segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Tradicionalistas voltam à comunhão com Igreja Católica

Cardeal Castrillón avalia o impacto da «Summorum Pontificum»

Por Mary Shovlain

ROMA, segunda-feira, 14 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Seis meses depois de Bento XVI tornar pública a carta apostólica sobre o uso ampliado do missal de 1962, precedente ao Concílio Vaticano II, a Santa Sé vê frutos de reconciliação com os católicos que colocaram objeções às reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II.

«Sumorum Pontificum» facilita a celebração da missa em latim, segundo o missal precedente ao Concílio, um rito que o documento denomina «forma extraordinária».

A carta, emitida em forma de «motu proprio» (de própria iniciativa do Papa), presta atenção à situação de grupos cismáticos, tais como a Sociedade de São Pio X, que rejeita celebrar a Missa do «Novus Ordo», estabelecida pelo Vaticano II.

O cardeal Darío Castrillón Hoyos declara à Zenit que, após o documento de 7 de junho, um grupo já pediu para voltar à plena comunhão com a Igreja.

O cardeal, enquanto presidente da Comissão Pontifícia «Ecclesiae Dei», é o responsável da Santa Sé encarregado de facilitar o retorno à plena comunhão eclesial das pessoas vinculadas à Sociedade de São Pio X, fundada pelo arcebispo Marcel Lefebvre.

«Já recebemos respostas [à carta] – diz o cardeal Castrillón. Aqui em Roma temos uma comunidade que pediu para voltar e já estamos começando uma mediação para seu pleno retorno. Acrescentou que estão chegando pedidos do mundo inteiro: «Muitos dos fiéis se colocaram em contato conosco, escreveram e ligaram, para dizer que desejam a plena comunhão.»

O cardeal Castrillón esclareceu a atual situação dos membros da Sociedade de São Pio X, após as excomunhões do Vaticano dos membros do grupo de 1988, a partir do gesto cismático de Lefebvre de ordenar quatro bispos de forma ilícita.

Explicou que «as excomunhões pela consagração, realizada sem autorização do Papa, afetam só aqueles bispos que levaram a cabo a consagração, e os bispos que receberam a ordenação episcopal desta forma ilícita na Igreja, mas estas não afetam os sacerdotes ou os fiéis. Só alguns bispos foram excomungados».

Segundo o prelado, o que se precisa agora é «refazer juntos o tecido eclesial, porque nossos irmãos – eu os conheço, conheço inclusive melhor a alguns dos bispos – são todos pessoas de boa vontade, pessoas que desejam ser discípulos de Jesus».

«Neste momento – acrescenta –, com um pouco de humildade, com um pouco de generosidade, podemos voltar à comunhão plena, e os fiéis desejam isso porque não querem participar nos ritos quando o sacerdote está suspenso, porque a Igreja não lhe permite presidir a Missa nem absolver os pecados, de maneira que os fiéis desejam este retorno total.»

O cardeal Castrillón disse que espera que cada um dos envolvidos continue «trabalhando com o Santo Padre para refazer juntos esta unidade, de forma que estas pessoas de boa vontade possam ter a plenitude da santidade que vem da união com a Igreja de Cristo, fundada sobre Pedro e seus sucessores».

Carta Aberta aos Verbitas

Revmo. Pe. Miguel Meguime, SVD, superior provincial da Congregação do Verbo Divino (Verbitas):

Na qualidade de fiéis católicos, sob o abrigo do parágrafo 3o do cânon 212 do Código de Direito Canônico, nós vimos expressar a Vossa Reverendíssima nosso repúdio e perplexidade relativamente ao fato de uma empresa controlada por essa Província Verbita, a Verbo Filmes, ter produzido um DVD para distribuição nas igrejas, durante a próxima Campanha da Fraternidade, com a participação da ONG abortista e anticristã "Católicas pelo Direito de Decidir".

Porém, nossa indignação não se cinge a este único fato, que apenas é o mais escandaloso e de nocividade mais perceptível. Quase a metade do DVD, mesmo em sua segunda edição, prestigia figuras que podem ser consideradas, no mínimo, heterodoxas. Vemos nele o sr. Fernando Altemeyer, que há pouco justificava a tentativa de suicídio de d. Luiz Cappio, bispo de Barra, um pecado ainda mais grave que o próprio aborto (ver: http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/?title=fernando_altemeyer_sobre_o_bispo_cappio&more=1&c=1&tb=1&pb=1). Outro é o Frei Carlos Josaphat, OP (ah, os heterodoxos envelhecem!), que contra a lei moral natural e a doutrina bimilenar da Igreja defende o uso de anticoncepcionais e diz que proibir a camisinha é um crime, caluniando como criminoso o próprio Papa (ver: http://sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=62925). Para completar o trio, temos o padre camiliano Léo Pessini, cujas posições sobre aborto e eutanásia são das mais ambíguas, e que é amicíssimo do abortista Volnei Garrafa. O padre Léo Pessini, mesmo não sendo médico, foi um dos responsáveis pela resolução n. 1805/2006, do Conselho Federal de Medicina, que, ao arrepio da Constituição e do Código Penal, relativizou a proteção dispensada a vida humana em seu estágio final. Graças a Deus e ao bom senso da magistratura brasileira, a Justiça Federal suspendeu a resolução homicida que o padre Pessini ajudou a elaborar (ver: http://www.df.trf1.gov.br/inteiro_teor/doc_inteiro_teor/14vara/2007.34.00.014809-3_decisao_23-10-2007.doc ). Ainda há juízes no Brasil, pena que os autênticos sacerdotes e religiosos sejam tão poucos!

É impressionante, mas parece que para participar do DVD da Campanha da Fraternidade em Defesa da Vida é preciso ser heterodoxo, contestador do Sagrado Magistério da Igreja, e mais: ter feito algo contra a defesa da vida -- seja apoiando uma tentativa escandalosa de suicídio, seja difamando a moral sexual decorrente da natureza humana e defendida pela Igreja, seja ainda participando de procedimentos em corporações profissionais para a edição de normas contrárias ao direito natural, à Constituição do País e às leis penais.

E o pior é que isso é feito havendo tanta gente boa no Brasil, capaz de fazer uma defesa da vida muito melhor que o citado trio. Por que não se entrevistou o padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, verdadeiro ícone da luta pela vida no Brasil, sempre firme apesar das duras perseguições que sofreu, que são conhecidas de todos? Por que não foi convidada a Dóris, dirigente da Associação Mulheres pela Vida, que tem um brilhante trabalho de atendimento às gestantes na Baixada Fluminense? Por que não foram ouvidos D. Estêvão Bittencourt, o padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. ou o professor Felipe Aquino, teólogos que são da mais escrupulosa fidelidade ao Sagrado Magistério? E o prof. Dalton Ramos, docente da USP e membro da Pontifícia Academia para Vida? Por que não zelosos representantes da hierarquia, como os bispos D. Aldo Pagotto, D. Eusébio Cardeal Scheid ou D. Roque Opperman, só para ficar em três exemplos? Tantos advogados católicos que poderiam ter feito um papel brilhante no esclarecimento dos aspectos jurídicos da questão, como os doutores Cícero Harada, Ives Gandra e Paulo Leão. Se não se queria limitar-se às portas da Igreja, e ouvir também não católicos, por que não foram convidados o advogado Celso Galli Coimbra, um dos maiores especialistas brasileiros em Biodireito, ou o escritor protestante Júlio Severo? E essa lista é meramente exemplificativa, pois são inúmeros os que, dentro ou fora da Igreja católica, travam o bom combate pela defesa dos valores da vida e da família no Brasil.

Tanta gente boa, por que foram chamar logo pessoas de ortodoxia duvidosa? A Igreja Católica no Brasil comporta uma multifária variedade de movimentos engajados na nova evangelização: o Movimento Sacerdotal Mariano, a Renovação Carismática, os Arautos do Evangelho, a Opus Dei, o Caminho Neocatecumenal, os Focolares e muitos outros. É nesses movimentos que mais bem se percebe a vitalidade do catolicismo no Brasil. Porém, a estrutura burocrática da Igreja continua dominada pela mesma panelinha exclusivista: a oligarquia esclerosada e rançosa da Teologia da Libertação, que mais adequadamente seria referida como "Ideologia da Falsa Libertação". Essa, como um cadáver insepulto, continua com seus miasmas a contaminar e viciar todas as iniciativas sadias que são feitas dentro da Igreja em prol do Evangelho da Vida, do Amor e do Trabalho. São incapazes de qualquer bem, mas sempre eficientes em obstá-lo, como se constata do affaire que estamos discutindo. Deles pode ser dito o que Nosso Senhor disse dos fariseus: «Ai de vós que fechais o Reino dos céus aos homens, pois nem vós entrais, nem deixais entrar os que o querem» (Mt 23,13).

Finalmente, é a presente para requerer a punição, preferencialmente com a demissão, do Sr. Nelson Tyski, funcionário da Verbo Filmes e responsável direto pelo convite feito às "Católicas pelo Direito de Decidir" para fazer sua propaganda abortista no DVD da Campanha da Fraternidade, como se comprova pelas seguintes ligações:

http://br.groups.yahoo.com/group/cdd-br/message/1917

É um absurdo e um escândalo que este senhor, intimamente ligado a uma organização anticristã e abortista, continue trabalhando na empresa que produz vídeos para CNBB. Omitir-se e não tomar nenhuma providência, é preparar a repetição desse vergonhoso acontecimento. E é tornar-se cúmplice de seus delitos.

Atenciosamente,

Rodrigo R. Pedroso
Emanuelle Carvalho Moura
William Murat.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Ato de veneração à Imaculada Conceição na Piazza di Spagna

Homilia do Santo Padre na Piazza di Spagna

ROMA, domingo, 9 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir a homilia pronunciada pelo Santo Padre durante o Ato de Veneração à Imaculada, na Piazza de Spagna, em Roma, na tarde desse sábado, no dia em que a Igreja comemora a festa da Imaculada Conceição de Maria.

* * *

Caros irmãos e irmãs:

Em uma ocasião já tradicional, nós nos encontramos aqui, na Piazza di Spagna, para oferecer nossa homenagem floral a Nossa Senhora, no dia em que toda a Igreja celebra a festa de sua Imaculada Conceição. Seguindo os passos de meus predecessores, também eu me uno a vós, caros fiéis de Roma, para estar com afeto e amor filiais aos pés de Maria, que há 150 anos já vela do alto desta coluna sobre nossa cidade. O gesto de hoje é, portanto, um gesto de fé e de devoção que nossa comunidade cristã repete todos os anos, quase para confirmar o próprio empenho de fidelidade Àquela que, em todas as circunstâncias da vida cotidiana, nos assegura sua ajuda e sua proteção materna.

Esta manifestação religiosa é, ao mesmo tempo, uma ocasião para oferecer aos que vivem em Roma ou passam alguns dias como peregrinos e turistas, a oportunidade de sentirem-se, ainda que na diversidade das culturas, uma única família que se reúne em torno de uma Mãe que partilhou as fadigas quotidianas de cada mulher e mãe de família. Uma mãe, antes de tudo, singular, escolhida por Deus para uma missão única e misteriosa, de gerar à vida terrena o Verbo eterno do Pai, vindo ao mundo para a salvação de todos os homens. E Maria, Imaculada na sua concepção virginal – assim a veneramos hoje com devoto reconhecimento –, percorreu sua peregrinação terrena sustentada por uma fé intrépida, uma esperança sólida e um amor humilde e ilimitado, seguindo os passos de seu filho Jesus. Esteve próxima dele com solicitude materna, do nascimento ao Calvário, onde assistiu à sua crucifixão repleta de dor, mas imóvel na esperança. Ela depois experimentou a alegria da ressurreição, no alvorecer do terceiro dia, do novo dia, quando o Crucificado deixou o sepulcro, vencendo para sempre e de forma definitiva o poder do pecado e da morte.

Maria, em cujo seio virginal Deus se fez homem, é nossa Mãe! Do alto da cruz, de fato, Jesus, antes de consumar seu sacrifício, entregou-a como mãe e a Ela nos confiou como seus filhos. Mistério de misericórdia e de amor, dom que enriquece a Igreja de uma fecunda maternidade espiritual. Voltamos nosso olhar a Ela, sobretudo neste dia, caros irmãos e irmãs, e, implorando sua ajuda, dispomo-nos a ter seu materno ensinamento como tesouro de todos. Esta nossa celeste Mãe não nos convida somente a fugir do mal e a fazer o bem seguindo docilmente a lei divina inscrita no coração de todo cristão? Ela, que conservou a esperança ainda em meio à prova, não nos pede senão que não percamos a força quando o sofrimento e a morte batem à porta de nossas casas? Não nos pede para guardar fielmente o nosso futuro? A Virgem Imaculada não nos exorta a sermos irmãos uns dos outros, todos comungando o empenho de construir juntos um mundo mais justo, solidário e pacífico?

Sim, caros amigos! Mais uma vez, neste dia solene, a Igreja mostra Maria ao mundo como sinal de segura esperança e de definitiva vitória do bem sobre o mal. Aquela que invocamos como «cheia de graça» nos recorda que somos nós todos irmãos e que Deus é nosso Criador e Pai. Sem Ele, ou ainda pior, contra Ele, nós, homens, não podemos mais encontrar o caminho que conduz ao amor, não podemos mais construir uma paz estável.

Acolham os homens de cada nação e cultura esta mensagem de luz e de esperança: acolham-no como dom das mãos de Maria, Mãe de toda humanidade. Se a vida é um caminho, e este caminho se torna freqüentemente escuro, duro e fatigoso, esta estrela poderá iluminá-lo? Em minha encíclicaSpe salvi, publicada no início do Advento, escrevi que a Igreja se volta para Maria e a invoca como «estrela da esperança» (n. 49). Em nossa viagem comum no mar da história, necessitamos de «luzes de esperança», de pessoas, isto é, que trazem luz de Cristo «e oferecem assim orientação para nossa travessia» (ibid.). E quem melhor que Maria pode ser para nós «Estrela da esperança»? Ela, com seu «sim», com a oferta generosa da liberdade recebida do Criador, consentiu com a esperança dos milênios de encontrar a realidade, de entrar neste mundo e na sua história. Por seu intermédio, Deus se fez carne, tornou-se um de nós, e construiu sua morada no meio de nós.

Por isso, animados pela filial confiança, dizemos-lhe: «Ensinai-nos, Maria, a crer, a esperar e a amar como vós; indicai-nos o caminho que conduz à paz, o caminho em direção ao reino de Jesus. Vós, Estrela da esperança, que trepidante nos atendeis na luz sem fim da Pátria eterna, brilhai sobre nós e guiai-nos na vivência de cada dia, agora e na hora de nossa morte. Amém!»

Tradução do original em italiano por José Caetano. Revisão: Aline Banchieri

Porta-voz vaticano: Papa acredita no diálogo sincero com os muçulmanos

Comenta o encontro de reflexão proposto por Bento XVI a representantes muçulmanos

CIDADE DO VATICANO, domingo, 9 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI acredita no «diálogo sincero e leal» com os muçulmanos, assegurou o padre Federico Lombardi, S.I., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

O porta-voz vaticano analisou a evolução no diálogo com o Islã promovida pelo Papa no último ediorial de «Octava Dies», semanário de informação do Centro Televisivo Vaticano, do qual também é diretor.

«O Papa respondeu, em meados de novembro, à carta que em outubro, ao final do Ramadã, foi dirigida a ele e a outras autoridades cristãs por 138 líderes religiosos muçulmanos», recorda o padre Lombardi.

«Era uma carta importante, que sublinhava o papel central do amor a Deus e ao próximo no Corão e na Bíblia judaica e cristã, com a intenção clara de promover o compromisso comum pela paz em todo o mundo, baseando-se em uma compreensão recíproca mais profunda. O espírito positivo da carta fica claro no título: ‘Uma palavra comum entre nós e vós’, citação de um famoso versículo do Corão dirigido às ‘pessoas do livro’, judeus e cristãos».

«A resposta do Papa recorda que não há que desvalorizar as diferenças, mas sublinha, sobretudo, o que une e alenta o respeito, o conhecimento mútuo, o reconhecimento efetivo da dignidade de toda pessoa humana. Ainda assim, manifesta sincera confiança em um caminho de crescente acolhida, prometedor para a promoção da justiça e da paz».

«Mas o Papa não fica somente nas palavras», acrescenta seu porta-voz, convida o príncipe muçulmano Ghazi bin Muhammad bin Talal, da Jordânia, «a vir a Roma com uma delegação dos promotores da carta comum e propõe um encontro de reflexão e de estudo com o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, e com algumas instituições acadêmicas católicas especializadas».

«Por fim, o Papa acredita no diálogo, um diálogo sincero e leal, naturalmente», sublinha.

«Também entre os muçulmanos existem muitos interlocutores sábios e autorizados, conscientes dos grandes desafios da humanidade de hoje, e é positivo que entre eles aumente a capacidade de expressão comum e uma vontade de declarar-se explicitamente pela paz. A direção é boa. Há que se ajudar a continuar por este caminho», conclui.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Congregação vaticana lança site consagrado à Bíblia www.bibliaclerus.org, a Palavra de Deus em 9 línguas

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 7 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- A Congregação vaticana para o Clero anunciou o lançamento de um site com o texto da Bíblia em 9 idiomas, com avançados mecanismos de busca e com alguns dos comentários mais destacados da história sobre a Palavra de Deus.

O site www.bibliaclerus.org coloca à disposição o conteúdo de um CD-ROM, em circulação há dois anos, com o texto da Bíblia em 9 línguas: desde o hebraico e o grego até as línguas modernas mais comuns, que podem ser lidas em paralelo.

Os versículos bíblicos são ilustrados com passagens que têm como base a interpretação da Tradição e do Magistério da Igreja, e comentários da Teologia, da Espiritualidade e da Liturgia.

O dicastério da Santa Sé fez o anúncio na véspera da solenidade da Imaculada Conceição, 8 de dezembro, quando completam 9 anos desde o lançamento do seu site na internet:www.clerus.org ou www.clerus.net.

Com estes serviços, a Congregação busca apoiar, em primeiro lugar, os sacerdotes, os diáconos e os catequistas espalhados pelo mundo, ainda que estejam abertos a qualquer internauta.

Além de uma vasta biblioteca eletrônica, subsídio para o estudo, formação, liturgia e espiritualidade, www.clerus.org oferece serviços de e-mail para receber a documentação da Santa Sé e as mensagens do prefeito, o cardeal brasileiro Cláudio Hummes (http://www.clerus.org/email/email_spa.html).

A Congregação anuncia uma nova língua entre estes serviços, o Português, que é acrescentado às que já vinha utilizando até agora: italiano, inglês, francês, espanhol e alemão.

Tanto www.clerus.org como www.bibliaclerus.org foram concebidos para ser complementados por uma versão em CD-ROM, pensando naqueles que não têm a possibilidade de navegar na internet.

Estes CDs já foram distribuídos entre mais de 140.000 sacerdotes e diáconos dos cindo continentes nos anos passados.

Além disso, por ocasião da solenidade da Imaculada, começará um projeto de Adoração Eucarística e de maternidade espiritual para apoiar os sacerdotes do mundo inteiro (www.clerus.org/pregate).

Bento XVI recebe representante da Igreja Ortodoxa Russa

O metropolita Kirill, do Departamento para as relações exteriores do Patriarcado

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 7 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI recebeu em audiência hoje o metropolita Kirill, de Smolensk e Kaliningrado, presidente do Departamento para as relações eclesiásticas externas do Patriarcado de Moscou.

Por ocasião da festa de Santa Catarina de Alexandria, o metropolita visitou ontem a paróquia ortodoxa de Roma, que tem esse nome.

À noite, o metropolita participou de um concerto oferecido pelo Coro do Mosteiro São Daniel de Moscou, na Basílica de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires da cidade eterna.

Entre os representantes católicos, estava o cardeal Sergio Sebastiani, presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé.

Em sua saudação aos presentes, recolhida pela «Rádio Vaticano», o representante ortodoxo disse que «católicos e ortodoxos sentem que pertencem a uma mesma família, pois compartilham os mesmos valores cristãos».

«Para superar as divisões, o mais importante é que o Oriente e o Ocidente deixem de considerar-se como estranhos. Eles têm de sentir-se parte de uma só família e tomar consciência de que precisam um do outro», afirmou.

«O que acontece nesta basílica é um pequeno tijolo na construção desse grande edifício que é nossa unidade», concluiu Kirill.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Pregador do Papa: dogma da Imaculada mostra que Deus é mais forte que pecado

Comentário do Pe. Cantalamessa na festa mariana

ROMA, quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. – pregador da Casa Pontifícia – sobre a Solenidade da Imaculada Conceição.

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Solenidade da Imaculada Conceição

Gênesis 3, 9-15.20; Efésios 1, 3-6.11-12; Lucas 1, 26-38

Sem pecado

Com o dogma da Imaculada Conceição, a Igreja Católica afirma que Maria, por singular privilégio de Deus e em vista dos méritos da morte de Cristo, foi preservada de contrair a mancha do pecado original e veio à existência já totalmente santa. Quatro anos depois da definição do dogma pelo Papa Pio IX, esta verdade foi confirmada pela própria Virgem em Lourdes, em uma das aparições a Bernadete, com as palavras: «Eu sou a Imaculada Conceição».

A festa da Imaculada recorda à humanidade que existe uma só coisa que contamina verdadeiramente o homem, e é o pecado. Uma mensagem urgente para ser proposta. O mundo perdeu o sentido do pecado. Brinca-se como se fosse o mais inocente do mundo. Alinha com a idéia de pecado seus produtos e seus espetáculos para torná-los mais atrativos. Refere-se ao pecado, inclusive aos mais graves, com diminutivos: pecadinho, viciozinho. A expressão «pecado original» se utiliza na linguagem publicitária para indicar algo bem diferente da Bíblia: um pecado que dá um toque de originalidade a quem o comete!

O mundo tem medo de tudo, menos do pecado. Teme a contaminação atmosférica, as penosas doenças do corpo, a guerra atômica, atualmente o terrorismo, mas não lhe dá medo a guerra a Deus, que é o Eterno, o Onipotente, o Amor, enquanto Jesus diz que não se tema aos que matam o corpo, mas só a quem, depois de ter matado, tem o poder de lançar à geena (cf. Lc 12, 4-5).

Esta situação «ambiental» exerce uma tremenda influência até nos crentes que, contudo, querem viver segundo o Evangelho. Produz neles um adormecimento da consciência, uma espécie de anestesia espiritual. Existe uma narcose por pecado. O povo cristão já não reconhece seu verdadeiro inimigo, o senhor que o mantém escravizado, só porque se trata de uma escravidão dourada. Muitos que falam de pecado têm dele uma idéia completamente inadequada. O pecado se despersonaliza e se projeta unicamente sobre as estruturas; acaba-se por identificar o pecado com a postura dos próprios adversários políticos ou ideológicos. Uma pesquisa sobre o que as pessoas pensam que é o pecado daria resultados que provavelmente nos aterrorizariam.

Ao invés de livrar-se do pecado, todo o empenho se concentra hoje em livrar-se do peso de consciência relativo ao pecado; em vez de lutar contra o pecado, luta-se contra a idéia do pecado, substituindo-a por aquela – bastante diferente – do «sentimento de culpa». Faz-se o que em qualquer outro campo se considera o pior de tudo, ou seja, negar o problema ao invés de resolvê-lo, voltar a jogar e sepultar o mal no inconsciente em vez de extrai-lo. Como quem crê que elimina a morte suprimindo o pensamento sobre a morte, ou como quem se preocupa por baixar a febre sem curar a doença, da qual aquela é só um providencial sintoma. São João dizia que se afirmamos estar sem pecado, enganamos a nós mesmos e fazemos de Deus um mentiroso (cf. 1 João 1, 8-10); Deus, de fato, diz o contrário: que pecamos. A Escritura diz que Cristo «morreu por nossos pecados» (1 Cor 15, 3). Suprima o pecado e você torna vã a própria redenção de Cristo, destrói o significado de sua morte. Cristo teria lutado contra simples moinhos de ventos, teria derramado seu sangue por nada.

Mas o dogma da Imaculada nos diz também algo sumamente positivo: que Deus é mais forte que o pecado e que onde abunda o pecado superabunda a graça (cf. Rom 5, 20). Maria é o sinal e a garantia disso. A Igreja inteira, detrás d’Ela, está chamada a ser «resplandecente, sem que tenha mancha, nem rugas nem coisa parecida, mas que seja santa e imaculada» (Ef 5, 27). Um texto do Concílio Vaticano II diz: «Enquanto a Igreja na Santíssima Virgem já chegou à perfeição, pela qual se apresenta sem mancha nem ruga, os fiéis, no entanto, ainda que se esforçam por crescer na santidade, vencendo o pecado; e por isso dirigem seu olhar a Maria, que brilha ante toda a comunidade dos eleitos, como modelo de virtudes» (Lumen gentium, n. 65].

[Traduzido por Zenit]