sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Cristianismo não é uma religião européia, declara Papa

Ao apresentar a figura de Santo Efrém da Síria

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- O cristianismo não é uma religião européia, sua origem está em Jerusalém e teve um desenvolvimento histórico decisivo na Ásia que é importante redescobrir, explicou Bento XVI nesta quarta-feira.

O Santo Padre esclareceu preconceitos ao apresentar aos 8.000 peregrinos que participaram da audiência geral, celebrada na Sala Paulo VI, a figura de Santo Efrém da Síria (306-373), o maior dos Padres da Igreja síria, assim como o poeta mais renomado de toda a época patrística.

«Segundo uma opinião comum hoje, o cristianismo seria uma religião européia, que teria exportado a cultura deste continente a outros países», começou dizendo o Santo Padre.

«Mas a realidade é muito mais complexa, pois a raiz da religião cristã se encontra no Antigo Testamento e, portanto, em Jerusalém e no mundo semítico. O cristianismo se alimenta sempre desta raiz do Antigo Testamento», sublinhou.

«Sua expansão nos primeiros séculos aconteceu tanto para o Ocidente, para o mundo greco-latino, onde depois inspirou a cultura Européia, como para o Oriente, até a Pérsia, Índia, ajudando deste modo a suscitar uma cultura específica, com línguas semíticas, e com uma identidade própria», indicou.

Para mostrar esta multiformidade cultural da única fé cristã, o Papa começou a apresentar em sua série de reflexões sobre as grandes figuras do cristianismo, os expoentes asiáticos. Na quarta-feira anterior havia falado de Afraates, o sábio persa do século IV.

Nesta ocasião, ele se concentrou em Santo Efrém, que passou à história do cristianismo como «cítara do Espírito Santo», em referência à sedutora beleza poética de seus escritos.

«Ordenado diácono – recordou o bispo de Roma –, viveu intensamente a vida da comunidade local até o ano 363, no qual Nisibis caiu nas mãos dos persas. Então Efrém imigrou a Edesa, onde continuou pregando. Morreu nesta cidade no ano 373, ao ficar contagiado em sua obra de atenção aos enfermos de peste.»

Em sua cultura e expressão síria, acrescentou o pontífice, «pode-se ver a comum e fundamental identidade cristã: a fé, a esperança – essa esperança que permite viver pobre e casto neste mundo, pondo toda expectativa no Senhor – e por último a caridade, até oferecer o dom de si mesmo no cuidado dos enfermos de peste.»

A grande contribuição de Efrém aos cristãos de hoje, como assinalou Bento XVI, se resume em sua originalidade: «sua teologia se torna liturgia, torna-se música: de fato, era um grande compositor, um músico».

«Teologia, reflexão sobre a fé, poesia, canto, louvor a Deus, estão unidos». E ele o faz com o talento sírio, seguindo «o caminho do paradoxo e do símbolo».

O poeta sírio «confere à poesia e aos hinos para a liturgia um caráter didático e catequético», algo que continua sendo necessário hoje em dia.

Ele o faz, por exemplo, ao falar de Deus criador: «na criação não há nada isolado, e o mundo é, junto à Sagrada Escritura, uma Bíblia de Deus».

«Ao utilizar de maneira equivocada sua liberdade, o homem inverte a ordem do cosmos. Para Efrém, dado que não há Redenção sem Jesus, tampouco há Encarnação sem Maria», disse o Papa, sintetizando sua teologia.

Falando no final em espanhol, o Papa declarou que «a presença de Jesus no seio de Maria o leva a considerar a altíssima dignidade e o papel fundamental da mulher».

Novas descobertas genéticas dão razão aos médicos católicos

A clonagem humana deixa de ser interessante, reconhece o pai da ovelha Dolly

ROMA, quarta-feira, 28 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- As novas descobertas científicas sobre células-tronco (ou estaminais) adultas, que não implicam a eliminação de vidas humanas, deram razão à batalha ética liderada há anos pelos médicos católicos.

O Dr. Josep Maria Simón, presidente da Federação Internacional de Associações Médicas Católicas (FIAMC), elogia os resultados de uma equipe japonesa e uma equipe americana que conseguiram transformar células de pele humana em células-tronco, que são capazes de evoluir em células nervosas, cardíacas ou em qualquer dos 220 tipos de células do corpo humano.

A nova técnica, ainda que exija aperfeiçoamento, é tão promissora que o cientista que conseguiu clonar a primeira ovelha do mundo, Ian Wilmut, anunciou que deixará de lado a clonagem de embriões para focalizar-se nas células-tronco derivadas de células da pele.

«Parece que a Providência está nos indicando o caminho dos médicos e demais pesquisadores. Deus aperta, mas não enforca. Fecha-se uma porta e se abre outra», reconhece o Dr. Simón em declarações à Zenit.

«Os médicos católicos ainda têm algumas dificuldades para que muitas pessoas compreendam e aceitem que a vida humana nascente é digna de todo respeito. Contudo, só a pesquisa e os tratamentos com base nas células-tronco adultas estão dando resultado», acrescenta.

«Ao tratar com elas não se destroem embriões e temos resultados – constata. E os resultados são muito valorizados em nossas sociedades ocidentais desenvolvidas e eficazes.»

O presidente dos médicos católicos confessa: «Não sei o que teria sido de nossa capacidade para comunicar se as embrionárias tivessem dado resultado! A Providência nos economizou a dureza de ter que dizer: ‘Você poderia curar com embriões, mas deve continuar assim, já que sua destruição é imoral’».

«Este era o pensamento do Papa quando nos dirigiu o famoso discurso há um ano, aos participantes do congresso organizado pela FIAMC e pela Pontifícia Academia pela Vida», recorda o doutor em referência ao encontro que ainda pode ser visitado em www.stemcellsrome2006.org.

«Não queremos medalhas, mas então dissemos que havíamos convidado os melhores. E agora foi a equipe japonesa que convidamos que demonstrou os grandes resultados com as células adultas», conclui o Dr. Simón.

O bispo Elio Sgreccia, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, tem a mesma opinião.

«Agora que não há necessidade de embriões nem da clonagem terapêutica – supostamente terapêutica –, fecha-se uma página de polêmicas agudas», reconhece.

«A Igreja a havia enfrentado por motivos éticos, alentando os pesquisadores a continuar com as células-tronco adultas e declarando ilícita a imolação do embrião», explicou Dom Sgreccia nos microfones de «Rádio Vaticano».

«A ética que respeita o homem é útil também para a pesquisa e confirma que não é verdade que a Igreja esteja contra a pesquisa: está contra a má pesquisa, que é nociva para o homem», conclui Sgreccia, constatando que todos os milhões destinados a pesquisar com células embrionárias se converteram em um «esbanjamento».

Excomunhão atinge quem provoca aborto e os que física ou moralmente cooperam

Cardeal Araujo Sales assinala incoerência quando se trata do tema do aborto

Por Alexandre Ribeiro

RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 28 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Ao reconhecer que a humanidade, nos últimos tempos, percorreu rapidamente «um extenso caminho no reconhecimento da dignidade humana», um cardeal brasileiro assinala a incoerência que há quando se trata do tema do aborto.

«A mesma sociedade que se horroriza, e com razão, pelos crimes contra os direitos humanos e pressiona os seus governantes para agir e tomar atitudes concretas, procede de maneira oposta quando se advoga o abortamento», afirma Dom Eugenio de Araujo Sales.

Em mensagem aos fiéis difundida essa semana pela arquidiocese do Rio de Janeiro, o arcebispo emérito destaca que «uma visão egoísta se reserva o direito de decidir quem pode ou não vir à luz».

«Essa mentalidade é altamente perigosa», afirma Dom Eugenio, «como a tese do direito da mãe sobre seu corpo a se estender à supressão da vida do ser que foi por ela concebido.»

«No atual nível de conhecimento científico não se pode honestamente pôr em dúvida que a prática abortista seja a eliminação de um ser humano. É uma modalidade de aplicar a pena de morte a um inocente, e isso sem processo legal e regular», enfatiza.

«No caso de estupro, que culpa tem o feto no crime do estuprador? Paga pelo que não cometeu. É uma vítima da própria mãe. O mesmo se diga das razões genéticas. Por toda parte se apregoa a morte para quem a natureza não beneficiou com uma formação normal. Qual a diferença de suprimir a vida antes ou depois de vir à luz? Assassinar no seio da mãe ou fora dele?»

Ao se dirigir especialmente aos católicos, o cardeal Araujo Sales afirma que, «se assim nos declaramos, não nos é lícito escolher, do corpo doutrinário, o que nos agrada e rejeitar os pontos que não nos convêm».

Dom Eugenio cita o Concílio Vaticano II, que «é claro»: “São infames as seguintes coisas: tudo quanto se opõe à vida, como seja toda espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário” (“Gaudium et Spes”, nº 37).

O cardeal recorda que esse ensino é constante. «Desde o primeiro século, o aborto provocado era alvo de condenação: “Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido” (Didaqué, 2.2)».

«Em nossos dias, o Código de Direito Canônico (cânon 1398) é peremptório: “Quem provoca o aborto, seguindo-se o seu efeito, incorre em excomunhão ‘latae sententiae’ ou seja pelo próprio fato de se cometer o delito nas condições previstas pelo Direito”.»

Está também no Catecismo da Igreja Católica (nº 2272): “A cooperação formal para um aborto constitui falta grave. A Igreja sanciona com uma pena canônica de excomunhão este delito contra a vida humana”.

«A doutrina é clara e não admite subterfúgios», afirma. «Quem, dizendo-se católico, propõe algo diferente ou tenta interpretações falaciosas não anula o que é oficialmente proclamado».

Segundo o cardeal, «a excomunhão atinge quem provoca o aborto, mesmo por motivo de estupro, deformações de feto ou perigo de vida da mãe. Nele incorrem os que fisicamente cooperam, como médicos e enfermeiras, ou moralmente, como marido ou pais, obrigando ou induzindo a mulher ou filha a fazê-lo».

Dom Eugenio lembra que a propaganda abortista costuma fundamentar-se na preservação da vida da mãe.

«No entanto, ninguém tem o direito de substituir a vida de um ser humano por outra. O critério usado leva a graves conseqüências para a sociedade, e começa pelo incremento à violência. Essa convicção tem repercussão benéfica nos mais diversos aspectos de nossa existência.»

«A atitude firme da Igreja não exclui a benevolência e a misericórdia para com as infratoras ou infratores. O perdão está sempre à disposição dos sinceramente arrependidos», afirma o cardeal Araujo Sales.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sacerdote ortodoxo romeno e sua paróquia se tornam católicos

Após cura de sua mãe de um tumor inoperável por intercessão de São Pio de Pietrelcina

PESCENA, terça-feira, 27 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Enquanto na Itália se intensificava o debate sobre os estigmas do Padre Pio, em um povoado da Romênia se punha a primeira pedra da primeira igreja dedicada ao santo de Pietrelcina, em um dos países que até pouco tempo girava em torno da União Soviética.

O evento, segundo informou Renzo Allegri à Zenit, aconteceu no povoado de Pesceana, comarca de Valcea, na Romênia centro-meridional, graças ao Pe. Victor Tudor, sacerdote romeno que, até alguns anos atrás, era ortodoxo, mas que, após conhecer a existência do Padre Pio e ser testemunha de um grande milagre, realizado por Deus por intercessão do santo capuchinho, quis entrar na Igreja Católica e com ele todos os seus paroquianos.

Tudo começou em 2002. Lucrecia Tudor, mãe do Pe. Victor, que tinha então 71 anos, tinha um tumor no pulmão esquerdo. Os médicos romenos, após submetê-la a exames clínicos, disseram que lhe restavam poucos meses de vida.

Não se podia nem sequer tentar uma intervenção cirúrgica porque o tumor produziu metástase. O Pe. Victor pediu ajuda a seu irmão, Mariano Tudor, um jovem e reconhecido pintor romeno, especialista em iconografia, que vive e trabalha em Roma, esperando que conhecesse algum importante médico italiano, capaz de realizar o impossível.

Mariano contatou com um dos cirurgiões mais célebres do mundo, que havia operado inclusive Bill Gates. «Faça a sua mãe chegar a Roma e tentarei salvá-la», disse o professor.

Mariano levou a sua mãe a Roma e o professor examinou o expediente clínico dos colegas romenos e realizou exames mais detalhados na paciente.

Mas também ele, ante o quadro clínico, disse que uma operação era já inútil. Podia-se intervir só com fármacos para sedar as dores que seriam fortes, sobretudo na fase terminal.

Mariano ficou com sua mãe em Roma e a levava ao hospital para realizar controles. Estava trabalhando no mosaico de uma igreja e, como sua mãe não conhecia o italiano, ele a levava consigo. Enquanto ele trabalhava, sua mãe percorria a igreja, contemplando os quadros e as estátuas.

Em um lugar, havia uma grande estátua do Padre Pio. Lucrecia ficou impressionada e perguntou a seu filho quem era. Mariano lhe relatou brevemente a história. Nos dias seguintes, ele percebeu que sua mãe passava todo o tempo sentada diante da imagem, com a qual conversava como se fosse uma pessoa viva.

Passados cerca de quinze dias, Mariano levou sua mãe ao hospital para o controle e os médicos constataram com estupor que o tumor havia desaparecido. A mulher, ortodoxa, pediu ajuda ao Padre Pio e este a havia escutado.

«A cura prodigiosa de minha mãe, realizada pelo Padre Pio a favor de uma mulher ortodoxa, me impressionou muito – relata o Pe. Victor. Comecei a ler a vida do santo italiano. Contei a meus paroquianos o que havia acontecido. Todos conheciam a minha mãe e todos sabiam que havia ido à Itália para tentar uma intervenção cirúrgica, e que depois havia voltado para casa curada sem que nenhum médico a tivesse operado. Em minha paróquia, começaram a conhecer e a amar o Padre Pio. Líamos tudo o que encontrávamos sobre ele. Sua santidade nos conquistava. Enquanto isso, também outros enfermos de minha paróquia receberam graças extraordinárias do Padre Pio. Entre minha gente se difundiu um grande entusiasmo e, pouco a pouco, decidimos tornar-nos católicos, para estar mais próximos dele.»

A passagem da Igreja Ortodoxa à Católica requereu um longo procedimento jurídico. E dificuldades de todo tipo, explica em seu artigo Renzo Allegri. Mas o Pe. Victor e seus paroquianos não se detiveram ante as dificuldades.

«Com a ajuda do Padre Pio – diz Allegri – seus projetos se tornaram realidade. E imediatamente começaram a recolher os fundos necessários para a construção de uma igreja para dedicá-la ao Padre Pio».

«Os fundos são o resultado das economias desta pobre gente, e da ajuda de alguns católicos alemães que souberam de nossa história», diz o Pe. Victor.

«E são meus paroquianos os que estão levando adiante as obras, trabalhando gratuitamente. Em maio, iniciamos as obras de fundação. Há alguns dias, celebramos solenemente a colocação da primeira pedra. E foi uma grande festa, porque quem veio para celebrar a cerimônia foi sua beatitude Lucian Muresan, arcebispo metropolitano de Fagaras e Alba Julia dos Romenos, ou seja, a máxima autoridade da Igreja greco-católica na Romênia. Ao acabar a cerimônia, o metropolita quis conhecer a minha mãe, curada por um milagre do Padre Pio, e tirou uma foto com ela.»

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Papa recorda viagem ao Brasil

Ao saudar nesta manhã o cardeal Odilo Scherer

Por Alexandre Ribeiro

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI aproveitou a saudação especial que fez ao cardeal Odilo Scherer na manhã desta segunda-feira para recordar a viagem que fez ao Brasil em maio passado.


Na Sala Paulo VI, por ocasião da audiência concedida aos novos cardeais, o Papa fez questão de saudar em língua portuguesa tanto Dom Odilo como os bispos, familiares e amigos que o acompanhavam.

«A ocasião me é propícia para rememorar os dias da minha Viagem Pastoral deste ano em São Paulo, e para renovar meus agradecimentos pela acolhida que fui objeto na sua arquidiocese», disse o Papa.

«Faço votos por que esta nomeação à púrpura cardinalícia contribua para aprofundar o seu amor pela Igreja e fortalecer a fé de seus fiéis em Jesus Cristo, nosso Salvador e Senhor», afirmou.

Após a oração do Ângelus esse domingo, Bento XVI já havia se dirigido aos fiéis em língua portuguesa.

«Exprimo minha saudação mais sincera aos bispos e fiéis vindos do Brasil com familiares e amigos.»

«Unidos em torno ao arcebispo de São Paulo, incluído ontem no Colégio Cardinalício, vocês representam uma parte significativa da catolicidade brasileira que, por tradição histórica e empenho missionário, constitui a esperança da Igreja do amanhã», afirmou o Papa.

Em seguida, Bento XVI pediu que Nossa Senhora Aparecida proteja o Brasil, país «para mim tão querido», e «faça do novo purpurado exemplo vivo de Pastor dedicado, disposto a servir a Igreja e ao Romano Pontífice com fidelidade e amor».

Bento XVI aos novos cardeais: «Preciso do vosso apoio»

Recebe-os em audiência, junto a seus familiares e peregrinos

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- «Peço-vos que me acompanheis sempre com vossa experiência humana e pastoral»: assim se dirigiu o Papa aos 23 novos cardeais, expressando em parte a vocação a que estão chamados.

Foram recebidos em audiência no Vaticano – na Sala Paulo VI – na manhã de segunda-feira, em um encontro festivo, junto a milhares de familiares e fiéis que os acompanharam nestes dias.

O consistório público no qual foram criados cardeais (no sábado) e a Eucaristia que concelebraram na solenidade de Cristo Rei (no domingo) «nos ofereceu uma ocasião singular para experimentar a catolicidade da Igreja, bem representada pela variada procedência dos membros do Colégio Cardinalício, reunidos em estreita comunhão em torno do sucessor de Pedro», reconheceu Bento XVI em seu discurso.

Com fortes aplausos, o Santo Padre foi recebido neste encontro que, como ele reconheceu, «prolonga o clima de oração e de comunhão que vivemos nestes dias de festa pela criação de vinte e três novos cardeais».

Frente a Bento XVI, sentados, escutaram-no os novos purpurados. «Conto muito com vosso precioso apoio, para que possa desempenhar da melhor forma possível meu ministério ao serviço de todo o povo de Deus. Preciso desse apoio.»

Bento XVI foi dirigindo sua saudação a cada novo cardeal, que se levantava e correspondia com um gesto de gratidão entre aclamações de seus entes queridos, com especial força os de origem africana, os de língua espanhola e os de origem iraquiana – estes últimos acompanhados de um aplauso generalizado em sinal de solidariedade pelas provas que seu país atravessa.

Em italiano, pediu que se acompanhem os purpurados na «amizade, na estima e na oração», ajudando-os assim «a seguir servindo fielmente à Igreja», dando testemunho «cada vez mais generoso de amor a Cristo» em seus diversos serviços e ministérios.

Saudou neste idioma Giovanni Lajolo – presidente da Pontifícia Comissão e do Governo do Estado da Cidade do Vaticano –, Angelo Comastri – arcipreste da Basílica Vaticana, Vigário Geral do Papa para a Cidade do Vaticano e Presidente da Fábrica de São Pedro –, Raffaele Farina – Arquivista e Bibliotecário da Santa Romana Igreja –, Angelo Bagnasco – arcebispo de Gênova e Presidente da Conferência Episcopal Italiana –, Giovanni Coppa, que foi Núncio Apostólico na República Checa – e Umberto Betti – ex-reitor da Pontifícia Universidade Lateranense.

Em francês, o Papa expressou seu desejo de que as jornadas precedentes consolidem a fé e o amor por Cristo e sua Igreja, e sublinhou a importância de acompanhar os novos cardeais na oração, também pelas novas vocações ao sacerdócio. De língua francesa corresponderam à saudação do Papa os cardeais André Vingt-Trois – arcebispo de Paris – e Théodore-Adrien Sarr – arcebispo de Dakar.

«Seja nos dicastérios da Cúria Romana ou em seu ministério nas Igrejas locais no mundo, os cardeais estão chamados a compartilhar de maneira especial a solicitude do Papa pela Igreja universal», disse então Bento XVI em inglês.

Pediu por eles oração, e saudou individualmente os cardeais John Patrick Foley – pro-grão-mestre da Ordem Eqüestre dos Cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém –, Sean Baptist Brady – arcebispo de Armagh (Irlanda) –, Oswald Gracias – arcebispo de Bombaim (Índia) –, Daniel DiNardo –, arcebispo de Galveston-Houston (EUA), John Njue – arcebispo de Nairobi (Quênia) – e Emmanuel III Delly – Patriarca da Babilônia dos Caldeus.

Bento XVI acrescentou em alemão em sua saudação o novo cardeal Paul Josef Cordes, agradecendo-se por seu serviço no Pontifício Conselho «Cor Unum» – expressão da solicitude caritativa do Papa pelos pobres e necessitados».

E ao saudar os novos cardeais de língua espanhola, acompanhados de peregrinos da Argentina, Espanha e México, dirigiu-se à Virgem Maria, da qual estes povos são tão devotos: «Nós lhe rogamos que interceda ante seu divino Filho por estes cardeais, para que torne muito fecundo seu serviço à Igreja».

Agradeceram suas palavras os cardeais Leonardo Sandri – que depois de seu serviço à Santa Sé como Substituto da Secretaria de Estado, preside agora a Congregação para as Igrejas Orientais –, Estanislao Esteban Karlic – arcebispo emérito do Paraná –, Agustín García-Gasco Vicente – arcebispo de Valência, cidade que o Papa visitou no ano passado pela Jornada Mundial da Família –, Lluís Martínez Sistach – arcebispo de Barcelona –, Urbano Navarrete – ex-reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana, que consagrou sua vida ao estudo e ensinamento do Direito Canônico – e Francisco Robles Ortega – arcebispo de Monterrey.

Em português, Bento XVI saudou o novo cardeal Odilo Pedro Scherer, recordando a viagem pastoral a São Paulo e renovando seu agradecimento pela acolhida na arquidiocese brasileira.

Por sua parte, o novo cardeal Stanislaw Rylko agradeceu as palavras do Papa em polonês, que reconheceu seu trabalho a favor da participação dos leigos na vida da Igreja – o purpurado polonês preside o Pontifício Conselho a eles dedicado.

A todos os familiares e peregrinos, Bento XVI pediu explicitamente: «Segui rezando [pelos novos cardeais] e por mim, para que seja sempre sólida a comunhão dos pastores com o Papa, a fim de oferecer ao mundo inteiro o testemunho de uma Igreja fiel a Cristo e disposta a sair ao encontro, com valor profético, das esperanças e exigências espirituais dos homens de nosso tempo».

Bento XVI deu um presente especial aos vinte e três novos cardeais: uma edição especial do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica

O número de exemplares é limitado; parte se reserva à Santa Sé. Editado por FMR, com a colaboração científica do Instituto Veritatis Splendor, a impressão deste volume do Compêndio se realizou em papel enriquecido com a filigrana papal, quarenta e nove imagens, miniaturas coloridas e aplicações à mão.

Dom Timothy Verdon – que dirige o Departamento Diocesano para a catequese através da arte, de Florença, e é consultor da Pontifícia Comissão de Bens Culturais da Igreja – se encarregou da escolha das imagens.

domingo, 25 de novembro de 2007

No dia de «Cristo Rei», arcebispo chama a assumir os critérios de Jesus

Pensamentos, afetos, vontade devem se adequar aos de Cristo, diz Dom Orlando Brandes

Por Alexandre Ribeiro


LONDRINA, domingo, 25 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- No domingo em que a Igreja celebra a solenidade de «Cristo Rei», um arcebispo afirma que, «ao proclamá-lo rei, decidimos abandonar toda espécie de idolatria e nos dispomos a assumir os pensamentos, os afetos, a vontade, os critérios de Jesus, nosso rei».

«Seu reino é de vida, justiça, verdade, alegria, amor e paz», enfatiza Dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina (Paraná, sul do Brasil).

Em artigo difundido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) essa sexta-feira, Dom Orlando escreve que «Jesus é a maior fascinação da humanidade».

«Ele é o bem supremo. Dobrem-se os joelhos, proclamem as línguas, aclamem os anjos, adore toda a terra. Ele é o Rei do Universo. “Abri as portas do coração a Jesus” (João Paulo II).»

«A ciência humana encontra em Jesus a verdade e o coração humano descobre nele o amor. Jesus é o nosso verdadeiro eu. Quem o aceita e segue, torna-se nova criatura, conquista nova personalidade, nova vida, novo ser. É possível restaurar todas as coisas em Cristo Jesus. Eis a centralidade de Jesus. Ele faz a vida bela, livre e grande. Ele satisfaz todas as aspirações», afirma.

Segundo o arcebispo, os pobres, os pecadores e os pequenos são os privilegiados, os príncipes do reino de Jesus.

«Eis o novo mundo, a nova ordem mundial, a globalização do amor, a nova sociedade. Eis o reino que destrona o mal, eleva os pequenos, reparte os bens, reconcilia as pessoas, satisfaz as necessidades, é o reino da liberdade e da paz.»

As bases do trono do rei Jesus são o direito e a justiça – explica –. «As bem-aventuranças resumem as leis desse reino cuja lógica é o amor. Em Jesus e no seu reino, a evolução tem seu mais alto grau. A Ele a honra, a glória, o louvor, a sabedoria, o poder, a riqueza, a força para sempre.»

«Deixemos Jesus cristificar todas as áreas de nosso ser, pensamentos, afetos, vontade. Nosso coração seja seu trono para que as famílias, as comunidades e a sociedade aceitem seu amor, sua amizade, sua companhia, seu reino. Eis que se fazem novas todas as coisas», escreve o arcebispo.