quinta-feira, 13 de março de 2008
Conclusões da reunião no Vaticano sobre situação da China
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 13 de março de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comunicado que a Sala de Imprensa da Santa Sé emitiu ao concluir o encontro da Comissão sobre a Igreja na China, instituída por Bento XVI.
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De 10 a 12 de março se reuniu no Vaticano a Comissão que o Papa Bento XVI instituiu para estudar as questões de maior importância relativas à vida da Igreja na China.
A reunião teve como tema a carta que o Santo Padre enviou aos católicos chineses em 27 de maio de 2007. Os participantes examinaram em primeiro lugar a acolhida que o documento pontifício teve tanto dentro como fora da China. Refletiu-se sobre os princípios teológicos, que inspiraram a Carta, para compreender as perspectivas que nascem deles para a comunidade católica na China.
Em concreto, seguindo o texto papal, foram considerados alguns aspectos importantes que afetam a missão da Igreja de ser «instrumento de salvação» para o povo chinês: a evangelização em um mundo que vive na globalização; a aplicação, na situação atual na China, da doutrina do Concílio Vaticano II sobre a natureza e a estrutura da Igreja; o perdão e a reconciliação na comunidade católica; as exigências da verdade e da caridade; o governo das dioceses, que tem uma grande importância para a atividade pastoral e para a formação dos sacerdotes, seminaristas, religiosos, religiosas e fiéis leigos.
Em linha com as indicações expressadas pelo Papa em sua carta, foi sublinhada a vontade de um diálogo respeitoso e construtivo com as autoridades civis.
Por último, sempre iluminados pelo documento pontifício, os participantes intercambiaram informações e experiências sobre a vida e a atividade da Igreja na China.
A reunião terminou com um encontro com o Santo Padre, que escutou um breve resumo do trabalho destes três dias e alentou os participantes a prosseguir em seu compromisso em favor da comunidade católica na China.
Mencionou também que em 24 de maio próximo se celebra a Jornada universal de oração pela Igreja na China.
Entidades usurpam o prestígio e a dignidade do nome cristão ao promover aborto
Por Alexandre Ribeiro
JOÃO PESSOA, quinta-feira, 13 de março de 2008 (ZENIT.org).- Entidades como as «Católicas pelo Direito de Decidir», ao promoverem, entre outras iniciativas contrárias ao Magistério da Igreja, o aborto, usurpam o prestígio e a dignidade do nome cristão, afirma um arcebispo brasileiro.
No contexto da Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil, que nesta quaresma discute o tema da defesa da vida, Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba (nordeste do país), destaca em mensagem difundida ontem pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que essa ONG tem provocado «confusão e perplexidade» nos fiéis.
O arcebispo explica que esse grupo de feministas se auto-intitula «católicas pelo direito de decidir». Mas «decidir o quê?», questiona. «Decidem pelo abortamento.»
«Ora --prossegue Dom Aldo Pagotto--, isso é inadmissível para uma cristã que professa o Credo, segue os Mandamentos da Lei de Deus e confessa com o seu comportamento que Jesus Cristo é Senhor e Salvador.»
O prelado recorda que essa ONG é patrocinada e atua como uma entidade feminista que se constituiu no Brasil desde 1993. Ela se articula em rede com várias parcerias no mundo, em particular com a organização norte-americana intitulada “Catholics for a Free Choice”.
Essa rede feminista --explica Dom Aldo-- defende o aborto publicamente e distorce «totalmente o ensino católico, sobretudo o respeito e a proteção devidos à vida do nascituro indefeso».
Segundo o arcebispo, no Brasil essa rede feminista se subdivide em várias ramificações: entre as mais conhecidas estão os grupos denominados de «Cunha», «8 de Março», «Amazonas».
«Pelo que se vê, tais “católicas” juntaram-se à rede feminista, usurpando o prestígio e dignidade do nome cristão, com o intuito de confundir as pessoas, espalhando mentiras», afirma Dom Aldo Pagotto.
O arcebispo lembra que a Igreja no Brasil, pela presente Campanha da Fraternidade, reafirma «o compromisso com a vida do ser humano e, de forma específica, com a gestante e o nascituro».
Ele enfatiza que a proposta da CNBB pede políticas públicas que «assegurem a saúde» da mãe e da criança que ela traz em seu seio, «oferecendo condições para ter e criar bem os seus filhos e jamais abortá-los».
«“Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19) será o nosso lema perene, criando iniciativas que enfrentam e superam tantas ameaças que nos cercam», afirma.
domingo, 9 de março de 2008
Bento XVI pede reação católica diante da secularização que danifica a vida eclesiástica
Ao receber aos membros da Plenária do Pontifício Conselho para a Cultura na Sala Clementina, o Papa recordou que a secularização “é um tema chave para o futuro da humanidade e a Igreja” porque "coloca a prova a vida cristã de fiéis e pastores”.
"A secularização, que se apresenta nas culturas como imposição do mundo e da humanidade sem referência a trascendência, invade todos os aspectos da vida cotidiana e desenvolve uma mentalidade em que Deus está realmente ausente, em tudo ou em parte, da existência e a consciência humanas", indicou.
Segundo o Pontífice, esta secularização não é somente uma ameaça externa aos fiéis, senão que faz tempo que “se manifesta no seio da Igreja. Desnaturaliza a fé cristã, o estilo de vida e a conduta cotidiana dos fiéis”.
O Santo Padre denunciou que a “cultura da imagem” atual impõe modelos contraditórios e a prática negação de Deus: “não há mais necessidade de Deus, de pensar nele ou de voltar para Ele”.
“A ‘morte de Deus’ anunciada em décadas passadas por tantos intelectuais foi seguida por um culto do indivíduo”, denunciou e explicou que “a mentalidade hedonista e consumista predominante favorece tanto nos fiéis como nos pastores uma deriva para a superficialidade e a um egocentrismo que machuca à vida eclesiástica”.
O Papa advertiu que neste contexto cultural se corre o risco de cair em uma “atrofia espiritual e em um vazio de coração, caracterizado em algumas ocasiões com uma suposta religiosidade e uma vaga espiritualidade”.
Pediu “reagir” diante desta situação porque se colocam em risco os altos valores da existência que “dão sentido à vida e podem satisfazer a busca da felicidade”, como a dignidade da pessoa, sua liberdade, igualdade entre todos os homens, o sentido da vida e da morte “e o que se espera depois da conclusão da existência terrestre”.
Vitória sobre a morte, autêntica esperança, explica Papa
CIDADE DO VATICANO, domingo, 9 de março de 2008 (ZENIT.org).- A autêntica esperança do ser humano é a confiança em que Deus é maior que a morte, considera Bento XVI.
Ele aprofundou nesta realidade, central para o cristianismo, ao comentar no Ângelus a passagem evangélica da ressurreição de Lázaro (Jo 11, 1-45), «prova viva da divindade de Cristo, Senhor da vida e da morte».
Dirigindo-se aos milhares de peregrinos presentes na Praça de São Pedro do vaticano, o Papa constatou como «esta página do Evangelho mostra Jesus como verdadeiro Homem e verdadeiro Deus».
Por um lado, mostra sua humanidade, pois «o evangelista insiste em sua amizade com Lázaro e com as irmãs Marta e Maria. Sublinha que Jesus os amava e por este motivo quis realizar o grande prodígio».
Por outro lado, manifesta sua divindade, «expressando com a metáfora do sono o ponto de vista de Deus sobre a morte física: Deus a vê como um sono, do qual é possível despertar-se». «Jesus demonstrou um poder absoluto diante dessa morte», disse o Papa desde a janela dos seus aposentos, recordando outras passagens evangélicas, como a do jovem filho da viúva de Naim (cf. Lc 7, 11-17) e a da menina de 12 anos (cf. Mc 5, 35-43).
«Este senhorio sobre a morte não impediu Jesus de experimentar uma sincera ‘com-paixão’ pela dor da distância. Vendo que estavam chorando Marta, Maria e os que tinham vindo consolá-lo, Jesus também «ficou profundamente comovido» e ‘chorou’.»
«O coração de Cristo é divino-humano – esclareceu o Papa: nele, Deus e Homem se encontraram perfeitamente, sem separação nem confusão. Ele é a imagem, e mais ainda, a encarnação do Deus que é amor, misericórdia, ternura paterna e materna, do Deus que é Vida.»
Diante desta realidade, centro da fé cristã, Bento XVI convidou todos os fiéis a uma profissão de fé: «Sim, Senhor! Nós também cremos, apesar das nossas dúvidas e das nossas escuridões; cremos em vós, porque vós tendes palavras de vida eterna; queremos crer em vós, que nos dais uma esperança confiável de vida muito além da vida, de vida autêntica e cheia do vosso Reino de luz e paz».
Esta fé e esta esperança, concluiu, são particularmente necessárias «nos momentos de maior prova e dificuldade».
sexta-feira, 7 de março de 2008
Contrária à pesquisa que mata embriões, Igreja não é obscurantista, diz cardeal
Por Alexandre Ribeiro
SÃO PAULO, quinta-feira, 6 de março de 2008 (ZENIT.org).- A Igreja Católica não é «obscurantista» nem «contrária ao progresso da ciência» quando manifesta sua posição contra ao uso de embriões humanos na pesquisa científica, afirma o arcebispo de São Paulo.
O cardeal Odilo Scherer se manifestou sobre o assunto por meio de mensagem aos fiéis, na semana em que o Supremo Tribunal Federal do Brasil iniciou o julgamento da constitucionalidade ou não de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional que permite o uso de embriões humanos na pesquisa científica.
Segundo Dom Odilo, «a Igreja defende a vida dos embriões humanos e considera ser contrário à ética e à lei moral o uso desses embriões na pesquisa científica, quando isso significa a danificação ou a destruição dos embriões».
Da mesma forma --prossegue o cardeal--, ela «julga ser contrária à dignidade humana a produção de embriões humanos em laboratório para estocá-los, sem ter em vista sua efetiva implantação no útero materno, para poder desenvolver-se normalmente».
O arcebispo reconhece que essa posição da Igreja «causa, por vezes, incompreensões e até acusações preconceituosas de que ela é "obscurantista" e contrária ao progresso da ciência».
«Fala-se, até mesmo, contrária ao bem de pessoas doentes, que vêem nesse tipo de pesquisa a esperança de cura para seus males.»
Mas «isso é injusto e não é verdadeiro», afirma o cardeal.
Dom Odilo explica que a Igreja tem essa posição «antes de tudo porque, baseada em sólidos dados científicos, ela afirma que a vida do ser humano começa na fecundação do óvulo, quer isso aconteça naturalmente no ventre da mulher, quer artificialmente, em laboratório».
Diante disso, segundo o arcebispo, a pesquisa com células-tronco embrionárias é reprovável porque nela é necessário matar o embrião para obter essas células.
O cardeal Scherer enfatiza que a Igreja «não é contra a ciência; nem, muito menos, contrária ao bem de pessoas doentes».
«Mas afirma, com serena firmeza, que os procedimentos científicos, sendo uma atividade humana, também devem respeitar a ética. Os fins não justificam os meios.»
Aos que precisam de cura e colocaram toda a sua esperança nas pesquisas com células tronco embrionárias humanas, o cardeal considera que, antes de tudo, é preciso dizer a eles «que a busca da cura é um desejo legítimo e a ciência deve ser apoiada e encorajada a encontrar soluções para as doenças e deficiências humanas».
«Mas não a qualquer custo», explica o arcebispo de São Paulo, «e sempre com métodos adequados e eticamente aceitáveis. De toda forma, não mediante a supressão da vida de outros seres humanos».
Papa apresenta vida sacramental como antídoto às seitas
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de março de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI apresentou uma vida de fé e de participação nos sacramentos como antídoto contra a expansão das seitas, especialmente na América Latina.
Foi a mensagem que deixou esta quinta-feira ao receber os bispos da Guatemala que realizaram sua qüinqüenal visita «ad Limina Apostolorum» ao Papa e a seus colaboradores.
Depois de ter recebido pessoalmente os prelados e de ler seus informes, o Santo Padre constatou que «Deus abençoou o povo guatemalteco com um profundo sentimento religioso, rico de expressões populares, que hão de amadurecer em comunidades cristãs sólidas, celebrando com alegria sua fé como membros vivos do Corpo de Cristo (cf. 1 Co 12, 27) e fiéis ao fundamento dos apóstolos».
«Sabeis muito bem que a firmeza da fé e a participação nos sacramentos fazem fortes vossos fiéis diante do risco das seitas ou de grupos pretensamente carismáticos, que criam desorientação e chegam a pôr em perigo a comunidade eclesial», acrescentou o Papa.
Nos últimos trinta e cinco anos, segundo alguns especialistas, grupos protestantes e outras seitas religiosas teriam conseguido atrair quase 30% da população, ainda que os números exatos são difíceis de confirmar, pois também há pessoas que abandonam posteriormente essas confissões. Estimativas apontam que na Guatemala existam atualmente cerca de dez mil grupos fundamentalistas.
Vários representantes da Santa Sé denunciaram nos últimos anos que a Guatemala se converteu em uma espécie de experimento para os grupos fundamentalistas dos Estados Unidos para penetrar em toda a América Latina.
O cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, em declarações publicadas pela agência «Notimex» em 3 de janeiro de 1999, revelava que uma das causas desta invasão se encontra no informe redigido por Nelson A. Rockefeller para o presidente Richard Nixon em agosto de 1969.
O documento sustentava que após o Concílio Vaticano II a Igreja Católica deixou de ser uma aliada de confiança para os Estados Unidos e a garantia de estabilidade social no continente (sul-americano), pelo que insistia na necessidade de substituir os católicos por outros cristãos na América Latina.
Rockefeller pedia no documento apoio para os grupos fundamentalistas cristãos e as agregações como Moon e Hare Krishna.
O cardeal Lozano revelava que as seitas se tinham proposto para o ano 2000 ter entre suas filas 50% da população guatemalteca, objetivo que fracassou.