sexta-feira, 7 de março de 2008

Avança diálogo com ortodoxos: Papa recebe patriarca de Constantinopla

Ambos rezam juntos no Vaticano

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de março de 2008 (ZENIT.org).- O diálogo entre católicos e ortodoxos deu um novo passo esta quinta-feira, com a visita que o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, realizou a Bento XVI.

Explicando os temas do encontro, a crônica emitida pelo Centro Televisivo Vaticano explica: «o amor de Deus destrói as barreiras entre os povos, e as confissões cristãs se esforçam mais intensamente na via do diálogo e da colaboração nos temas da paz, a salvaguarda da criação, do ecumenismo».

Depois do encontro, como um gesto excepcional, os dois líderes cristãos rezaram juntos na Capela de Urbano VIII do Palácio Apostólico Vaticano.

O patriarca Bartolomeu I veio a Roma para presidir na tarde desta quinta-feira um ato acadêmico no Pontifício Instituto Oriental, onde estudou e se doutorou, por ocasião do nonagésimo aniversário da fundação.

A 4 de março passado, recebeu o doutorado honoris causa em Ciências internacionais e diplomáticas, conferido pela Universidade de Estudos de Trieste (norte da Itália).

Segundo informa o Vatican Information Service, Bartolomeu I está acompanhado por sua eminência o metropolita Gennadios, arcebispo ortodoxo para a Itália e Malta, exarca para Europa Meridional; sua eminência Athanasios, metropolita de Helioupolis e Theira (Fanar) e sua eminência Ioannis, metropolita de Pergamo, presidente ortodoxo da Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa em seu conjunto.

Este é o terceiro encontro entre o Papa e o patriarca desde que Bento XVI visitou Istambul por ocasião da festa de Santo André, em novembro de 2006, e da viagem de Bartolomeu I a Nápoles em outubro passado, onde o Santo Padre encontrou os participantes no Encontro Internacional pela Paz.

A crônica do Centro Televisivo Vaticano pode ser vista em www.h2onews.org

Protesto Abortista


Roteiro: Alessandro Lima. Arte: Emerson H. de Oliveira.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Primado do Papa é necessário para comunhão da Igreja, explica Bento XVI

Ao apresentar na audiência geral a figura do pontífice Leão Magno

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 5 de março de 2008 (ZENIT.org).- O primado do Papa é necessário para a comunhão da Igreja universal, declara Bento XVI.

Assim explicou hoje aos mais de 7 mil peregrinos congregados na Sala Paulo VI por ocasião da audiência geral, dedicada ao Papa São Leão Magno (falecido no ano 461), na qual continuou com a série de catequeses em que está apresentando os Padres da Igreja.

Como não cabiam na sala todos os peregrinos, o Papa saudou outros milhares de fiéis na Basílica de São Pedro do Vaticano, onde se encontram precisamente os restos mortais daquele pontífice.

Rememorando a figura do primeiro Papa que assumiu o nome de Leão, Bento XVI mostrou «como o exercício do primado romano era necessário então, como o é hoje, para servir eficazmente a comunhão, característica da única Igreja de Cristo».

E o Papa Joseph Ratzinger o mostrou evocando o ministério de seu predecessor: «Leão Magno, constantemente requerido por seus fiéis e pelo povo de Roma, assim como pela comunhão entre as diferentes Igrejas e por suas necessidades, apoiou e promoveu incansavelmente o primado romano, apresentando-se como um autêntico herdeiro do apóstolo Pedro».

«Os numerosos bispos, em boa parte orientais, reunidos no Concílio de Calcedônia, demonstraram que eram sumamente conscientes disso», continuou explicando.

Celebrado no ano 451, com 350 bispos participantes, este Concílio se converteu na assembléia mais importante celebrada até então na história da Igreja e culminou o processo dos três concílios precedentes, com o qual se formulou a natureza divina e humana da Pessoa do Filho de Deus.

O Papa enviou uma carta ao bispo de Constantinopla sobre a natureza de Jesus, que ao ser lida na assembléia, foi acolhida, segundo recordou o Papa, «pelos bispos presentes com uma aclamação eloqüente, registrada nas atas do Concílio: ‘Pedro falou pela boca de Leão’, exclamaram unidos os padres conciliares».

Naquela intervenção e em outras pronunciadas durante a controvérsia sobre a natureza de Cristo daqueles anos, «torna-se evidente que o Papa experimentava com particular urgência as responsabilidades do sucessor de Pedro».

Seu papel, declarou, «é único na Igreja». «E o pontífice soube exercer estas responsabilidades, tanto no Ocidente como no Oriente, intervindo em diferentes circunstâncias com prudência, firmeza e lucidez, através de seus escritos e de seus legados.»

Leão Magno exerceu este ministério estando perto do povo e dos fiéis «com a ação pastoral e a pregação», recordou o Papa.

Em particular, explicou, «alentou a caridade em uma Roma afetada pelas carestias, pela chegada de refugiados, pelas injustiças e pela pobreza. Enfrentou as superstições pagãs e a ação dos grupos maniqueístas».

Mas em particular, Bento XVI sublinhou uma das grandes preocupações do Papa Leão:«ligou a liturgia à vida cotidiana dos cristãos: por exemplo, unindo a prática do jejum à caridade e à esmola».

«Leão Magno ensinou a seus fiéis – e suas palavras continuam sendo válidas para nós – que a liturgia cristã não é a lembrança de acontecimentos passados, mas a atualização de realidades invisíveis que atuam na vida de cada um.»

Esta foi a conclusão da intervenção: «Aprendamos, portanto, com São Leão Magno, a crer em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e a viver esta fé cada dia na ação pela paz e no amor ao próximo».

terça-feira, 4 de março de 2008

«Católicas pelo Direito de Decidir» não é organização católica, lembra CNBB

E não fala pela Igreja Católica, enfatiza Conferência episcopal brasileira

Por Alexandre Ribeiro

BRASÍLIA, terça-feira, 4 de março de 2008 (ZENIT.org).- «Católicas pelo Direito de Decidir» não é uma organização católica e não fala pela Igreja Católica, recorda a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

O organismo episcopal brasileiro manifestou-se sobre o assunto por meio de nota, esta segunda-feira, já que «têm chegado à sede da CNBB inúmeras consultas sobre a ONG», «uma vez que em seus pronunciamentos há vários pontos contrários à doutrina e à moral católicas».

A nota esclarece que «se trata de uma entidade feminista, constituída no Brasil em 1993, e que atua em articulação e rede com vários parceiros no Brasil e no mundo, em particular com uma organização norte-americana intitulada “Catholics for a Free Choice”».

«Sobre esta última, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já fez várias declarações, destacando que o grupo tem defendido publicamente o aborto e distorcido o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devidos à vida do nascituro indefeso», explica a CNBB.

O grupo também «é contrário a muitos ensinamentos do Magistério da Igreja; não é uma organização católica e não fala pela Igreja Católica (Cf. http://www.usccb.org/comm/archives/2000/00-123.htm)».

De acordo com a nota da CNBB, «essas observações se aplicam, também, ao grupo que atua em nosso país».

A Conferência episcopal brasileira lembra que a Campanha da Fraternidade 2008 «reafirma nosso compromisso com a vida, especialmente, com a vida do ser humano mais indefeso, que é a criança no ventre materno, e com a vida da própria gestante».

«Políticas públicas realmente voltadas à pessoa humana são as que procuram atender às necessidades da mulher grávida, dando-lhe condições para ter e a criar bem os seus filhos, e não para abortá-los», afirma a nota.

«“Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19). Ainda que em determinadas circunstâncias se trate de uma escolha difícil e exigente, reafirmamos ser a única escolha aceitável e digna para nós que somos filhos e filhas do Deus da Vida.»

A CNBB encerra a nota conclamando «os católicos e todas as pessoas de boa vontade a se unirem a nós na defesa e divulgação do Evangelho da Vida, atentos a todas as forças e expressões de uma cultura da morte que se expande sempre mais».

segunda-feira, 3 de março de 2008

Nota da CNBB sobre as Católicas pelo Direito de Decidir

segunda: 03 de março de 2008

Têm chegado à sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – inúmeras consultas sobre a ONG denominada “Católicas pelo Direito de Decidir”, uma vez que em seus pronunciamentos há vários pontos contrários à doutrina e à moral católicas.

Esclarecemos que se trata de uma entidade feminista, constituída no Brasil em 1993, e que atua em articulação e rede com vários parceiros no Brasil e no mundo, em particular com uma organização norte-americana intitulada “Catholics for a Free Choice”. Sobre esta última, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já fez várias declarações, destacando que o grupo tem defendido publicamente o aborto e distorcido o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devidos à vida do nascituro indefeso; é contrário a muitos ensinamentos do Magistério da Igreja; não é uma organização católica e não fala pela Igreja Católica[1]. Essas observações se aplicam, também, ao grupo que atua em nosso país.

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2008 reafirma nosso compromisso com a vida, especialmente, com a vida do ser humano mais indefeso, que é a criança no ventre materno, e com a vida da própria gestante. Políticas públicas realmente voltadas à pessoa humana são as que procuram atender às necessidades da mulher grávida, dando-lhe condições para ter e a criar bem os seus filhos, e não para abortá-los.

“Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19). Ainda que em determinadas circunstâncias se trate de uma escolha difícil e exigente, reafirmamos ser a única escolha aceitável e digna para nós que somos filhos e filhas do Deus da Vida.

Conclamamos os católicos e a todas as pessoas de boa vontade a se unirem a nós na defesa e divulgação do Evangelho da Vida, atentos a todas as forças e expressões de uma cultura da morte que se expande sempre mais.

Brasília, 03 de março de 2008

domingo, 2 de março de 2008

Igreja no Brasil reafirma posição contra pesquisa com embriões

BRASÍLIA, domingo, 2 de março de 2008 (ZENIT.org).- O Supremo Tribunal Federal do Brasil julgará na próxima quarta-feira uma ação que define a continuidade ou não das pesquisas com células-tronco embrionárias no país.

Esse foi um dos principais assuntos tratados pelo Conselho Permanente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), reunido de 27 a 29 de fevereiro, em Brasília.

Segundo informa a Sala de Imprensa da CNBB, em entrevista coletiva essa sexta-feira, a presidência do organismo episcopal reafirmou a posição da Igreja em relação a essa questão.

«A Igreja volta mais uma vez a dirigir sua palavra em defesa da vida. Esta é a posição básica e fundamental da Igreja. Não significa ser contra a ciência, contra o progresso, mas ser em primeiro lugar a favor da vida», disse o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, ao reafirmar a posição da Igreja contrária ao uso de células-tronco embrionárias para pesquisas.

De acordo com Dom Geraldo Lyrio, os bispos do Conselho Permanente decidiram enviar uma carta aos ministros do Supremo Tribunal para expressar a posição da Igreja.

«Não queremos fazer pressão sobre o STF, mas expor, inclusive como integrantes da própria sociedade brasileira, o nosso ponto de vista», disse.

«A Igreja não pretende impor o seu ponto de vista, mas defender seu direito de propor e de anunciar, sobretudo, quando se trata de uma questão como esta que extrapola os diferentes credos, posições filosóficas, ideologias, partidos políticos, dado ser uma questão que diz respeito a todos», afirmou o presidente.

O secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, destacou que a partir do momento que a vida começa, deve ser protegida, inclusive pelas instituições da sociedade civil e do próprio Estado.

Para ele, a Lei de Biossegurança, quando aprovada, trouxe erros graves ao misturar temas completamente díspares num único projeto de lei. «A Lei de Biossegurança abre caminho para a legalização progressiva do aborto e o desrespeito da vida humana», declarou.

(Com CNBB)

Bento XVI pede que jovens brasileiros sejam testemunhas de esperança

Pontífice reuniu-se com jovens de diferentes partes do mundo via satélite

Por Alexandre Ribeiro

APARECIDA, domingo, 2 de março de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI recordou esse sábado com carinho sua viagem ao Brasil de 2007 e pediu que os jovens brasileiros sejam testemunhas de esperança.

«Amados jovens, reunidos em Aparecida: ainda está viva no meu coração a lembrança da Viagem Pastoral que realizei no Brasil, especialmente no Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida», confessou o Papa.

Bento XVI falava aos jovens brasileiros via teleconferência, no contexto da Jornada Universitária da Europa e da América. Este ano, o evento reuniu universitários de dez cidades do mundo, entre elas Aparecida.

Cerca de 5 mil jovens congregaram-se no Santuário de Aparecida (167 km de São Paulo), para festejar com seus colegas de diferentes partes do mundo, recitar o Rosário junto do Papa e ouvir as palavras do pontífice.

Ao se dirigir em língua portuguesa aos brasileiros, Bento XVI afirmou que pede «à Virgem Mãe que obtenha para todos vocês a graça de ser sempre testemunhas de esperança».

Bandeiras e lenços se agitaram na Basílica quando o Papa apareceu no telão, às 14h do horário brasileiro. Aplausos e vivas ecoaram ainda mais fortes quando Bento XVI saudou a juventude em Aparecida.

A universitária Marina Campos, 20 anos, de São Paulo, confessou a Zenit sua emoção. «Ver o Papa surgir no telão e depois falar em português com a gente foi muito bonito. Tenho certeza de que todos aqui nunca esquecerão este momento», disse.

Já Ricardo Oliveira, 22 anos, de Campinas, destacou que agora é tempo de acolher o desafio lançado pelo Papa: «ser testemunhas de esperança em nossos ambientes, especialmente na Universidade», afirmou.

O dia de oração e festa tinha iniciado às 10h no Santuário de Aparecida, com palestras, shows musicais e testemunhos.

Pela tarde, durante o Rosário com o Papa, estudantes de diferentes cidades do mundo se revezaram na recitação das Ave-Marias. As imagens televisivas mostravam os universitários nas diferentes igrejas e santuários, reunidos com seus bispos e arcebispos.

Em uma breve alocução após a vigília mariana, Bento XVI expressou sua esperança na juventude.

«Jovens construtores da civilização do amor! Deus vos chama hoje, jovens europeus e americanos, a cooperar, junto de vossos colegas de todo o mundo, para que a seiva do Evangelho renove a civilização destes dois continentes e de toda a humanidade», disse.

«Este é o imperativo que hoje vos encomendo, queridos amigos: sede discípulos e testemunhas do Evangelho, pois o Evangelho é a boa semente do Reino de Deus, quer dizer, da civilização do amor. Sede construtores de paz e de unidade!», afirmou o pontífice.

Às 16h, o arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, celebrou a eucaristia de encerramento da Jornada com os jovens.

Em sua homilia, Dom Damasceno reforçou o convite de Bento XVI de que os jovens se comprometam na construção da civilização do amor.

«Vocês são chamados a ser discípulos e amigos de Cristo, na renovação do mundo com a luz do Evangelho», afirmou.

O arcebispo de Aparecida enfatizou que «a Igreja ama os jovens, acredita nos jovens e tem esperança neles para a construção de um mundo melhor».

Dom Damasceno abençoou os universitários em seu retorno a casa. Após a missa, as caravanas se despediram, enquanto alguns grupos ainda tocavam violão e entoavam cantos ao redor da Basílica da Padroeira do Brasil.