sincero agradecimento pessoal pelo documento assinado na quarta-feira passada e divulgado no sábado», com o qual retirou a excomunhão dos quatro bispos.

Segundo explicou a Santa Sé, retirar a excomunhão não significa estabelecer os bispos nas funções de governo da Igreja. A Conferência Episcopal da Suíça declarou que continuam suspensos de suas funções como bispos (suspensão ad divinis).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Papa pede a lefebvristas reconhecer o Concílio Vaticano II

VATICANO, 28 Jan. 09 / 12:25 pm (ACI).- Depois do gesto de magnanimidade e misericórdia do Papa Bento XVI ao levantar a excomunhão dos 4 bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre, o Santo Padre solicitou aos lefebvristas aceitar o Concílio Vaticano II.

Ao concluir a Audiência Geral, Bento XVI se referiu ao decreto dado a conhecer no sábado 24 de janeiro no que se revoga a excomunhão aos "quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre sem mandato pontifício".

O Papa indicou que "realizei este ato de paterna misericórdia porque estes prelados me tinham manifestado várias vezes seu vivo sofrimento pela situação em que se encontravam".

Do mesmo modo, Bento XVI manifestou seu desejo de que "este meu gesto seja correspondido pelo compromisso solícito por parte deles de dar os ulteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja, testemunhando assim verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II".

Papa explica levantamento das excomunhões


http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=68692

Bento XVI explicou hoje a sua decisão de levantar as excomunhões aos quatro Bispos ordenados em 1988 por mons. Lefebvre, sem mandato pontifício, falando num “acto de misericórdia paterna”.

O Papa revelou na audiência geral desta Quarta-feira que espera agora, da parte dos destinatários desta decisão, “posteriores passos necessários para realizar a plena comunhão com a Igreja”.

Em particular, Bento XVI falou na necessidade de testemunharem “verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento pelo magistério e a autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II”.

Os Bispos em causa são D. Bernard Fellay, D. Bernard Tissier de Mallerais, D. Richard Williamson e D. Alfonso de Galarreta.

O Papa lembrou as palavras pronunciadas na Missa do seu início de ministério, em Abril de 2005, na qual falava do chamamento à unidade: “Alegremo-nos pela tua promessa, que não desilude, e façamos o possível para percorrer o caminho rumo à unidade, que tu prometeste. (...) Não permitas que a tua rede se rompa e ajuda-nos a ser servos da unidade”, repetiu hoje Bento XVI.

No “cumprimento específico deste ministério”, frisou o Papa, decidiu levantar as excomunhões porque “estes prelados manifestaram, repetidamente, o seu vivo sofrimento pela situação em que encontravam”.

Papa explica por que revogou excomunhão dos bispos lefebvristas

Augura que por parte deles «continue o empenho» de «chegar à plena comunhão com a Igreja»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa pessoalmente explicou hoje, durante a audiência geral, por que decidiu revogar a excomunhão dos bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre, tal como a Santa Sé deu a conhecer no sábado passado, 24 de janeiro.

Foi, explicou, um «ato de misericórdia paterna», em cumprimento do «serviço à unidade» próprio do «ministério do Sucessor de Pedro», e acrescentou que «espera um empenho» por parte destes bispos «para chegar à plena comunhão».

Ao término da audiência geral, e em meio às saudações aos diferentes grupos de peregrinos reunidos na Sala Paulo VI, o próprio Papa leu três comunicados, o primeiro sobre a eleição do novo patriarca de Moscou.

No segundo, o Papa se referiu à revogação da excomunhão dos quatro bispos, recordando algumas palavras da primeira homilia de seu pontificado, nas quais afirmou que é «explícito» dever do pastor «o chamado à unidade».

Referiu-se a suas próprias palavras comentando a passagem evangélica da pesca milagrosa: «’ainda que havia tantos peixes, a rede não se rompeu’, e prossegui após estas palavras evangélicas: ‘Ai de mim, amado Senhor, esta – a rede – agora está arrebentada, queríamos dizer com dor’. E continuei: ‘Mas não – não devemos estar tristes! Alegremo-nos por vossa promessa que não decepciona e façamos todo o possível para percorrer o caminho rumo à unidade que vós prometestes... Não permitais, Senhor, que vossa rede se rompa e ajudai-nos a ser servidores da unidade’».

«Precisamente em cumprimento deste serviço à unidade, que qualifica de modo específico meu ministério de Sucessor de Pedro, decidi há dias conceder a remissão da excomunhão em que haviam incorrido os quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Lefebvre sem mandato pontifício», declarou.

O Papa explicou que o motivo deste «ato de misericórdia paterna» foi que «repetidamente estes prelados me manifestaram seu vivo sofrimento pela situação na qual se encontravam».

Contudo, recordou que este ato não supõe ainda a reintegração à comunhão plena e confiou em que, «a este gesto meu siga o solícito empenho de sua parte por levar a cabo ulteriores passos», entre eles «o verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II».

Sobre a Shoá

Logo depois, o Papa leu um terceiro comunicado no qual expressou sua firme condenação do Holocausto, e expressou sua solidariedade com o povo hebreu. Nele expressou seu desejo de que «a Shoá seja para todos advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo».

Com estas palavras, ainda que sem mencionar explicitamente, o Papa saia ao passo das polêmicas declarações de um dos quatro bispos a quem se levantou a excomunhão, Dom Richard Williamson, que havia negado a existência do Holocausto em uma entrevista concedida à televisão sueca.

O próprio Papa quis dar seu testemunho pessoal, recordando «as imagens recolhidas em minhas repetidas visitas a Auschwitz, um dos lugares nos quais se consumou o brutal massacre de milhões de hebreus, vítimas inocentes de um cego ódio étnico e religioso».

As declarações de Dom Williamson haviam sido comentadas nestes dias como «inaceitáveis» e «ignominiosas» por vários cardeais da Cúria Romana, assim como pela Conferência Episcopal Suíça.

Precisamente ontem, Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade de São Pio X, emitia um comunicado no qual pedia perdão ao Papa por tais declarações.