quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Vida Humana Internacional felicita a Bispo que censurou a "católicas" abortistas


.- O Padre Thomas J. Euteneuer, Presidente do Human Life International (Vida Humana Internacional), felicitou esta semana ao Dom Robert C. Morlino, Bispo de Madison, no estado de Wisconsin (EUA), por sua carta à legislatura desse estado, na qual assinalava a ilegitimidade do grupo abortista "Católicas pelo Direito a Decidir" (CDD).

Faz poucos dias, CDD dirigiu uma carta "confidencial" aos congressistas estatais para impedir a introdução de uma cláusula a favor do direito à objeção de consciência a uma lei que pretende converter em obrigatória a distribuição da "pílula do dia seguinte".

A cláusula, impulsionada pelos bispos do estado, protegeria aos profissionais da saúde de ser obrigados a subministrar o fármaco abortivo contra sua consciência.

A CDD enviou a carta aos congressistas apresentando-se como os "verdadeiros" representantes da Igreja Católica, assinalando que a consciência dos católicos não podia passar por cima do suposto "direito" das mulheres a abortar.

Informado da manobra da CDD, Dom Morlino, um dos mais enérgicos defensores da vida, esclareceu aos congressistas que a CDD era um organismo que não só não representava à Igreja, senão que tinha sido declarada oficialmente pelo Episcopado norte-americano como uma organização não católica e completamente alheia à Igreja.

"A CDD é, virtualmente falando, uma extensão do lobby do aborto nos EUA e através do mundo. É um grupo de propaganda a favor do aborto. Recebe financiamento de uma série de poderosas fundações que têm muito dinheiro, a maioria delas dos EUA, para promover o aborto como método de controle demográfico", escreveu Dom Morlino à legislatura do Wisconsin.

"Reafirmo que ‘Católicas pelo Direito a Decidir’ não é, de fato, um grupo católico, porque seus membros não aceitam o ensino básico da Igreja. Não me surpreende que, quando ensino a doutrina básica da Igreja Católica, que elas não reconhecem como tal, chamam-na ‘manobras políticas’: uma afirmação que é tão frívola como é irresponsável sua asseveração de que são católicas", concluiu o Bispo.

O Padre Euteneuer concluiu sua carta de felicitação dizendo: "Demos graças a Deus por nos haver dado pastores como Dom Morlino. Dom Morlino nos alertou sobre o triste fato de que ainda há lobos vestidos de ‘católicos’, que arremetem contra os filhos mais pequeninos de Deus".

Matemático judeu criticado por defender Papa

Entrevista com Giorgio Israel, professor da universidade «La Sapienza»

Por Paolo Centofanti

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 22 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Defender Bento XVI dos ataques dos que se opuseram a sua visita à universidade «La Sapienza», em Roma, implica pagar um preço, confessa Giorgio Israel, professor de Matemática neste centro universitário.

O docente de origem judaica interveio com um artigo em «L’Osservatore Romano» e com declarações públicas para explicar que Joseph Ratzinger defendeu Galileu na conferência pronunciada em 1990, pela qual foi acusado erroneamente por 67 professores (dos 4.500) de «La Sapienza».

Zenit entrevistou o matemático, convencido promotor do diálogo entre fé e religião.

–Considera que a imagem e a credibilidade de sua universidade em âmbito nacional e internacional sofreram após a oposição de um grupo de professores e alunos à visita do pontífice?

–Professor Israel: Creio que o dano é muito sério. Recebi cartas por parte de professores norte-americanos que estavam desconcertados; nos Estados Unidos se podem encontram todas as posições possíveis e imagináveis, mas não se dá esta forma violenta de rechaço do diálogo com o Papa, e ademais apenas com o Papa, pois «La Sapienza» tem convidado todos. É algo desconcertante e, portanto, desde meu ponto de vista, o dano para a imagem é muito elevado.

–Considerando seu ponto vista pessoal e seus contatos como professor, acredita haver motivações veladas por trás dos pretextos?

–Professor Israel: Não creio. Sei que alguns têm dito que tudo isso se deve, em parte, às rivalidades entre grupos acadêmicos para a reeleição do reitor. Mas francamente não creio. É mais que provável que alguém se aproveite disso, mas meu juízo é que o mundo universitário, que sempre esteve ligado à extrema esquerda, em particular ao partido comunista, com o final da ideologia marxista ficou «órfão» desta ideologia. E, em certo sentido, construíram como uma teologia substituta, como disse George Steiner: o cientificismo e o laicismo mais obstinados. Na universidade encontramos uma concentração sumamente elevada de pessoas que têm uma visão deste tipo, muito mais que no resto da sociedade civil.

–Crê que a intervenção do Papa poderia desarticular este tipo de ideologias?

–Professor Israel: Não, pois é um processo sumamente lento. De um ponto de vista, dada a oposição, e as dificuldades circunstanciais, creio que a decisão de não forçar a situação foi muito adequada. Creio que há que distinguir três elementos. Entre os estudantes, o grupo que se opôs é uma pequena minoria, e esta é a maldição de «La Sapienza»: sempre há um grupo de revoltosos que consegue impor sua vontade à imensa maioria dos estudantes. Acredito que entre os estudantes esta posição não está muito estendida. Entre os professores, é diferente. Só assinaram a carta 67, mas creio que são muito mais numerosos os que têm uma posição deste tipo. Digo isso por conhecimento de causa. Logo há muitos que pensam de uma maneira totalmente diferente. É difícil fazer porcentagens. Mas talvez se trata de uma divisão meio a meio. Mas não se trata apenas de 67, são muito mais.

Perante esta situação, penso que foi certo não ir à universidade e dar uma lição de aula, enviando um discurso que em certo sentido desmantela todos os pretextos do rechaço, da oposição à visita do Papa. Do meu ponto de vista, a mudança desta mentalidade apenas pode vir com um processo muito lento, de discussão, no qual se mostre progressivamente que estas posições de caráter cientificista, laicista, radical, são posições equivocadas. Mas, repito, estes processo requerem muito tempo; não é algo que se consegue em poucos dias, nem sequer em meses ou um ano. Precisa de tempo.

–Além de tirar de contexto a citação de Ratzinger sobre a frase de Feyerabend na que falava do «caso» Galileu, houve erros de comunicação?

–Professor Israel: Não sei. Penso que tudo isso reflete uma degradação cultural, porque quem faz algo assim e não se envergonha, ou inclusive não se dá conta, como constato em alguns casos, é uma pessoa que culturalmente desceu muito baixo.

–Tem sofrido críticas ou ataques por ter tomado posição estes dias?

–Professo Israel: Não vi muitas pessoas estes dias, mas é a situação de sempre. Quer dizer, quem toma posições como as que tomo paga um preço. Há pessoas que deixam de falar com você, porque – repito – é um clima sumamente ideologizado.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

25 anos de aplicação do Código de Direito Canônico

Congresso de estudo do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos

Por Marta Lago

ROMA, terça-feira, 22 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- «Investigação propositiva», «geral e só inicial»: é a senha de identidade do Congresso organizado pelo Pontifício Conselho para os Textos Legislativos para comemorar o 25º aniversário do Código de Direito Canônico e estudar o desenvolvimento de sua aplicação.

O encontro – 24 e 25 de janeiro – também analisará a eficácia das demais normas que os diversos organismos da Cúria Romana e os legisladores particulares produziram nestes últimos 25 anos.

A convocatória no Vaticano, com 700 inscrições confirmadas até o momento, será celebrada com o título: «A lei canônica na vida da Igreja. Pesquisa e perspectivas, a partir do recente Magistério Pontifício».

Deste se pode desprender a indicação de alguma lacuna no Código de Direito Canônico (CDC). Identificar se é assim faz parte da grande reunião de membros da Cúria, de Conferências Episcopais, canonistas e estudiosos.

Indica «deveres e direitos» próprios dos fiéis e da Igreja segundo a vontade de Cristo, e reúne as normas concretas que o legislador formula para «precisar, aplicar e defender» tais deveres e direitos: assim descreveu o CDC o presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, o arcebispo Francesco Coccopalmerio, hoje.

Ao apresentar, na Sala de Imprensa da Santa Sé, o próximo congresso, confirmou: «O Código Canônico de 1983 é um bom Código», ainda que, «como todas as obras humanas, é sempre reformável, e portanto perfectível e igualmente restaurável depois de um tempo de antiguidade».

Por isso – assinalou – «um dos objetivos do Congresso» será «identificar alguns pontos necessitados de uma certa restauração».

Processo permanente

Este Congresso de estudo marca o momento de uma atividade que se mantém habitualmente, precisou o secretário do dicastério, Dom Juan Ignácio Arrieta.

De fato, o CDC «já foi modificado em alguma parte ou se produziram novas leis que abordaram áreas que não estavam cobertas», recordou.

Aprofundando no procedimento de uma reforma do CDC – se fosse preciso –, Dom Arrieta observou que se trata de planejamentos a longo prazo, como foi o caso do vigente corpo normativo canônico, cuja reforma havia começado em 1966.

Quando se levam a cabo, são modificações que envolvem muitas pessoas, que requerem, antes de mais nada, comprovar que exista verdadeira necessidade de mudança, identificar qual em concreto, tudo isso considerado universalmente – porque não se trata de uma lei de alcance nacional, como a legislação de qualquer país.

Portanto, é um procedimento complexo que começa com a posta em andamento de uma Comissão de estudo de ampla participação, pois – seguindo as explicações de Dom Arrieta –, atende-se também a sensibilidade colegial do episcopado. Posteriormente se analisam as diversas matérias com os organismos da Cúria envolvidos, e como a modificação final resultaria em uma lei pontifícia, em primeira pessoa, por competência, intervém o Santo Padre.

Tal foi o processo que concluiu há 25 anos, quando chegou a término – recordou Dom Coccopalmerio – a revisão do CDC de 1917, atividade que havia proposto João XXIII no mesmo dia em que anunciou a celebração do Concílio Vaticano II. Quando terminou o Concílio, começou a revisão do texto normativo seguindo as contribuições doutrinais dos documentos conciliares.

Desde 1966, a Pontifícia Comissão para a Revisão do Código de Direito Canônico – antecedente histórico do atual Pontifício Conselho para os Textos Legislativos –, dedicou-se à preparação de um novo CDC com um intenso trabalho colegial, no qual participaram canonistas e autoridades eclesiais do mundo inteiro, faculdades universitárias, conferências episcopais e institutos de vida consagrada.

O Servo de Deus João Paulo II promulgou o CDC – atualmente em vigor – em 25 de janeiro de 1983 com a Constituição Apostólica Sacrae disciplinae leges. O tempo transcorrido e o aniversário oferecem agora a oportunidade de refletir sobre sua aplicação – junto às demais normas.

Pontos de partida

Pela brevidade do Congresso e seu caráter inicial e geral, o dicastério optou por contar nele com alguns organismos da Cúria, como o Pontifício Conselho Cor Unum – dedicado à obra caritativa do Papa – na pessoa de seu presidente, o cardeal Joseph Cordes.

Sua intervenção – «Espontaneidade da caridade: exigências e limites das estruturas normativas» – ajudará à reflexão, vistas as indicações de Bento XVI contidas em sua Encíclica Deus Caritas Est (n. 32) – sobre «Os responsáveis da ação caritativa da Igreja».

Do documento pontifício se poderia desprender «uma lacuna» para o CDC – apontou Dom Arrieta – quanto à regulação das iniciativas assistenciais e de caridade, a autoridade episcopal com relação a elas, ou o uso do termo «católico», por exemplo.

Percebe-se – segundo o secretário do dicastério – «que o recente magistério pontifício propunha a necessidade de revisar – sobre a base das normas e critérios jurídicos gerais já existentes no Código – aspectos concretos da disciplina canônica na eventual perspectiva de preencher vazios».

Também nesta ótica de evolução intervirá (sobre «Rigidez e flexibilidade das estruturas normativas no diálogo ecumênico») o cardeal Peter Erdo – arcebispo de Budapeste –, como presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

A razão é que o caminho ecumênico faz necessário analisar «duas tradições canônicas diferentes»; assim, como anuncia Dom Arrieta, «será necessário identificar fórmulas técnicas que sirvam para dialogar e estendam pontes entre os dois sistemas jurídicos».

No balanço da aplicação do CDC, convida-se também dois dicastérios dos quais depende toda a atividade de governo episcopal, inclusive a legislativa, com relação às circunscrições eclesiásticas da jurisdição ordinária – a Congregação vaticana para os Bispos – e de território de missão – a Congregação para a Evangelização dos Povos. Seus respectivos prefeitos oferecerão sua experiência: o cardeal Giovanni Baptista Re e o cardeal Ivan Dias.

Por sua parte, o cardeal Franc Rodé – prefeito do dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica – abordará «Experiências e perspectivas da relação entre norma geral e Estatutos próprios».

Consciente de que a eficácia do Direito canônico reside enormemente na formação em seminários e faculdades de Teologia, o Pontifício Conselho para os Textos Legislativos conta, no congresso, com o cardeal Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação para a Educação Católica.

Toda reflexão será realizada graças ao cardeal Julián Herranz – presidente emérito do dicastério organizador –, pois a abrirá com uma avaliação global desses 25 anos como testemunha de primeira mão de todo o processo normativo desde o Concílio.

O cardeal Tarcisio Bertone concluirá os trabalhos aprofundando no papel do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos.

Bento XVI falará aos participantes do Congresso na próxima sexta-feira, na audiência que concedeu.

Maronitas, «sede protagonistas da ressurreição do Líbano»

Disse o cardeal Sandri no terceiro centenário da Ordem em Roma

Por Robert Cheaib

ROMA, terça-feira, 22 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- «Permanecei fiéis ao Santo Padre e que isso seja o perene elogio da Igreja maronita; ajudai o caminho das Igrejas Orientais em estar ao serviço da unidade dos cristãos», recomendou em 20 de janeiro passado o cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais.

O convite dirigido pelo purpurado aos religiosos da Ordem Maronita da Beata Virgem Maria ressoou na basílica papal de Santa Maria Maior, em Roma.

A ordem pertence à igreja maronita, a mais numerosa no Líbano, fundada por São Maron (século IV e V), e que se mantém em plena comunhão com a Sé Apostólica de Roma, sem renunciar por isso às suas estruturas e rituais próprios em sírio e árabe.

O purpurado presidiu a concelebração eucarística de encerramento do terceiro centenário da presença em Roma da Ordem Maronita Mariamita, acompanhado do cardeal Bernard Francis Law, arcipreste da basílica de Santa Maria Maior, e pelo superior geral da Ordem, o abade Semaan Abou Abdo.

O abade Abou Abdo saudou e agradeceu a presença do novo cardeal prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, assim como ao prefeito emérito, o cardeal Moussa Daoud, ao embaixador do Líbano ante a Santa Sé, Naji Abi Assi, e ao embaixador libanês na Itália, Melhem Mistou.

Falando da situação do Líbano, disse: «Celebramos o sacrifício eucarístico enquanto o nosso país, Líbano, sucumbe sob o peso das dificuldades econômicas, políticas e sociais».

O abade convidou a assembléia a orar ao Senhor para que ilumine as mentes dos responsáveis políticos e expressou sua esperança de que eleja um novo presidente capaz de dar prioridade ao «caráter específico do Líbano como símbolo de convivência entre religiões e culturas diversas».

Em sua homilia, o cardeal Sandri destacou o sentimento de ação de graças que deve encher esta celebração jubilar pelas grandes coisas que o Senhor fez pela Ordem Maronita Mariamita. O purpurado expressou sua esperança de que seja «Maria quem coloque nos lábios e nos corações o canto de louvor a Deus».

«Junto à família mariamita, aqui reunida em torno do seu padre geral, elevamos a Deus o cântico de Maria: minha alma, a alma de toda a Ordem e de toda a Igreja, glorifica o Senhor», disse.

O cardeal agradeceu também a Ordem pelo seu serviço em todos os lugares onde está presente: Líbano, Itália, Estados Unidos, Argentina, Paraguai e Egito.

Referindo-se ao carisma da espiritualidade mariamita, o purpurado disse: «Vossa vida comunitária no amor pelo Cristo obediente, casto e pobre é fecunda pelo encontro com Maria». «Que presente podeis dar à Igreja, se não é esta fidelidade à vida religiosa, à vida de seguimento do Senhor?»

O cardeal exortou os religiosos a reforçar a contemplação que deve ocupar o primeiro lugar na vida religiosa: «Vossa padroeira vos pede, antes de mais nada, a contemplação. Habitai sempre, ao menos com o coração, no templo do Senhor. Como Maria, dedicai-vos a guardar a Palavra de seu Filho Jesus».

«Da contemplação brotará o caminho reto – acrescentou –, o da caridade, que não distrai da contemplação, mas a aprofunda.»

«Do caminho reto – acrescentou – brota a ação de graças, o ‘Magnificat’, como testemunho do amor de Deus ao mundo.»

Maria merece ser imitada como «modelo absoluto daquela contemplação» que é a única na qual crescem a vida consagrada e a vida evangélica.

Falando da situação libanesa, animou-os a desempenhar um papel ativo na ressurreição do país.

«Apoiai o caminho de vosso querido país, o Líbano», para o qual «ressoam as palavras de Cristo a Lázaro: ‘Lázaro, sai do sepulcro’; Líbano, sai desta situação», «e depois levanta-te e caminha como fonte de paz e vida cristã no Oriente Médio», diz o cardeal.

Não faltou um augúrio de paz para o Oriente Médio: «A oração pela paz, através das mãos de Maria, estende-e desde o Líbano à Terra do Senhor, ao Iraque e a toda a região como semente de paz. Que a ‘Theotokos’ interceda pela paz, pelo Líbano e por toda a terra».

«Oremos para que os maronitas sejam, também eles, protagonistas desta ressurreição do Líbano», concluiu.

À concelebração eucarística seguiu um recital do Coro da Universidade de Nossa Senhora do Líbano, titulado «Glória ao Justo». Fundado em 1993 pelo padre maronita Khalil Rahme, que também o dirige, está composto em parte por profissionais, como a cantora libanesa de ópera Ainda Tomb, e por estudantes da citada universidade. Ganhou a medalha de ouro no terceiro concurso internacional de Laval, Quebec, em 2007.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Missão da Igreja passa pelo ecumenismo, assegura Papa

Em plena Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

CIDADE DO VATICANO, domingo, 20 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- A missão da Igreja neste momento passa pelo avanço no caminho ecumênico, assegurou Bento XVI neste domingo, em plena Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a aproximadamente 200.000 peregrinos congregados na Praça de São Pedro, no Vaticano, o pontífice exortou: «Não podemos nos cansar nunca de rezar pela unidade dos cristãos!».

«Quando Jesus, durante a Última Ceia, rezou para que todos ‘sejam um’, ele tinha um fim preciso: ‘para que o mundo creia’», explicou, recordando a passagem evangélica de João 17, 21.

«A missão evangelizadora da Igreja passa, portanto, pelo caminho ecumênico, o caminho da unidade da fé, do testemunho evangélico e da autêntica fraternidade», garantiu o bispo de Roma.

Dessa forma, o pontífice comentou o lema para a semana ecumênica deste ano, que cumpre um século de vida, «Orai sem cessar».

Durante estes 8 dias, «católicos, ortodoxos, anglicanos e protestantes, conscientes de que suas divisões constituem um obstáculo para a acolhida do Evangelho, imploram juntos do Senhor, de forma ainda mais intensa, o dom da plena comunhão».

Ele recordou que esta «iniciativa providencial» surgiu por iniciativa do Pe. Paul Wattson, de origem anglicana, e saudou seus filhos e filhas espirituais, presentes no encontro com o Papa, os irmãos e irmãs franciscanos do Atonement, a quem animou «a continuar sua entrega especial à causa da unidade».

«A oração – esclareceu –, a conversão do coração, a intensificação dos vínculos de comunhão constituem a essência desse movimento espiritual, que esperamos que possa logo conduzir os discípulos de Cristo à comum celebração da Eucaristia, manifestação da sua plena unidade.»

Na sexta-feira, 25 de janeiro, Bento XVI concluirá, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos com as Vésperas solenes, nas quais participarão representantes das igrejas e comunidades eclesiais.

Nesse encontro, como revelou o Papa, juntos invocarão «de Deus o dom precioso da reconciliação entre todos os batizados».

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Plena continuidade entre Wojtyla e Bento XVI na trilha do Vaticano II

Revela a reedição de um livro do então arcebispo de Cracóvia

Por Mirko Testa

ROMA, quarta-feira, 16 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Há um fio condutor que une solidamente a interpretação do Concílio Vaticano II (1962-1965) do então arcebispo Karol Wojtyla, que o definiu «um novo capítulo na pastoral da Igreja», à leitura que faz seu sucessor, Bento XVI.

Demonstra-o uma obra titulada em italiano «Às fontes da Renovação. Estudo sobre a aplicação do Concílio Vaticano II» («Alle fonti de Rinnovamento. Studio sull’attuazione del Concilio Vaticano II»), que o futuro pontífice polonês, então arcebispo de Cracóvia, escreveu em 1972 para os fiéis de sua diocese, fazendo uma interpretação deste evento eclesial inaugurado por João XXIII.

Publicada na Polônia em 2001 pela Associação Teológica Polonesa e editada na Itália em 2001 pela Livraria Editora Vaticana, a obra foi reeditada agora por Rubbettino Editore, com a contribuição da Fundação «Novae Terrae» e prólogo do bispo vigário de Roma, o cardeal Camilo Ruini.

Com aquele estudo, o cardeal Karole Wojtyla, que havia vindo a Roma para o Concílio Vaticano II como desconhecido vigário capitular da arquidiocese de Cracóvia, contribuindo depois de maneira significativa na elaboração da constituição «Gaudium et Spes», pretendia fixar sua atenção «na consciência dos cristãos e nas atitudes que devem adquirir» para uma real e genuína aplicação do Concílio.

No prólogo do livro, o cardeal Ruíni afirma que já nos primeiros anos do pós-concílio começaram a contrapor-se duas hermenêuticas, a da «ruptura» e a da «continuidade».

Segundo Karol Wojtyla, era preciso dessa lógica para sublinhar o caráter pastoral e doutrinal do Concílio. O então arcebispo de Cracóvia via que o «princípio» e o «postulado» básico da aplicação do Vaticano II, ou seja, da renovação conciliar, era o «enriquecimento da fé».

A seu entender, «tal tendência da Igreja assinala ao mesmo tempo a orientação fundamental pela qual a fé se desenvolve e se enriquece» porque «o enriquecimento da fé não é outra coisa senão a participação cada vez mais plena na verdade divina».

Com efeito, acrescenta, «nada determina melhor o processo de auto-realização da Igreja que a realidade da fé e seu gradual enriquecimento».

«Este enriquecimento da fé em sentido objetivo constitui uma nova etapa no caminho da Igreja para ‘a plenitude da verdade divina’ e, ao mesmo tempo, enriquecimento no sentido subjetivo, humano, existencial.»

Nisto, portanto, Bento XVI acompanha de perto, ainda que se diferenciando, o pensamento de Wojtyla, como já se pôde ver no dia seguinte de sua eleição papal, quando declarou solenemente querer continuar o caminho percorrido por João Paulo II na aplicação do Concílio Vaticano II, e quando dedicou à sua correta exegese o histórico discurso à Cúria Romana de 22 de dezembro de 2005.

Bento XVI, falando a seus colaboradores da Cúria, 40 anos após o encerramento do Vaticano II, apresentou como promotora de «confusão» aquela «hermenêutica da descontinuidade» que «pôde valer-se da simpatia da mídia e inclusive de uma parte da teologia moderna», opondo-lhe os frutos silenciosos mas constantes da hermenêutica da reforma, entendida como «renovação na continuidade».

«Uma hermenêutica – escreve o cardeal Ruini no prólogo do livro – na qual a tradição vive na conjugação fecunda e fiel de continuidade (que não é repetição) e novidade (que não é mudança da substância). Um empenho que surge sobretudo de uma relação vital e espiritual com a palavra da fé e de uma eclesialidade vivida.»

Enquanto isso, acrescenta o cardeal Ruini, resta ainda hoje uma marca perigosa da hermenêutica da descontinuidade que, com seu «chamado genérico ao ‘espírito do Concílio’, expõe ao risco de interpretações subjetivas, que entendem mal a autêntica natureza do evento conciliar e dão margem a evoluções dificilmente compatíveis com a substância do catolicismo».

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

DVD traz críticas à Igreja Católica e defesa ao aborto

por KAMILA MENDES MARTINS

Curitiba – 2008 começou com uma polêmica para os católicos, criada com a edição do DVD sobre a Campanha da Fraternidade 2008, cujo tema é “Escolhe, pois, a vida”. O vídeo, produzido pela Verbo Filmes, traz o depoimento da socióloga e membro da organização não-governamental Católicas pelo Direito de Decidir (CDD), Dulce Xavier.

No filme, Dulce critica a Igreja Católica por ser contra o uso de métodos contraceptivos e defende a realização do aborto pela rede hospitalar pública. Ela ainda deixa claro que a CDD “é uma organização não-governamental, independente da hierarquia ou da instituição católica, mas composta de pessoas que vêm de uma militância nos movimentos progressistas, ligados à teologia da libertação”.

A reação dos católicos foi imediata. No dia 4 de janeiro, o padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente do grupo Pró-Vida de Anápolis, publicou em um jornal eletrônico da entidade a notícia de que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) havia mandado recolher os DVDs, que estavam sendo vendidos nas livrarias católicas desde meados de dezembro. “A inserção das ‘católicas’ no vídeo tinha sido feita sem a autorização da CNBB, que, quando soube da notícia, exigiu o recolhimento dos DVDs. A Verbo Filmes fez então uma outra edição, desta vez sem a fala das CDD”, diz o padre na internet.

A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com a CNBB e com a Verbo Filmes, porém nenhuma quis se pronunciar sobre o assunto. A CNBB, inclusive, não fez pronunciamento público algum. Diante dessa discussão, os bispos não poderão permanecer calados por muito tempo. Os católicos já estão cobrando um posicionamento da entidade. O professor Alessandro Lima, editor e diretor do site Veritatis Splendor(www.veritatis.com.br), avisa que está preparando uma carta para ser entregue ao presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, pedindo esclarecimentos. “Dependendo da resposta acionaremos três entidades romanas: a Congregração para a Doutrina da Fé, a Congregação para o Clero e a Congregação para os Leigos. Porque as CDD dizem que são uma organização de leigas católicas. O que não é verdade. Elas vêm com esse nome para enganar os católicos”, acusa Alessandro.

Dulce Xavier disse à Gazeta do Povo que foi convidada pela própria Verbo Filmes para participar do vídeo e que não sabia da mudança exigida pela CNBB, mas que, se realmente houve, isso representa uma vitória da parte fundamentalista da igreja. “É uma pena que mais uma vez o setor conservador fundamentalista não permita o debate. O grande problema é a ausência do debate. Eu acho que numa democracia é importante que todas as pessoas possam veicular o seu pensamento. Isso tem que ser considerado e veiculado o pensamento de todos os grupos. Uma campanha da fraternidade com apenas um lado da questão é um imposição”, defende-se Dulce.

Para a Igreja Católica, a preservação da vida não está em debate. Principalmente a dos nascituros, que não têm como se defender.